26 de fevereiro de 2026
Maranhão pode zerar fila de transplante de córnea em 2026, afirma diretora do Banco de Olhos no ‘Café com Notícias’
Roberta Farias explicou que isso será possível devido ao aumento no número de doações, o que está reduzindo, consequentemente, a fila de espera no estado
Agência Assembleia / Foto: Miguel Viegas
O Maranhão vive um avanço expressivo na área de transplantes de córnea e pode zerar a fila de espera já em 2026. Essa tendência foi anunciada pela diretora médica do Banco de Olhos do Hospital Universitário Presidente Dutra, Roberta Farias, durante entrevista ao programa Café com Notícias, da TV Assembleia, desta quinta-feira (26).
De acordo com a especialista, o aumento no número de doações nos últimos anos foi determinante para reduzir o tempo de espera, que antes chegava a anos e hoje, a meses. “Nos últimos quatro anos, principalmente nos últimos três, houve um aumento muito intenso na quantidade de doadores de córneas ao banco de olhos e, consequentemente, na quantidade de realização de transplante de córneas”, destacou. A meta agora é ambiciosa: “Nosso intuito é que, neste ano, se Deus quiser, nós iremos zerar essa fila de espera dentro do estado do Maranhão, como ocorreu no Ceará.”
Um dos fatores que contribuem para esse avanço é a própria característica da doação de córneas, que possui critérios menos restritivos do que a doação de órgãos sólidos.
“Enquanto o doador de órgãos tem que estar em morte encefálica, o doador de córneas não precisa só estar em morte encefálica. Eu posso captar tanto do doador de morte encefálica quanto do doador de parada cardiorrespiratória até 6 horas após a morte”, explicou. Segundo ela, a captação é realizada em diferentes locais, como SVO (Serviço de verificação de Óbito), IML e UTIs.
Apesar da estrutura organizada, a decisão final sobre a doação é sempre da família. Por isso, a médica reforça a importância do diálogo em vida. “É importante que a gente tenha essa conversa em casa, porque a pessoa que vai estar lá do outro lado vai se lembrar daquilo naquele momento e vai dizer que quer fazer a vontade dela”, afirmou.
Ela lembrou que uma única doação pode devolver a visão a duas pessoas e relatou casos de transformação social após o procedimento. “Eu cheguei a ter um paciente que que não conseguia mais estudar, então, fez o transplante de córnea e voltou a estudar. Esse mesmo paciente, hoje, é advogado formado”, contou.
Mito da mutilação
Outro ponto abordado foi o mito de que a doação provoca mutilação do corpo. A diretora médica esclarece que há recomposição estética antes do velório. “A gente recompõe, a gente reconstitui a órbita, o rosto do paciente antes do velório. Ninguém nem percebe que houve a doação”, explicou. Ela reforçou que podem doar pessoas entre 2 e 80 anos, inclusive aquelas que realizaram cirurgias oftalmológicas, como catarata ou correção a laser.
A médica chamou atenção, ainda, para o número significativo de casos de urgência no estado, especialmente entre trabalhadores rurais que sofrem acidentes por falta de equipamentos de proteção.
“Infelizmente, aqui no Maranhão, a gente tem uma quantidade muito grande de pessoas que vão para a fila de urgência, em geral, trabalhador rural, que veio do interior, que não utiliza óculos de proteção roçando e que aí contrai uma infecção grave”, finalizou.
Por ser um tecido avascular, a córnea apresenta baixo risco de rejeição. Antes do transplante, o banco de olhos realiza triagem rigorosa para descartar infecções e avaliar a qualidade do tecido.
Para a Dra. Roberta Farias, os resultados alcançados são fruto de um “trabalho de formiguinha”, baseado em informação e conscientização. A expectativa é que, com o engajamento das famílias, o Maranhão alcance um marco histórico na área da saúde pública nos próximos meses.
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