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Expediente Final Othelino Neto

26 de março de 2026

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Transcrição

O SENHOR DEPUTADO OTHELINO NETO (sem revisão do orador) – Senhor Presidente em exercício Deputado Jota Pinto. Ainda bem que consegui chegar a tempo ainda de usar a tribuna nesta última Sessão da semana, já com o Plenário esvaziado, mas falando aqui para os olhos atentos do Deputado Arnaldo Melo, venho hoje fazer referência a este lamentável episódio de uma tal CPI para apurar fatos que, em tese, incriminariam o vice-governador Felipe Camarão. Na sessão da terça-feira, nós chegamos aqui e estávamos praticamente só os Deputados de Oposição, e mais ali uns dois ou três Deputados de Governo. E achamos estranho o Plenário vazio, Deputado Yglésio, encontrei com o Deputado Nagib, até perguntei o que é que ele estava fazendo aqui, dentre os presentes, já que ele é deputado da base do governador, e ele me disse que não havia sido convocado para esta reunião. Ao final da reunião, Deputado Arnaldo, nós soubemos que o governador chamou deputados estaduais ao Palácio para determinar que assinassem na frente dele um requerimento de CPI contra o vice-governador. Teria mandado recolher os telefones e teria determinado que os deputados assinassem. E aí eu fico pensando nesta cena de o Governador do Estado se prestar a chamar deputados estaduais no Palácio, para constranger os deputados para só saírem de lá após colocarem suas assinaturas naquele papel. Cumprimento o ex-presidente desta Casa, o Deputado Manoel Ribeiro, que está aqui presente no plenário. Tenho certeza de que Vossa Excelência, quando o presidente desta Casa foi, não permitiria uma situação dessa nem iria lá também para assinar. Mas respeito a prerrogativa de cada um de assinar um pedido de CPI. É uma prerrogativa dos deputados, mas eu tenho certeza de que a grande maioria daqueles Deputados que assinaram aquele requerimento assinaram constrangidos. Porque boa parte dos colegas deputados aqui sabe que não faz o menor sentido assinar aquilo lá. Assinaram por ordem de um coronel que tenta se impor por uma caneta cuja tinta está acabando e que não respeita os deputados, que não paga as emendas dos deputados, que constrange, que se compromete e não cumpre, que age tal qual um coronel e que quem não faz as coisas do jeito que ele quer é punido, é ameaçado de perder um aliado, de tomar um prefeito, de tomar uma prefeita, de tomar um vereador. Aqui, Deputado Arnaldo Melo, V. Exa., que foi meu presidente nesta Casa e já viveu muitos embates, aqui os deputados governistas estão sendo submetidos a ter que cumprir ordem da cunhada do Governador, a senhora Audreia Noleto manda, dá ordem aqui. Liga e diz: Olha é para fazer assim, não é para ir, não é para cumprimentar e não é para sorrir com o deputado fulano de tal, porque ele faz oposição. Olha o que estão fazendo com essa Casa, Senhoras e Senhores. O Deputado Yglésio falou há pouco, nesse discurso permanente dele aí de tentar enxovalhar e esculhambar ministro do Supremo Tribunal Federal. Deputado Yglésio, se houvesse qualquer perseguição ao Governador Brandão, ele já não estaria mais no comando do Governo, porque ele já deu razões de sobra para ser interpelado pelo Poder Judiciário e pelos órgãos de controle. O Governador Carlos Brandão permitiu que uma quadrilha passasse a governar esse Estado. E Vossa Excelência, homem inteligente que é bem-informado, sabe disso. Se os órgãos de controle funcionarem bem, se as instituições funcionarem bem, é óbvio que o Governador haverá de ser punido, pode até não ser agora na cadeira, mas vai chegar, porque não tarda. Todo mundo que está aqui sabe o que eles estão fazendo. Todo mundo conhece o caso Vigas, o assassinato, o homicídio famoso do Tech Office. Nós nem ficamos trazendo esse assunto para cá. Deputado Yglésio, quem se meteu na confusão foram eles. O que era uma propina, que por uma ironia do destino estava lá sentado o sobrinho do Governador, que hoje é Presidente do Tribunal de Contas, eles se meteram naquela porcaria ao, provavelmente, terem tentado obstruir a justiça. É um assunto que até constrange, que não é um assunto que era para ser da política; era para ser um homicídio, cujo homicida está preso já cumprindo pena. Mas, o Senhor Governador resolveu se meter no assunto. Senhores Deputados, o Governador do Tocantins passou seis meses afastado e, na linguagem popular, colegas jornalistas que estão agora aqui no Comitê de Imprensa, pode-se dizer que, se ele fosse chamado de “ladrão”, em comparação com o que acontece no Maranhão, ele seria um “ladrão de galinha”. Aqui, o Governador Brandão e a quadrilha que governa este Estado rasgaram todas as leis; eles agem como se não houvesse legislação eleitoral, como se não houvesse lei para aplicação dos recursos públicos, como se não houvesse órgãos de controle. Eu me lembro de um vídeo do Governador dizendo que ele pacificou o Maranhão, que as instituições estão todas com ele. Como assim, Senhor Governador, que instituições estão com o senhor? O Tribunal de Contas, que é presidido pelo seu sobrinho? Lá tem servidores de bem que não estão dispostos a se sujeitar à roubalheira que o Senhor instalou no Maranhão. O Ministério Público? Instituição responsável, que defende os interesses da sociedade. Como assim está com o senhor, Governador? O Poder Judiciário? Não, também não está. Está todo mundo espantado, estupefato com o que o Senhor está fazendo aqui neste Estado. Governador Brandão, o senhor é famoso no Brasil com o que o Senhor está fazendo no Maranhão. Todo mundo se espanta com o que o Senhor está fazendo neste Estado, mas está acabando. Eu não estou ameaçando, Deputado Yglésio. Sabe por que está acabando? Porque nem é mais 31 de dezembro que o termina o mandato, acho que agora é 4 de janeiro. Se as instituições não funcionarem, dia 4 de janeiro acaba, porque ainda não existe perpetuação no poder. Ele vai tentar se perpetuar a partir do sobrinho. E no mais, nem o medo das urnas. A colaboração que nós demos para, infelizmente, eleger Carlos Brandão, nós estamos dando para que ele não eleja o sobrinho para continuar o assalto aos cofres públicos do Maranhão. Governador Brandão, só para lhe dizer: o senhor agora está querendo usar o “tapetão” para tirar o Vice-Governador do seu caminho ‒ um homem de bem que não se rendeu aos seus mandos. Governador, nós não temos nenhum medo do Senhor. Aliás, estou esperando o processo que o Senhor ia mover contra mim quando nós dissemos que o Senhor foi passear, às custas de recursos públicos, lá em Paris, comemorando o seu aniversário. Não seja “arregão”! Monte o processo, protocole o processo contra mim, contra o Deputado Lula, contra o Deputado Rodrigo. Governador, não tenho medo de coronel. Os leões sob seu comando não conseguem mais rugir, a não ser contra o povo do Maranhão; e está acabando a sua farra. Muito obrigado.