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Pequeno Expediente Carlos Lula
10 de março de 2026
Transcrição
O SENHOR DEPUTADO CARLOS LULA (sem revisão do orador) – Senhores Deputados, Senhoras Deputadas. E eu quero, aqui poder, Senhor Presidente, fazer uma fala dirigida à sociedade maranhense, mas, sobretudo, à classe política do Estado do Maranhão. Porque, veja, Deputado Júlio, a gente terminou de celebrar, no dia 8, o Dia Internacional da Mulher. Dia, Deputado Wellington, em que a gente teve discursos, homenagens, vídeos, inclusive na sessão de hoje. De maneira muito correta, a Assembleia faz questão de homenagear as mulheres Deputadas com flores. Só que quero dizer, Senhores Deputados, Senhoras Deputadas, que o discurso do Dia Internacional da Mulher não pode ser apenas e simplesmente simbólico. Ele tem de ser afetivo, ele tem de ser real, ele tem de ser transformado em políticas públicas. E eu digo isso, porque, de fato, fiquei muito preocupado com a notícia que veio a público nos últimos dias, que foi a denúncia de uma delegada da Polícia Civil, senhora Viviane Fonteles, que teria sido assediada numa reunião que aconteceu no gabinete da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Maranhão. Segundo a delegada, ela teria sido chamada de “delegata” pelo Secretário. Seria ela a única mulher presente na reunião, e o Secretário teria insistido por diversas vezes para que ela enviasse uma foto dela para que ficasse estampada ali no gabinete da Secretaria de Segurança Pública. Veja, não sei se o fato aconteceu dessa forma ou não, mas o que não é possível é que, logo após o Dia Internacional da Mulher, o gabinete do ódio do Governo do Estado do Maranhão, controlado pela Secretaria de Comunicação, use do seu poderio na mídia para ofender a delegada, que fez a denúncia. Ora, qual é a consequência desse fato? A consequência tem que ser uma só: apurar para saber, de fato, o que aconteceu naquela reunião. Porque, se aconteceu o fato da forma que a delegada está narrando, eu acredito que a gente deva ter consequências em relação ao Secretário de Segurança Pública, porque não dá mais para se aceitar esse tipo de conduta de um agente público. Não dá. E aí, por incrível que pareça, o que a gente tem no dia de hoje, pela manhã, é uma nota em veículos de comunicação, muito provavelmente feita pelo gabinete do ódio, que todos sabem que existe, feita pela ASCOM do Palácio dos Leões, nos porões do Palácio dos Leões, Deputado Rodrigo Lago, para ofender a honra da delegada. Dizer que ela está inventando esses fatos, porque teria tido seus interesses contrariados, porque ela é da ADEPOL e não teria ficado à disposição da Associação de Delegados. Veja só, não é possível que a gente admita uma conduta como essa em pleno ano de 2026. É absurdo, é ofensivo, é um tapa na cara de todas as mulheres do Maranhão, porque, em vez de se apurar o fato para saber se ele aconteceu ou não, a conduta do Estado do Maranhão é ofender ainda mais quem está denunciando. Não é possível, meus amigos, não é possível esse tipo de conduta. Então, eu peço ao Governo do Estado do Maranhão, peço à Secretaria de Segurança Pública, peço à Secretaria da Mulher, peço inclusive à Bancada Feminina que possa atuar nesse caso…
O SENHOR PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Peço que libere o áudio do orador para que ele possa concluir o pronunciamento. Deputado Lula, à vontade.
O SENHOR DEPUTADO CARLOS LULA – Agradeço, Presidente. Não dá é para, em pleno ano de 2026, uma mulher que relata um caso de assédio ter sua palavra simplesmente descredibilizada. É necessário apurar os fatos. E, se aconteceram dessa forma, eu acredito que deva haver consequências contra o Secretário de Segurança Pública do Estado do Maranhão, porque, afinal de contas, ele é o chefe dos órgãos que deveriam o quê? Proteger as mulheres e não as violentar. Obrigado, Sr. Presidente.