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Tempo dos Blocos Antônio Pereira

10 de fevereiro de 2026

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Transcrição

O SENHOR DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA (sem revisão do orador) – Senhor Presidente em exercício, Deputado Davi Brandão, Deputado Arnaldo Melo, gostaria que V. Exa. aguardasse um pouquinho para que nós, rapidamente… eu falei aqui que usarei apenas cinco minutos. Caros colegas Deputados e Deputadas, em especial o nosso Deputado Rodrigo Lago, que acabou de usar a palavra. Eu vim aqui fazer uma defesa geral, generalizada, porque eu escutei algumas coisas muito fortes aqui. Vi o Catulé se pronunciar, e eu quero chamar a atenção para quando lembramos, por exemplo, da história do mundo, do Kennedy, e eu falo do John Kennedy, Presidente dos Estados Unidos, que tinha uma história familiar de força econômica construída pelo pai, da maneira como eles se construíram, mas tinha uma grande força econômica. Quando eu falo de uma pessoa de direita, bem à direita do Trump, por exemplo, atual Presidente dos Estados Unidos – estou citando exemplos lá de fora –, eu lembro que o Trump vem de uma família de pessoas que construíram um patrimônio muito grande e nem conheço, nem sei como construíram. Quando eu falo de Josué Alencar, filho do saudoso ex-Vice-Presidente da República Brasileira, eu falo de uma construção de riqueza feita pelo pai José Alencar. E aqui no Maranhão, o Deputado Nagib se encontra presente? Nós não podemos contestar, por exemplo, a construção de uma riqueza em cima do trabalho árduo do Francisco Nagib, pai do Dr. Nagib, nosso colega Deputado aqui. É um homem que, pelo que sei, acorda às quatro horas da manhã e não tem hora para dormir. Eu gosto de ver a origem das coisas. Para falar dos Brandão, nós temos que falar dos avós, que eram médicos, tanto pelo lado do pai quanto da mãe do Brandão, quanto o pai do Brandão, tem história de construção de trabalho enquanto médico, enquanto empresário lá, na região de Colinas, nas estradas de Colinas, que construíam alguma coisa durante muitos e muitos e muitos anos, décadas. Mais de mil séculos, ou até chegando a um século. E que deixaram terras, na época, improdutivas, de um valor muito pequeno, e se eu não me engano, 30, 40 mil hectares, eu não sei o quantitativo, mas que essas terras, hoje, passaram a valer muito pela questão da nutrição animal, da transformação vegetal em proteína animal. E essa construção, se a riqueza foi construída lá atrás, pelos avós, darei a Vossa Excelência, no determinado momento, a parte do Deputado Rodrigo Lago. Então, é uma origem de um patrimônio que é salutar e aí, quando o Deputado Rodrigo Lago, a quem eu respeito muito, que tem grande conhecimento e que estuda as questões tantas, vem aqui e faz as colocações que fez, eu preciso voltar, Deputado Yglésio, nas origens. A construção dessa riqueza não foi do dia para a noite. E que também, Nagib, Vossa Excelência, que é de uma família bem-sucedida, pelo trabalho, pelo esforço e pelo talento, pelo suor, assim como foi a família Brandão, também pela herança, quando se fala contra isso, nós falamos contra os maranhenses. Falamos contra todos, porque, diz o nosso Hino berço de heróis, heróis são aqueles que construíram, que defenderam o nosso Maranhão como eu considero que o pai do Brandão, que o avô do Brandão, que o pai da dona Heloisa foi, foram heróis que também não só defenderam o Maranhão como ajudaram a construir o Maranhão por nome dos nossos avós aí nós estamos falando contra os nossos avós, contra o nosso passado não é pecado construir patrimônio, porque, por meio da riqueza, você pode ajudar as pessoas, quando você sabe e diga-se passagem a família Brandão sabe dividir. Então, nós não podemos aqui achar e ai o que me chamou atenção, o que me fez vir Deputado Othelino a esta tribuna…

O SENHOR PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DEPUTADO DAVI BRANDÃO – Conceda mais o tempo que for necessário para o Deputado Antônio Pereira.

O SENHOR DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – O que me fez vir, Deputado Arnaldo Melo, a esta tribuna foi fazer uma comparação com o narcotráfico, pelo amor de Deus, está se construindo um patrimônio, eu tenho uma terrinha bem pequenininha ali, que comprei por quase nada e que hoje vale muito na região de Imperatriz, mas, especialmente, na região de Montes Altos, aí comparar com o narcotráfico, eu acho isso uma coisa muito séria e eu fico, Deputado, preocupado será que não estão aqui dentro de um determinado planejamento, criar situações que não existem para que se chegue a alguma coisa que não é salutar para uma quebra institucional, por exemplo? Então, nós precisamos ter cuidado com as palavras que falamos. Eu nunca ouvi falar que os brandões fossem ligados algum tipo de tráfico. Eu tenho absoluta certeza de que a sociedade brasileira e o povo do Maranhão defenderão-os nesse sentido…

O SENHOR DEPUTADO OTHELINO NETO – Deputado Antônio, quando puder, me conceda um aparte?

O SENHOR DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Darei. Quantos defenderão também em outros sentidos. Então eu vim aqui ressaltar que, se há, que eu não sei se há, porque eu não quantifico a vida de ninguém, mas, se há riqueza, e acho que há, até acho que há, construída e sendo construída, que ela teve origem, e eu acho que isso é que é importante. Eu quero dar um aparte aqui ao nosso querido Deputado Rodrigo Lago, que trouxe o assunto à tela, e depois ao Deputado Othelino Neto. Primeiro, com a palavra, o Deputado Rodrigo Lago.

O SENHOR DEPUTADO RODRIGO LAGO – Deputado Antônio, eu incorporo ao meu pronunciamento de ainda há pouco essa sua retificação. O seu Governador Carlos Brandão, ao que me conste, nunca esteve envolvido com tráfico de drogas, entorpecentes, nem uma substância proibida. Ele é apenas corrupto, mas isso não devia animar ninguém a subir à tribuna desta Casa para defender a corrupção. Vossa Excelência disse que ele herdou dos pais dele, no caso dos avós, esse patrimônio. Deputado, eu estou com escrituras públicas aqui, estou com o ato constitutivo das empresas do Grupo Brandão. São documentos públicos que estão na Junta Comercial, são documentos públicos que estão nos cartórios de registro de imóveis, tanto de Mirador como de Colinas. Eu vou repetir a Vossa Excelência, apenas esse caso e são vários, mas eu trouxe um. O senhor Jesus Itapary Brandão, e eu queria que Vossa Excelência me explicasse isso, adquiriu uma fazenda em maio de 2023, está aqui a escritura pública, por R$ 488 mil, em dezembro do mesmo ano. Eu acho que não deu tempo nem de sair uma safra, eu não entendo do agronegócio, mas, em dezembro do mesmo ano, ele levou essa mesma fazenda e retirou dos cofres públicos federais R$ 14 milhões, limpinho, Deputado Antônio Pereira, limpinho. O nome disso é lavagem de dinheiro e, como Vossa Excelência diz, tem que investigar a origem. E a origem é tudo o que eu digo todos os dias aqui na tribuna desta Casa, apresentando denúncias com provas, denúncias inclusive que muitas das vezes sequer são refutadas pelo governo. É o dinheiro público saindo do cofre do Estado, indo desembarcar nas empresas do grupo Brandão, é o que o povo de Colinas infelizmente diz que é feito na Prefeitura de Colinas, que era governada por uma ex-gerente do grupo Brandão e que hoje continua governada agora por um outro ex-funcionário do grupo Brandão. Então, acho que é contra isso que nós temos que nos revoltar. Hoje, recebemos aqui a classe produtiva do nosso Estado, a indústria do nosso Estado, que veio trazer um convite a esta Casa e que estão pagando a maior tributação do País, e isso não é convertido em benefício para população, exatamente porque isso vira fazendas do grupo Brandão. Então, aguardo de Vossa Excelência a explicação dessa mágica feita pelo senhor Jesus Itapary, e que depois, em um gesto de benevolência, ele doou esse empreendimento de sucesso dele ao seu tio Carlos Brandão. Então, é essa explicação que eu aguardo por algum membro do governo.

O SENHOR DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Agradeço o aparte de Vossa Excelência e incorporo o meu pronunciamento, e Vossa Excelência respeitou o tempo regimental do aparte, dois minutos. E eu concedo e peço também que o Deputado Othelino Neto respeite o tempo regimental do aparte, de 2 minutos. Com a palavra, o Deputado Othelino Neto.

O SENHOR DEPUTADO OTHELINO NETO (aparte) – Deputado Antônio, grato pela gentileza, serei bem objetivo. Primeiro, em nenhum momento, nós quisemos sugerir ou supor envolvimento do governador e de familiares no tráfico de drogas. Utilizei um exemplo de um mafioso, traficante de drogas mais famoso do mundo, falando da falta de limite que abreviou o fim da carreira dele. Eu jamais faria uma acusação dessa tão grave contra alguém, quanto mais ao senhor governador, sem ter elementos para tanto. O Governador Brandão não foi acusado por mim, pelo Deputado Rodrigo ou pelo Deputado Lula, ou, enfim, por qualquer outro Deputado de oposição, nem de longe, de estar envolvido em tráfico de droga. Nós acusamos o governador de cometer crime contra o erário, de corrupção, de peculato, de lavagem de dinheiro. São crimes diferentes. Então, muito grato por Vossa Excelência me conceder o aparte só para fazer esta retificação. Este crime que foi citado – lá com o Pablo Escobar – foi apenas uma referência. Os crimes de que nós acusamos o Brandão são muito claros. E eu, aliás, espero até hoje o processo que ele disse que ia entrar contra mim, contra o Deputado Rodrigo e contra o Deputado Lula. Eu quero o processo do governador, não aqueles que ele manda montar, aqueles processos fajutos que ele encomenda. Eu quero um dele. Estou esperando o governador “arregão”. Carlos Brandão, entre com o processo contra mim. Muito obrigado.

O SENHOR DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Eu começo respondendo ao Deputado Othelino para depois chegar ao Deputado Rodrigo Lago. Primeiro, Deputado Othelino, para encerrar esse assunto, eu não disse aqui que V. Exa. acusou, o que V. Exa. coloca é que deixa a sociedade… as pessoas não compreendem. Portanto, nós temos que ter cuidado com as palavras exatamente para não colocar ao vento ideias que não existem, coisas que não existem, acontecimentos que não existem. Dessa forma, quando V. Exa. faz esse tipo de comparação, é uma coisa muito ruim, inclusive para a Casa. Então, eu acho que nós temos que ter esse tipo de cuidado. Em relação ao nosso querido Deputado Rodrigo Lago, o que foi herdado, principalmente as terras, por essa família, que eu não sei o quantitativo, o Deputado Arnaldo é mais da região, conhece mais, mas acredito que foi uma grande quantidade, não são terras inférteis, não são frutos de uma mistura onde não tem a fertilidade. É natural que você herde, digamos, mil alqueires de terras, 500 alqueires de terras e que você, se for levada a coisa a sério, por meio do trabalho naquelas terras, possa aumentar o seu patrimônio no quantitativo de terras em outros locais. Isso é natural. Eu sou de uma família de empreendedores, eu sei o que é empreender. Eu sei o que é você realmente começar com 100 e chegar a 500. Assim, Deputado Rodrigo Lago, eu acredito que essa questão de você adquirir uma determinada coisa por algum valor e não sei essa questão pessoal, mas eu posso lhe falar que eu comprei uma determinada terra, alguns anos atrás, por um preço muito baixo, mas houve uma valorização muito grande na região. Não é culpa minha, mas já aconteceu. E essa valorização aconteceu e está acontecendo no Maranhão, em todo o MATOPIBA nós vimos uma transformação de valores por hectare de terra em uma coisa que eu nunca nem imaginei, até me assusta, porque, hoje, para você adquirir uma propriedade um pouco maior é muito difícil hoje, pelos valores que chegaram, se agigantaram os valores de terra no Estado do Maranhão, no estado do Piauí, no Estado da Bahia, no Estado do Tocantins, principalmente, é apenas para a gente colocar as coisas com mais cuidado, com mais atenção, porque esse é um ano que nós vamos escutar aqui de tudo, eu sei, mas também é preciso que haja respostas e eu achei, como o nosso líder do governo não está aqui presente, eu me achei no dever de vir aqui fazer essa defesa, respeitando a posição do Othelino, respeitando a posição do nosso querido Rodrigo Lago E também do próprio Catulé. Muito obrigado.

O SENHOR DEPUTADO ARNALDO MELO – Deputado Antônio, eu pedi o aparte a Vossa Excelência.

O SENHOR DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Desculpe, Deputado, concedo o aparte a vossa excelência, Deputado Arnaldo Melo, desculpe, nós temos tempo.

O SENHOR DEPUTADO ARNALDO MELO (aparte) – Acompanhando, Deputado Antônio, o raciocínio de Vossa Excelência, eu cumpro até a obrigação de como cidadão maranhense, residente naquela região, dizer que eu conheço o grupo Brandão há mais de 40 anos, e essa colocação de Vossa Excelência de que é um patrimônio familiar, quando vossa excelência fala de 50 anos é muito mais de 100 anos, aquela família, tanto a família Brandão como a Moreira Lima, que são todas a mesma família, vem remanescente de tantos outros homens e mulheres, que ajudaram a construir aquilo, sempre foram detentores de um grande patrimônio, principalmente na área fundiária, Trabalhadores incansáveis, eu gostaria de apenas fazer analise, Senhores Deputados, de que o Deputado Rodrigo Lago, com muita habilidade que tem, principalmente nas letras jurídicas, de certa forma, ele faz as acusações e, como Vossa Excelência disse, muitas pessoas confundem aquelas colocações, como hipotéticas, ou como comparativas com a realidade. E os nossos colegas, às vezes, colocam, por exemplo, de certa forma, dentro da riqueza que é o nosso vocabulário, a questão de mafiosos, traficantes ou qualquer coisa, e o nosso cidadão ou cidadã maranhense, que está lá mais distante, termina misturando as coisas. Porque, na realidade, a acusação maior que eu entendi que o Deputado Rodrigo Lago fez, como também o Deputado Othelino, foi a questão do peculato. A oportunidade que você tem de aproveitar oportunidades e vantagens para si ou para outros, quando se está em determinada função. Isso tudo é uma questão que a Justiça investiga e pode esclarecer. Agora, eu cumpro a obrigação de dizer que é um dos maiores patrimônios fundiários daquela região do Sertão maranhense é da família Brandão, que, inclusive, eu conheço o trabalho incansável e registrado pelos produtores rurais e produtor pecuarista das últimas décadas, é o doutor Zé Henrique Brandão. Homem da madrugada, como disse a Vossa Excelência, às quatro, cinco horas da manhã, ele está trabalhando e não tem a hora de dormir. Eu preciso fazer essa justificativa aqui, também sem nenhuma procuração para defender ninguém. Mas eu acho que, num momento como esse, que a gente está no ano eleitoral, a forma como se chama o cidadão de corrupto, ou qualquer coisa, nesse sentido, qualquer outro adjetivo, é preciso ser investigado para poder a Justiça dar essa palavra final. Muito obrigado pelo aparte.

O SENHOR DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Incorporo o vosso aparte ao nosso pronunciamento e encerro neste momento agradecendo a todos pela audiência.