O deputado Soliney Silva (PSDB) ocupou a tribuna na manhã de hoje (quinta-feira, 16) para fazer um relato comovente sobre o município de Coelho Neto, cuja economia está praticamente estagnada com os problemas de operação da fábrica de papel e celulose Ita
Nonato Reis
Repórter da Assecom
O deputado Soliney Silva (PSDB) ocupou a tribuna na manhã de hoje (quinta-feira, 16) para fazer um relato comovente sobre o município de Coelho Neto, cuja economia está praticamente estagnada com os problemas de operação da fábrica de papel e celulose Itapajé, pertencente ao grupo João Santos, um dos maiores do Nordeste. Ele destacou também o drama dos 950 trabalhadores demitidos pela empresa. “A situação é de calamidade pública. O comércio está fechando as portas, as pessoas estão com fome e sem energia elétrica em suas casas”, descreveu.
De acordo com Soliney Silva, o quadro de desalento começou a se desenhar em novembro do ano passado, quando a fábrica, sob alegação de que precisava passar por um processo de modernização com vistas a ganhar competitividade no mercado nacional, deu férias coletivas. Um mês depois, 400 funcionários tiveram seus contratos rescindidos. O restante — 550 trabalhadores — continuou de férias, mas em janeiro também engrossou a fila dos desempregados.
Soliney fez uma matemática simples para demonstrar que a situação é muito pior do que sugere a eventual leitura desses números. A fábrica movimentava uma enorme estrutura com empresas satélites na função de prestadoras de serviços, a exemplo de borracharias, transportadoras, oficinas mecânicas e mesmo lojas de departamentos que se instalaram na cidade atraídas pela demanda do parque industrial.
Com os problemas na empresa-pólo, houve uma espécie de efeito dominó na economia de Coelho Neto, determinando uma onda de demissões no município. “É uma verdadeira bola de neve e isso repercute sobre toda uma região onde vivem cerca de 100 mil pessoas”, alertou Soliney.
E o pior é que as demissões não foram indenizadas até o momento. Segundo Soliney, o passivo da empresa com os trabalhadores demitidos está ao redor de R$ 9 milhões. “Desde 1997 o FGTS dos empregados não era recolhido e o grupo nunca foi multado por isso ou fiscalizado”. Só de FGTS a dívida alcança cerca de R$ 7 milhões. Até novembro a fábrica produzia 5.400 toneladas de papel por mês.
Soliney Silva acha que os argumentos da empresa, de que estava perdendo mercado para os concorrentes, merecem uma análise rigorosa. Ele lembra que em 2005 foram produzidas quase 60 mil toneladas de papel e toda essa produção foi vendida. “Se havia dinheiro, não há justificativa para não recolher o FGTS dos trabalhadores”.
Soliney lembra que em dezembro do ano passado levou o drama de Coelho Neto ao conhecimento do governador José Reinaldo Tavares (PSB) e este determinou a ida ao município do secretário de Indústria e Comércio para tentar encontrar uma solução para o impasse. Na oportunidade o governo fez a proposta de reduzir em 75% a carga de ICMS cobrada à empresa, com a condição de não ser demitido nenhum funcionário. A oferta, porém, foi recusada sob o argumento de que não seria suficiente para garantir a modernização da fábrica.
O tucano fez um apelo para que todos os deputados da Assembléia abracem a causa de Coelho Neto e que os governos estadual e federal tentem encontrar uma solução. “Todo o território do município é destinado à plantação de bambu, cana-de-açúcar e eucaliptos. Não há como os trabalhadores recorrerem à agricultura para tentarem sobreviver, porque não existem mais terras disponíveis para o cultivo agrícola. A economia de Coelho Neto gira em função dessa fábrica”.
Em aparte, o deputado Antônio Bacelar (PDT) concordou que a situação do município “é muito grave”. “São quase 10 mil famílias que sobrevivem dos empregos diretos e indiretos dessa fábrica”. Segundo ele, o parque industrial de Itapajé é uma espécie de oxigênio para a economia da região. O deputado Carlos Alberto Milhomem (PFL) previu que, sem a fábrica, Coelho Neto vai enfrentar graves dificuldades. “Talvez tenham que enfrentar não apenas a miséria, mas uma verdadeira convulsão social. O assunto é mais sério do que se pensa”. A deputada Helena Heluy (PT) disse que a Delegacia Regional do Trabalho está atenta à questão. Ela informou que o delegado Bira do Pindaré se encontra em Coelho Neto, tentando encontrar uma solução eficiente (para a questão das indenizações), que evite recursos protelatórios.
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