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Tempo dos Blocos Dr. Yglésio

11 de fevereiro de 2026

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Transcrição

O SENHOR DEPUTADO DR. YGLÉSIO (sem revisão do orador) – Bom dia a todos. Então, hoje é importante falar do que está acontecendo no SAMU de São Luís, Deputado Júlio, porque é gravíssimo o que vem acontecendo. A gente não sobe aqui para fazer crítica vazia. Nós colhemos depoimentos de quem está no dia a dia do SAMU, fazendo o SAMU, uma instituição que faz o possível, que tenta salvar vidas, mas que muitas vezes falha. Mas não falha por falta de pessoal, não falha por falta de vontade de cada funcionário que está lá. Falta, muitas vezes, por uma ambulância. Eu várias vezes, e essa é uma rotina que eu tenho, não existe um acidente na rua em que eu não desça para prestar atendimento. Já cheguei a ficar, uma hora e vinte, esperando a ambulância do SAMU. E várias pessoas por aí vão poder dar este testemunho. Por quê? Porque é minha obrigação enquanto médico, é meu dever. Foi o juramento que eu fiz quando eu recebi o meu diploma. E assim o farei até o último dia que puder fazê-lo. Mas as coisas precisam ser enfrentadas, precisam ser ditas, precisam ser colocadas, não sob a perspectiva da perseguição política mera, vazia, e principalmente deve ser gerada completamente a afastabilidade do debate eleitoral. O que a gente traz aqui é falar de saúde, falar dos minutos preciosos que fazem diferença entre quem vive e quem morre; em quem fica com uma sequela e quem sai sem a sequela; em quem chega a tempo a um pronto-socorro para receber um tratamento para um infarto ou para um AVC e consegue fazê-lo. E hoje, o SAMU de São Luís, que deveria contar com 12 ambulâncias básicas, ele só tem no máximo seis rodando. Às vezes, fica com três ambulâncias rodando. E em relação às ambulâncias tipo USA, suporte avançado, essas ambulâncias são as mais importantes. Às vezes, temos duas, no máximo três. Problemas crônicos como caixa de câmbio, problemas de óleo, pneu, tudo isso foi relatado. Situações de inversãBo de lógica administrativa. A ambulância do SAMU, Bandeira, ir fazer o atendimento complexo com uma unidade básica, e o atendimento simples ser feito com uma unidade de suporte avançado, dada a falta de ambulâncias. Mas o mais grave é que a Secretária de Saúde está alcovitando uma omissão grave, uma maquiagem no sistema. Deputado Davi, o município tem 12 ambulâncias inscritas, mas, de fato, só rodam seis. Não se viu até hoje onde estão as 12 ambulâncias convencionais. Sabe o que a prefeitura faz? A Secretaria de Saúde, porque isso aqui é uma coisa dela. E eu espero que, se o Prefeito Eduardo Braide não saiba, que ele tome providências urgentes, porque isso é grave, chama-se maquiagem operacional da frota. Maquiagem operacional da frota. O que é isso? A ambulância tem um número, um número de rastreio no sistema do SAMU. A ambulância dita 9035, ela roda, Bráulio, 15 dias como referência 9035. E aí, por outros 15 dias, ela roda como 9041; 15 dias, 9035; 15 dias, 9041. A 9038 roda 15 dias como 9038; 15 dias, como 9040. A coisa é tão grave que aqui, hoje, nós temos uma ambulância que às vezes nem troca o adesivo, troca só a nomenclatura no sistema, às vezes troca o adesivo. Então, isso aqui é gravíssimo, porque estão inflando o SAMU, para fazer cobrança por ambulância, mas não estão entregando. Então, nós estamos diante de uma fraude. Então, eu faço o alerta ao prefeito: Prefeito, abra o olho. Secretária Ana Carolina Mitre, por favor. Eu encaminhei agora pela manhã a denúncia para o Ministério Público, mediante uma representação, importante demais isso. Além do mais, o que nós temos? Nós temos uma situação que é a Central Interna de Ambulância, a CIA, Deputado Júlio, Deputado Rodrigo, Deputado Carlos Lula. A CIA é uma central alugada pelo município, ela tem 22 ambulâncias para fazer transporte entre hospitais, tira o paciente ali da unidade do Itaqui Bacanga e leva para o Socorrão para fazer um exame. Tem 22, a CIA particular não tem problema com ambulância, porque recebe em dias. O SAMU, pelo contrário, ele tem os atrasos, tem as quebras, tem a má gestão. Então, hoje a diretora administrativa do SAMU, que é uma enfermeira, profissão muito nobre, que em muitos locais administra muito bem as unidades, porém, não é o caso, porque esta eles relatam, que se preocupa mais com jardim dentro do SAMU, do que, por exemplo, o profissional de saúde, médico, enfermeiro, técnico de enfermagem, tem uma cama, eles dormem em colchões, muitas vezes no chão, colchões fedorentos. Um médico recebe, em média, no SAMU, Deputado Ariston, R$ 1.200,00 líquidos por plantão, um dinheiro que já está há 10 anos a mesma coisa, mas pior é a condição dos profissionais de enfermagem, que por plantão extra, eles recebem a mísera cifra de R$ 187,50. O técnico de enfermagem, Wellington, chega a gritar com os seus R$ 100,00, Deputado Fernando, por plantão extra, R$ 100,00, o profissional ganha R$ 8,20 por hora de trabalho, R$ 8,00, $ 1,50. Então, uma situação absurda, mas olha, no Carnaval, Júlio, o plantão é diferente, o plantão do enfermeiro, que é R$ 187,50, só no Carnaval, porque é vitrine, vai para R$ 600,00. O do técnico de enfermagem, que é R$ 100,00, vai para R$ 300,00. Deputado Fernando, eu pergunto a Vossa Excelência, por favor, o senhor pode me ajudar a levar o prefeito Eduardo Braide a esta situação? Porque eu tenho certeza que, se ele sabe disso, ele está sendo conivente. Se ele não sabe, ele precisa ser alertado, porque enquanto o SAMU afunda, pacientes estão morrendo. O SAMU é vinculado à Secretaria Municipal de Saúde. A secretária Ana Carolina Mitre precisa cair para resolver os problemas, cair em campo, entrar em campo, de fato, porque, infelizmente, só fazer inauguração e reformas de pintura e de ambiência em Unidades Básicas, não resolve a situação da urgência. Quando uma ambulância não chega, não é estatística, gente, não é falha de administração, é alguém que morre, quando uma USA não chega, não é problema mecânico, Deputado Carlos Lula, é risco de óbito. Uma cidade do porte de São Luís, que não consegue organizar o Samu, o transporte de urgência dos seus pacientes, é uma cidade que falha com a vida, e de nada adianta a cidade bela, se as pessoas não estão vivas para nela admirarem as paisagens, para nela conseguirem resolver os seus desafios. Então, aqui eu peço o mínimo, coloquem a frota do Samu para funcionar, paguem dignamente os funcionários, coloquem camas com condições mínimas de higiene para aquelas pessoas que dedicam suas vidas em plantões puxados, a se submeterem a estresse. A Medicina é uma profissão que convive com 40% de médicos com depressão, é a profissão que tem maior índice de suicídio. Sábado, eu perdi um colega pelo qual tinha muito carinho, o Dr. Clayton, Deus o tenha, vitimado pelas consequências de uma grave depressão. Então, fica aqui o pedido, vamos parar de deixar pessoas morrerem, vamos parar de deixar pessoas morrerem, vamos parar de deixar profissionais de saúde tirarem suas vidas.