31 de março de 2026

Sustentabilidade na Prática debate pesquisa sobre manguezais

Entrevistado foi o professor Denilson da Silva Bezerra, do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão

Sustentabilidade na Prática debate pesquisa sobre manguezais

Tema foi discutido com o professor Denilson da Silva Bezerra, do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão

Agência Assembleia

O programa “Sustentabilidade na Prática”, da Rádio Assembleia (96,7 FM), abordou, nesta terça-feira (31), a importância das pesquisas sobre manguezais para a mitigação e conservação ambiental. O tema foi discutido com o professor Denilson da Silva Bezerra, do Departamento de Oceanografia e Limnologia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em entrevista à apresentadora Maria Regina Teles.

Durante a conversa, o pesquisador detalhou os principais resultados do estudo “Manguezais do Brasil: armazenamento natural do carbono”, publicado na revista científica Science, uma das mais prestigiadas do mundo.

A pesquisa, aprovada em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (FAPEMA), destaca o papel dos manguezais como importantes aliados no enfrentamento das mudanças climáticas.

Denilson Bezerra revelou que o Maranhão concentra a maior área de manguezais do País. E que o Brasil tem a segunda maior área de manguezais do mundo, perdendo somente para a Indonésia.

“Esses dados foram recentemente atualizados pelo governo brasileiro por intermédio de estudos do Ministério do Meio Ambiente.  É um dado oficial que revela que o Brasil é detentor de uma área em torno de 12 mil Km² de manguezais. E o Maranhão possuí 40% de toda essa área, em torno de 5 mil Km² de manguezais”, frisou.

Impactos

Segundo Denilson Bezerra, os manguezais possuem elevada capacidade de sequestrar dióxido de carbono (CO₂), tanto na biomassa da vegetação quanto no solo.

“A literatura científica indica que áreas de manguezais podem sequestrar até dez vezes mais carbono por hectare do que formações florestais de terra firme, como a Amazônia”, explicou.

Segundo o professor, o maior risco para os manguezais é a expansão urbana. Ele destacou também que o país abriga a maior área contínua desse ecossistema, localizada entre a zona costeira do Maranhão e do Pará.

Inclusão dos manguezais nas políticas públicas

A pesquisa chama a atenção para a necessidade de inclusão dos manguezais nas políticas públicas ambientais, especialmente em estratégias de mitigação das mudanças climáticas, como o programa de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal (REDD+).

De acordo com o estudo, o reconhecimento do potencial dos manguezais pode colocar o Brasil em posição de destaque internacional no combate ao aquecimento global.

Outro ponto defendido é a criação de um programa oficial de monitoramento contínuo das áreas de manguezais, a fim de acompanhar possíveis alterações e garantir sua preservação.

Monitoramento

Denilson Bezerra disse que o trabalho que propõe junto à Fapema é o de desenvolver um programa de monitoramento específico para os manguezais.

“Propomos fazer não somente um raio x de um ano, mas tentar desenvolver um programa contínuo de monitoramento dos manguezais, focando em variação de área e tentando coletar dados de carbono. Isto vai nos permitir entender como é a dinâmica dos manguezais e quais são os riscos associados à estrutura do manguezal e sua capacidade de sequestrar carbono.”, esclareceu.

O trabalho contou com a colaboração de diversas instituições, incluindo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), além de pesquisadores da UFMA e da Universidade Estadual do Maranhão (Uema).

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