27/04/2019 17h56

Empreendedores conquistam o mercado nacional com produtos tipicamente maranhenses

Jacqueline Heluy/Agência Assembleia

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Empreendedores conquistam o mercado nacional com produtos tipicamente maranhenses
Sérgio Oliveira e Léa Mamede decidiram empreender no ramo da gastronomia em Alcântara e inauguraram a Cafeteria e Cachaçaria 'Café com Arte | Jacqueline Heluy/Agência Assembleia

Um encontro casual durante uma roda de samba em dos bares da Lapa, no Rio de Janeiro, uniu o carioca Sérgio Oliveira e a maranhense Léa Mamede. Em sua primeira visita a Alcântara (MA), Sérgio não conseguiu resistir aos encantos das ruas de pedras, ladeiras e azulejaria dos velhos casarões da cidade histórica e decidiu pedir demissão do emprego de analista de sistemas, em uma grande empresa multinacional, para se tornar empreendedor no Maranhão. Há um ano, ele e a esposa inauguraram a primeira cafeteria e cachaçaria de Alcântara.  

Os turistas que percorrem a Rua Grande, principal via de Alcântara, logo se deixam seduzir por um encantador sobrado ‘porta e janelas’ com paredes de cor branca. A placa na fachada indica o nome do estabelecimento: ‘Café com Arte’. Uma simpática atendente recebe os turistas na porta e logo avisa que ali são servidos café de refinado sabor, licor e chachaça artesanal.

Quem adentra o ‘Café com Arte’ logo se depara com a decoração rústica do ambiente, ornamentado com bancos e mesa de madeira, quadros nas paredes e pinturas feitas à mão por artistas plásticos alcantarenses, além de discos de vinil e garrafas com licor de sabores variados. Sobre a bancada, um antigo gramofone toca uma música MPB anos 80. O cheiro do café atiça o paladar e a imaginação do visitante.

Ao resolver inaugurar o ‘Café com Arte’, o casal Sérgio Oliveira e Léa Mamede investiu em um tipo de negócio que a cada dia atrai mais empreendedores em todo o estado: o empreendedorismo regional, cujos produtos comercializados são tipicamente maranhenses.

“Nossa ideia é trabalhar, no Café com Arte, a cultura de sabores exclusivamente maranhense. Os licores servidos aos clientes são produzidos aqui mesmo em Alcântara e temos diferenciados tipos de café também com sabor especial alcantarense”, explicou Sérgio.

Como o próprio nome sugere, no espaço o público pode apreciar, ao mesmo tempo, café regado a uma boa dose de arte. O casal promove saraus literários com a participação de estudantes de Alcântara, apresentações de recital de cordel, quinteto violado e sax.

Em um ano, o casal empreendedor já atingiu a meta de faturamento que esperava alcançar nos próximos três anos. Por conta disso, Sérgio e Léa pretendem expandir o café e choperia artesanal para um espaço gourmet em Alcântara, no qual serão comercializados sanduiches e tábuas de frios, sempre com produtos à base da culinária maranhense.

“O Maranhão tem uma cultura diferenciada que permite aos empreendedores diversificar os produtos. É isso que os turistas procuram”, afirmou Sérgio.  

O MARANHÊS VIRA ATRAÇÃO

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Camisetas estilizadas com o 'maranhês', criativo negócio idealizado pelo jornalista Pedro Henrique Freire, tornaram-se as queridinhas do público jovem

Tu já tá?, hein hein, pikena, mermã, só quer ser, éeeeguas, saliente, não me trisca...  Camisetas básicas coloridas com frases como estas parecem não ter sentido algum para quem não é da terra do bumba-boi, mas se tornaram as t-shirts queridinhas dos turistas que querem levar para seus estados uma lembrancinha deste lugar onde se fala um idioma bem peculiar: o maranhês.  

A ideia de apostar na força vendável dos artigos maranhenses surgiu na cabeça do jornalista Pedro Henrique Freire e logo se tornou uma marca de sucesso. Criada em 2016, a loja Santê comercializa t-shirts femininas e masculinas, bermudas, chapéus, bonés. Tudo dentro da temática regional.

As vendas começaram pela internet e a marca também participava de feirinhas temáticas em praças na cidade. De uma forma muito rápida, as camisetas caíram na preferência do público jovem, que passou a adotar o estilo 'maranhês' até para noites de baladas.

Hoje a Santê já possui duas lojas próprias, sendo uma delas em um dos shoppings mais frequentados da capital. “Criamos a Santê focados em quatro vantagens: preço acessível, qualidade e o conceito de uma marca genuinamente maranhense”, explica Pedro Henrique.

Segundo Pedro Henrique, o Maranhão tem uma cultura muito forte, onde as pessoas de outros estados e países que o visitam se identificam.

O amor pelas camisas produzidas pela Santê é tão grande que Joanilson Rodrigues, que já foi cliente, hoje trabalha para a loja. “Eu adoro esses produtos e sei que comercializando as camisas Santê, também estou vendendo a boa imagem do Maranhão até para outros países”.

Os turistas que visitam o Centro Histórico já sabem que não podem deixar de dar uma passadinha na loja ‘Joias Artesanais’, localizada no Beco Catarina Mina.  É mais um empreendimento com foco no ‘maranhês’ e que tem se consolidado como marca de sucesso em São Luís.

Cada peça à venda, entre anéis, brincos, colares e pulseiras de prata, possui elementos que se reportam às belezas dos pontos históricos de São Luís. Azulejos em miniatura também dão formas às lindas joias artesanais idênticas às fachadas dos casarões em estilo português que renderam à capital maranhense o título de Patrimônio Histórico da Humanidade. Tudas as peças são confeccionadas pelas mãos do artesão José Silva, dono do próprio negócio. “A aceitação é tão boa que já estamos exportando os nossos produtos para outros países”, afirmou.

DELÍCIA QUE VEM DO SERTÃO

A expansão da comercialização de produtos regionais maranhenses não vem ocorrendo apenas na capital. Nos últimos três anos, aumentou, também, o número de empreendedores no interior do estado que utilizam matéria prima da própria região. Este é o caso do fabricantee do ‘Queijo do Sertão’. A fábrica foi inaugurada em 2018, na cidade de Colinas, a partir de uma produção própria de gado leiteiro.  

De acordo com Felipe Ferreira Pantoja, sócio-administrador da fábrica, em 2018 foram produzidos 12 mil quilos de queijo. Já nos primeiros quatro meses deste ano, a produção aumentou, chegando a seis mil quilos, metade de toda a produção do ano passado. A estimativa é triplicar até o final do ano.

“Esse ano as vendas triplicaram após o lançamento dos queijos trufados de goiabada e doce de leite”, afirmou Felipe.

No início, toda a produção era comercializada apenas no município de Colinas e Mirador. Atualmente, os produtos ‘Queijo do Sertão’ são vendidos em grande escala nos municípios maranhenses de São João dos Patos, São Domingos, Presidente Dutra, Fortuna, São Luís e Canto do Buriti, no Piauí.

Como o próprio nome já diz, ‘Queijo do Sertão’ é o único tipicamente maranhense produzido na região do sertão. “Somos, ainda, os primeiros a produzir queijo Minas Frescal com DNA maranhense”, ressalta Felipe.

No início, a produção era só de queijo coalho e Minas Frescal, hoje a fábrica já produz frescal temperado, queijos trufados de goiabada e doce de Leite, mussarela, queijo coalho no palito. Ainda para este ano, Felipe diz que a empresa estuda lançar outras  novidades, como a bebida láctea e novos tipos de queijo

Ele enfatiza que a leitaria e o laticínio Queijo do Sertão geram, diretamente, mais de 15 empregos e, indiretamente, mais de 30, segundo o sócio-administrador. “Hoje vêm pessoas de várias cidades comprar nosso queijo, e até de outros estados.  Já tivemos clientes que levaram para São Paulo, Brasília, Fortaleza e estamos em fase final para receber o selo para venda em todo estado. Isso irá acontecer muito em breve e ajudará a expansão do produto.

BNB APOIA EMPREENDEDORES

A expansão dos empreendimentos tipicamente regionais é considerada excelente pelo Banco do Nordeste que, no ano passado, investiu mais de R$ 1 bilhão em financiamento para empreendedores urbanos no Maranhão. Nos dois primeiros meses de 2019, já foram aplicados cerca de R$ 254 milhões neste mesmo setor, em todo o estado.  

De acordo com o gerente estadual de Microfinanças Urbanas do BNB, Marco Aurélio Ramos, “o empreendedorirsmo tem sido a saída para o desemprego, pois a indústria e o comércio não têm condições de absorver toda a mão-de-obra e, muitos dos que estão foram do mercado, buscam empreender para gerar renda”.  

Atento à expansão do empreendedorismo urbano e rural no Maranhão, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Indústria, Comércio e Energia (Seinc), montou uma estratégia de fomento dos produtos maranhenses, que hoje recebem o selo ‘Produzido no Maranhão’. O selo ajuda o consumidor a identificar e valorizar o que é produzido no estado.

De acordo com informações no site do governo do Estado, o selo ‘Produzido no Maranhão’ conta, atualmente, com 65 empresas dos mais variados segmentos. São cervejas artesanais, panelas, caixas, produtos de higiene e limpeza, doces, geleias, tiquiras e muitos outros produtos que antes não eram identificados pelo consumidor como genuinamente maranhense.

Para Simplício Araújo, secretário da Seinc, o selo 'Produzido no Maranhão' representa um marco na valorização dos produtos maranhenses e a ratificação do compromisso do governo com os empreendedores locais.

“O consumidor precisa conhecer o valor de ter um produto produzido aqui, que gera milhares de oportunidades de trabalho. É um trabalho contínuo e que quebra paradigmas. O Maranhão é um estado empreendedor. É um estado de oportunidades e o selo veio para ajudar, para valorizar o trabalho de todos aqueles que acreditam no potencial e no mercado maranhense”, afirmou Simplício Araújo.



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