12/03/2019 - Tempo dos Blocos Dr. Yglésio

Yglésio Luciano Moyses Silva de Souza

Aniversário: 19/09
Profissão: Médico

Discurso - download do áudio



O SENHOR DEPUTADO DR. YGLÉSIO (sem revisão do orador) - Bom dia, Senhor Presidente, bom dia aos nobres Deputados, em especial as Deputadas e servidoras desta Casa, congratulá-las pela passagem do dia 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Cumprimento aqui a Deputada Andreia Rezende, Dr.ª Cleide, Deputada Daniella Tema, Deputada Dr.ª Thaiza, Deputada Dr.ª Helena Duailibe e Deputada Mical Damasceno. Senhoras e Senhores, dizem que a vida é feita de escolhas e quando escolhi ser médico, médico do Sistema Único de Saúde eu nunca imaginei que isso fosse me levar algum dia a chegar aqui nesta Casa, porém, tivemos a oportunidade de sermos escolhidos pelo povo para representá-lo. Para mim isso é uma honra, mas acima de tudo uma grande responsabilidade. Muitas vezes os papéis de médico e de Deputado se confundem, mas hoje peço a licença de vocês para falar muito mais como médico do que como parlamentar. A Torá nos ensina que quem salva uma vida, salva o mundo inteiro e nos meus 15 anos como médico já tive de fazer muitas escolhas, mas cada homem e mulher que se torna pai e mãe sabe que a única coisa que não é negociável, onde não há espaço para a gente fazer escolhas é quando temos que salvar a vida de um filho. Como político, da mesma forma, eu acredito que cada um de nós tem a obrigação de fazer o seu melhor para que toda criança tenha a chance de ter a sua vida preservada e, mais do que isso, tenha a dignidade durante todo o seu atendimento. Eu digo isso para falar um pouco do ocorrido no final de semana com o menino Pietro e, a partir dele, analisar o quadro de assistência à saúde infantil no Estado, buscando única e exclusivamente prestar contribuição realmente às políticas públicas de saúde no Maranhão. O Pietro foi um menino com um quadro de hidrocefalia mielomeningocele, paralisia cerebral, quadros tanto de origem congênita como resultante de uma inadequada assistência ao parto que evoluiu com uma pneumonia. No curso da internação do Pietro no hospital ele teve uma pneumonia e que teve que tratar com antibióticos, isso terminou prolongando a internação no Hospital da Criança. O Hospital da Criança, para quem não sabe, hoje não tem centro cirúrgico. A reforma ainda não foi concluída e momentaneamente não há prazo para a finalização dela, então ele necessitou sair do hospital para fazer dois procedimentos que são extremamente simples, que é uma gastrostomia e uma traqueostomia. São procedimentos para alimentá-lo e facilitar a sua respiração, são procedimentos simples, mas que por conta da grande demanda do Hospital Juvêncio Matos, que é estadual, e do Hospital Materno Infantil houve uma demora para essa transferência, que é natural quando há uma sobrecarga hospitalar. Parabenizamos a todos os envolvidos nessa transferência, principalmente à equipe da regulação de leitos do estado do Maranhão. Parabenizar também o Secretário estadual Carlos Lula e ao Secretário municipal de Saúde Lula Filho. É inegável que houve avanços nos últimos anos dentro da assistência à saúde no Maranhão, inauguração de novos hospitais, elaboração de programas de maior assistência, de democratização do acesso, principalmente, mas os avanços não podem nos cegar quanto à necessidade de vencer os retrocessos. E é inegável que tem um problema muito sério hoje ainda com os leitos de UTI tanto neonatal, que vão daquelas crianças até 30 dias de vida, quanto de UTI pediátrica, onde o cenário ainda é mais grave, que vai até 13 anos e 11 meses de vida para ocupar o leito. Mais do que salvar uma vida, a gente pega um caso desses que é muito emblemático e, por vezes, toma a atenção das redes sociais, mobiliza recursos, mobiliza esforços, mobiliza paixões, mobiliza toda a opinião pública, mas às vezes a gente tem que pensar em mais do que salvar apenas uma vida. A gente tem que olhar para a necessidade do macrossistema ser ajustado à demanda. E o nosso dever como parlamentar é esse. Hoje o cenário ideal do ponto de vista de orientação do Ministério da Saúde é que para UTI pediátrica existam quatro leitos para cada dez mil habitantes pediátricos na faixa etária. No Maranhão calcula-se que tenhamos cerca de 1 milhão e 200 habitantes nessa faixa etária. Então teríamos que ter próximos de 400 leitos de UTI pediátrico no Estado. Quanto à UTI neonatal, aquela que recebe as crianças nos primeiros dias de vida e que tem um papel fundamental na impactação da sobrevida ou não desses menores, teríamos que ter quatro leitos para 1000 nascidos vivos, para essas UTIs neonatais. O custo de implementação de um leito desse não é pequeno. É em torno de 100 mil reais só em termos de equipamentos. E em termos de custeio nós também temos uma despesa importante, lembrando que o SUS paga por uma diária dessa de UTI Neonatal de 131,9 reais a 567,32 mais ou menos, por dia. A realidade maranhense ainda está aquém do ideal, tanto no município de São Luís, quanto na distribuição de leitos pelo interior do Maranhão. O Maranhão, para vocês, terem uma ideia, hoje tem um déficit de 274 leitos de UTI neonatal. O que nos dá a média inadequada de 1,18 leitos de UTI para dez mil habitantes. Para ter ideia, no Sudeste, a média é de 4 leitos; no Rio de Janeiro, a média é de 5,58. Ou seja, nós estamos ainda muito longe do que é o mínimo que se espera. O Hospital da Criança hoje tem em torno de 86 leitos, não tem nenhum leito de UTI Pediátrica no Hospital. Existe a contemplação prevista para a reforma, porém há um atraso significante da obra, orçada em 15 milhões de reais, para que haja continuidade e finalização das atividades. Hoje com 60 leitos, mais 14 leitos de área vermelha, que, para quem não sabe, parece muito com leito de UTI, mas, por exemplo, ele não permite que faça hemodiálise numa criança, caso seja necessário. Então temos 14 leitos emergenciais de área vermelha e mais 6 leitos de área amarela. Então o Hospital da Criança funciona em torno de 80, 85 leitos. Com a reforma, inicialmente se pensou em 174 leitos para o hospital. O que daria um salto grande de qualidade e de capacidade de atendimento, com UTI de 11 leitos, inclusive leito de isolamento e um Centro Cirúrgico com quatro grandes salas. Mas, provavelmente, essa capacidade aqui total de 174 leitos inicialmente prevista vai ser reduzida para em torno de 90 a 100 leitos, por conta da dificuldade relatada pelo município de arcar com o custeio. São Luís, hoje, anualmente, gasta mais ou menos oitocentos e cinquenta milhões de reais, seiscentos e cinquenta milhões de despesa feita pela Secretaria Municipal de Saúde, duzentos milhões para a autarquia hospital Municipal Djalma Marques. E é um volume de dinheiro muito alto, gasto em torno de sessenta e três por cento apenas com o pagamento de pessoal. O que reduz bastante a margem de aumento para custeio das ações de saúde no hospital. Esse é um problema a ser enfrentado. A outra situação é em nível federal. Nós temos o hospital Materno Infantil, que é a única unidade do Estado a realizar alguns tipos de procedimentos de complexidade maior, de alta complexidade, a neurocirurgia lá dentro realiza, a broncoscopia infantil que é uma das coisas que o Pietro vai ter que sair do hospital Juvêncio Matos e ir ao Materno Infantil para fazer a broncoscopia. A UTI pediátrica do Materno é pequena, proporcionalmente, tem dez leitos. E temos lá mais quarenta e dois leitos de UTI neonatal. Na rede estadual, o cenário também ainda está aquém do que a gente precisa. Nós temos dezenove leitos de UTI pediátrica e cento e cinco de UTI neonatal. Então a gente tem um déficit em torno de duzentos e setenta e quatro leitos de UTI neonatal e de quase trezentos e cinquenta leitos de UTI pediátrica. Nossa proposta aqui em termos de cobrança pública que a gente deve fazer, é necessário ao exercício da atividade parlamentar, é que seja finalizado, no menor tempo possível, esta obra do Hospital da Criança, que sejam abertos leitos de UTI pediátrica nos hospitais macrorregionais no Estado, já vi na semana passada uma reunião do Deputado Felipe com o Secretário Carlos Lula tratando sobre a abertura de leitos de UTI pediátrica no hospital de Santa Inês, no macrorregional de Santa Inês. Investimentos nos hospitais de referência da Grande Ilha. E, claramente, a gente tem déficit ainda de profissionais habilitados para manejar esse tipo de paciente, que não adianta você só abrir a estrutura hospitalar e não ter o profissional qualificado. Então a gente tem que realmente formar profissionais em pediatria aqui, estimular as residências médicas, os programas de residência em pediatria, neonatologia e cirurgia pediátrica. Temos pouquíssimos cirurgiões pediátricos, aqui no Maranhão ainda, E precisamos mais do que tudo, discutir, discutir com os especialistas da comunidade acadêmica, com os profissionais de gestão e assistência que são as pessoas realmente que fazem o dia a dia. E também aqui em termos de recursos, creio que, em caso de necessidade, cada um de nós possa destinar para o ano que vem, para a conclusão da obra, um volume de emendas que considero aqui importante. Mas a gente fala muito de macroestrutura hospitalar, de leitos de UTI, de coisas caras e nos esquecemos do básico, o pré-natal. O pré-natal são seis consultas que a gestante precisa fazer no curso da sua gestação e até um ano atrás aqui no Maranhão de 217 municípios, 210 tinham uma cobertura menor do que 25% do pré-natal. A meta de atingimento dessa cobertura o ideal é que chegue pelo menos a 75%. Isso nos traz obviamente complicações. Porque a gestante que não faz o pré-natal submete o feto a problemas: transmissão de doenças de mãe para o filho, não reconhecimento precoce de malformações que poderiam ser tratadas de uma maneira melhor. E nos leva ao resultado fatal que nós temos aqui no Brasil, que é uma mortalidade de 44 a 110 óbitos em 100 mil nascidos vivos que, para vocês terem uma ideia, no Japão, é de 6, ou seja, nós estamos com uma mortalidade quase de 20 vezes maior ainda no Japão e em alguns cenários. É óbvio que o pré-natal vai reduzir as complicações de parto. Tem estudos internacionais que indicam que teremos uma redução de até 90% das complicações e há aqui no Estado iniciativas positivas como, por exemplo, o cheque cesta básica a gestante, que é um valor de R$ 900,00, que é pago em 09 parcelas, 06 antes de a gestação chegar ao término e mais 03 após o nascimento da criança. Então é uma boa iniciativa, sem dúvida, mas mais do que isso, mais do que estimular com recursos financeiros temos que investir em educação, inclusive educação sexual e planejamento familiar. Na contramão do que é a orientação hoje em Brasília, do Governo Bolsonaro, da Ministra Damares, acredito realmente que a gente deva cada vez mais inserir o educador no papel de educação sexual realmente nas escolas, para que as crianças realmente não tenham que recorrer ao site de pornografia para ter uma vida sexual plena no seu desenvolvimento. Facilitar o acesso a informação vai nos levar, sem dúvida, a um maior acesso ao sistema de saúde, sempre com foco na prevenção, que é o que de fato barateia e assegura uma melhor assistência. Nós convivemos com pobreza, convivemos com sequelas de ignorância e muitas vezes a gente vê no dia a dia e nas redes sociais a necessária convivência que temos com a tragédia, mas a gente só não pode ter é indiferença com o mundo à nossa volta, com essas pessoas que morrem dia após dia com causas completamente evitáveis, contornadas com cada um de nós apenas com um mínimo dever de fazer nada mais do que a sua parte. Muito obrigado.

+ Notícias
banner-ouvidoria
banner-whatsapp

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO MARANHÃO

Palácio Manuel Beckman - Av. Jerônimo de Albuquerque - Sítio do Rangedor - Calhau
São Luis - Maranhão - CEP: 65071-750

TELEFONES ÚTEIS

(98) 3269-3000 | 3269-3001

AGÊNCIA ALEMA