10 de abril de 2026

Reflexões sobre o Transtorno do Espectro Autista são destaque no ‘Café com Notícias’

O presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas Autistas da OAB-MA, Wellington Beckman, falou sobre incidência, desafios enfrentados pelas famílias, falta de preparo de escolas e alertou para a importância do diagnóstico precoce

Reflexões sobre o Transtorno do Espectro Autista são destaque no ‘Café com Notícias’

A jornalista Elda Borges recebeu Wellington Beckman no Café desta sexta-feira

Agência Assembleia / Foto: J.R. Lisboa

Durante entrevista ao programa Café com Notícias, da TV Assembleia Maranhão, nesta sexta-feira (10), o presidente da Comissão dos Direitos das Pessoas Autistas da OAB-MA, Wellington Beckman, trouxe à tona dados preocupantes e reflexões profundas sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), reforçando a necessidade de conscientização permanente para além do chamado Abril Azul.

Logo no início da conversa, o especialista destacou a subnotificação dos casos no Brasil. Embora dados oficiais do IBGE apontem a existência de cerca de 2 milhões de pessoas autistas no Brasil, Beckman afirma que esse número pode chegar a aproximadamente 6 milhões, considerando limitações metodológicas das pesquisas. Para ele, compreender a real dimensão do autismo no país é essencial para a formulação de políticas públicas eficazes.

Um dos pontos centrais abordados foi a importância do diagnóstico precoce. Segundo o presidente da comissão, sinais podem surgir ainda nos primeiros meses de vida, como a ausência de contato visual durante a amamentação. A identificação antecipada permite intervenções que reduzem prejuízos no desenvolvimento. 

Em contrapartida, a falta de diagnóstico pode gerar impactos severos ao longo da vida. Beckman citou estudos que indicam que até 72% das pessoas autistas com nível 1 de suporte podem desenvolver tendências suicidas, muitas vezes associadas ao preconceito e à dificuldade de pertencimento social.

Desafios

A entrevista também evidenciou os desafios enfrentados pelas famílias. Por se tratar de uma condição muitas vezes invisível, crises sensoriais são frequentemente interpretadas de forma equivocada como má educação ou “birra”.

 Esse cenário contribui para o capacitismo e para situações constrangedoras em espaços públicos. Outro dado alarmante apresentado foi o abandono paterno: cerca de 78% dos pais deixam o núcleo familiar após o diagnóstico de autismo dos filhos, sobrecarregando emocional e financeiramente as mães.

Como forma de enfrentamento à desinformação, a comissão da OAB-MA promove o seminário “Descomplicando o Autismo”, voltado especialmente para mães atípicas. O evento reúne profissionais que também são autistas, entre médicos, professores e policiais, mostrando, na prática, que há perspectivas de autonomia e realização. Além disso, são apresentadas estratégias acessíveis para o dia a dia, como a criação de espaços sensoriais em casa e o uso de materiais recicláveis no processo de alfabetização.

Educação

No campo educacional, Beckman foi enfático ao criticar a falta de preparo das escolas brasileiras. Segundo ele, tanto instituições públicas quanto privadas ainda não estão aptas a lidar com as demandas do TEA. Professores enfrentam sobrecarga e carecem de formação específica, enquanto o ambiente escolar, muitas vezes, não oferece condições adequadas, como controle acústico ou suporte para lidar com questões sensoriais e comportamentais.

Apesar de o Brasil possuir um arcabouço jurídico robusto, incluindo legislações como a Lei Berenice Piana, o problema está na execução. Beckman comparou o país a nações europeias como França e Alemanha, ressaltando que, embora o Brasil tenha mais leis, apresenta menor efetividade na aplicação das políticas públicas.

Ao final da entrevista, o presidente da comissão reforçou que a conscientização sobre o autismo não deve se restringir ao mês de abril. Para ele, o debate precisa ser contínuo, visando construir uma sociedade mais informada, empática e preparada para acolher as diferenças.

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