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Tempo dos Blocos Dr. Yglésio
17 de março de 2026
Transcrição
O SENHOR DEPUTADO DR. YGLÉSIO (sem revisão do orador) – Bom dia a todos! Hoje é uma data importante, eu peço, se possível, uma atenção para o caso, porque saiu aqui, hoje, inclusive 06h23, saiu ontem, na verdade, à tarde, às 18h, aqui no Comitê de Proteção aos Jornalistas. Jornalista que foi alvo da PF fala sobre o caso. O título da matéria internacional é este aqui: CPJ urges Brazilian authorities to return equipment seized in Maranhão. Está inclusive o Luís Pablo. Eu acho que não teve nenhum colega que se levantou para falar sobre isso, porque confundiu. Presidente, estamos no shopping center, não é? Está a praça de alimentação de shopping.
O SENHOR PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Temos orador na tribuna, peço silêncio aos senhores colegas Deputados, Deputadas. Atenção ao Senhor Deputado que estão na tribuna, Deputado Dr. Yglésio.
O SENHOR DEPUTADO DR. YGLÉSIO – Obrigado, Presidente. É verdade. Então, a comunidade internacional já entendeu que…
O SENHOR PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – O Deputado Yglésio, pois não. Deputado, eu peço, outra vez, aqui atenção ao colega que está na tribuna, que está incomodado, ele quer expressar opinião e quer que os colegas escutem.
O SENHOR DEPUTADO DR. YGLÉSIO – Não, nem precisa. Presidente, nem precisa.
O SENHOR PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DEPUTADO ANTÔNIO PEREIRA – Apesar que este Parlamento é um Parlamento livre. Com a palavra, Deputado Dr. Yglésio.
O SENHOR DEPUTADO DR. YGLÉSIO – É porque realmente está parecendo uma feira aqui, a Assembleia, de uns tempos para cá, está estranho, infelizmente. Então, nós estamos aqui perante assuntos muito sérios, mas o pessoal, às vezes, pensa que não é, até o ponto que chega e chega na sua cidade, chega num município em que tem base eleitoral, aí depois está achando que é perseguido. Então, nós tivemos, na semana passada, um jornalista que foi alvo de uma operação da Polícia Federal, o primeiro caso de operação particular em que um ministro inventa um crime que não existiu, para o outro ministro, que é compadre de casamento, para que esse ministro dê uma medida de busca e apreensão do equipamento de trabalho. Para quê? Para descobrir a fonte do jornalista. O que eu vi, de ontem para hoje, foram algumas matérias bem graves, que ao que parece estão sendo investigadas pelo jornalista, e parece que é esta a motivação, de dinheiro em mochilas, entrando em residências públicas. Será que é este o desespero de movimentações atípicas em contas particulares. E aí eu vejo o seu Márcio Jerry, que é jornalista, em vez de entender o ataque à profissão, mas, para defender o amor da vida dele, passou a semana toda atacando a honra do jornalista, dizendo que é marcado por extorsão e coisas da pior sorte de acusação. Então, Luís Pablo, eu lamento por conta de a política, de fato, estar silenciando para este momento grave. Eu espero que, de fato, ninguém nunca seja vítima de uma arbitrariedade como essa, porque, daqui a pouco, estão na tribuna pegando os Deputados. Quando trouxer uma coisa aqui grave, está chegando Polícia Federal à Casa para tentar descobrir de onde saiu a história. É grave o que está acontecendo. Organismos internacionais estão se levantando, e o Maranhão está em silêncio praticamente. Continue, Pablo, continue as suas investigações, porque o jornalismo investigativo precisa continuar. E aí o Flávio Dino pegou a maior surra da vida dele na imprensa, a maior taca, ele foi de queridinho a párea, ele que tenta fazer o populismo judiciário para se viabilizar a presidente, como disse muito bem o Deputado Federal Hildo Rocha em Brasília, ele trata de emendas, mas não investiga quando a denúncia é contra os amigos dele, aqui em São José de Ribamar. Ele tenta legislar contra penduricalhos, mas anda de SW4 e a esposa está no gabinete parlamentar sem trabalhar, morando em São Luís. Ele trouxe esta semana a situação da compulsória, fazendo um contorcionismo, enganando a imprensa, dizendo que tinha acabado com a aposentadoria compulsória dos juízes quando tratou de um caso, mas não estendeu, Deputado Fernando Braide, esse privilégio para os Ministros do Supremo. O Ministro do Supremo continua tendo o direito ao benefício da compulsória, vai continuar recebendo, eles não são atingidos, até porque eles se acham inatingíveis. Tem um criminoso chamado Alexandre de Moraes, e é criminoso, continua julgando velhinhas pelo 8 de janeiro. Condenaram esta semana três homens – um porque doou R$ 500 para pagar o ônibus que levou pessoas para lá; o outro pagou R$ 1 mil – a 14 anos de prisão, e aí esses bandidos estão soltos lá no Supremo. Só uma nova ordem constitucional para dar jeito nisso, porque o STF não se submete nem ao controle pelo CNJ, eles decidiram em benefício próprio. Os comunistas são assim: eles chegam aqui defendendo a delegada agora, e eu acho válido, mas nunca teve um comunista para defender quando a Maura Jorge foi humilhada, proibida de falar no palanque em Lago da Pedra, Deputada Fabiana. Nunca teve um comunista aqui defendendo a Deputada Mical quando foi chamada dos piores adjetivos possíveis no WhatsApp, em uma conversa de um aliado aqui na Casa. Falam de perseguição de delegados, mas se esquecem de Bardal, de Ney Anderson, que foram perseguidos por Jefferson Portela. Nenhum se solidarizou. Eles falam de campanha, mas são os mesmos que faziam reuniões lotadas no Costa Rodrigues, em período de Covid, sem máscara, mobilizando funcionários da mesma forma ou até pior, porque era com medo, era com constrangimento, era com ameaça. Então, acuse sempre daquilo que você é. Compare o que eles fazem sempre com aquilo que você já faz e aí se tem, tranquilamente, o mote comunista. Existe um grande sistema de articulação, infelizmente, hoje no Estado do Maranhão. Um sistema que deixa, há dois anos, o Estado sem conselheiro do TCE, um sistema que protege réus confessos e que matam depois de matarem um e que são tratados como vítimas. Existe desconstituição de decisões de Ministros do Superior Tribunal de Justiça, inquéritos secretos, inquéritos de fim de mundo, desembargador processando deputados por palavras. Existe essa bagunça hoje. Antônio Pereira, os deputados estão sob ataque hoje. Os senadores estão sob ataque. O Roberto Rocha teve uma ação arquivada, que desarquivaram e vai ser votada na semana que vem, para condenar o Roberto Rocha por palavras que ele disse na tribuna, por críticas de tribuna. A Constituição hoje virou um item decorativo para esse pessoal do Supremo Tribunal Federal. Tem alguma crítica daqui? Não. Eles acham é bom. Eles têm prazer de todo dia dizer: “O Governador vai cair. O Governador vai cair, vai sair. Te prepara. Não demora muito nós estamos assumindo.” É isso aqui o dia a dia. E vai ser assim até o dia da eleição. Tudo que estão criticando, todas as centenas de ações que, provavelmente, irão entrar durante a eleição e após ela é tudo aquilo que eles sempre fizeram. Porque o Flávio Dino dizia assim: “Arrumem o dinheiro, gente, para fazer a campanha.” E o Hildo foi muito precioso quando ele disse que o desespero do Flávio com o Maranhão é porque ele quer ser candidato em 2030 e ele precisa de uma máquina para bancar o Globo, a Folha de São Paulo, a Carta Capital, o Metrópolis, todos esses veículos que ele necessita para fazer essa blindagem de imagem que ele tanto deseja. Então, lamentavelmente, hoje eles atacam um jornalista, amanhã eles atacam outro. Aí, eles atacam um veículo maior. Eles estão cerceando a liberdade de um veículo de imprensa e, aí, a população vai ficando com medo de falar, porque se a imprensa está sendo calada, imagina o cidadão comum no momento de dar a sua opinião. É uma coisa muito séria. E eu não poderia deixar aqui de falar também, Presidente, ontem nós tivemos, para V. Exa. ver como é, nós tivemos uma audiência da Federação Maranhense de Futebol, da intervenção. O Ministro Flávio Dino tinha dado uma decisão, porque até em futebol ele se mete, para cair até o dia 30, uma decisão aqui de uma audiência de conciliação. Eu fui para a audiência munido da máxima boa vontade. Cheguei às 9 horas, a audiência começou às 9h20. Até 10h30, o Juiz Douglas, que estava presidindo a audiência, fazendo o preâmbulo. Até 14h15, essa audiência, que 60% do tempo ou 70%, foram ocupados, esse tempo todo foi ocupado pela fala do juiz. Sem coisa nenhuma, Bráulio, quando deu 14h15, que eu tive que operar em um hospital, que já estava finalizando, a audiência que estava para ser até o dia 31 de março, que o Ex-Governador e agora Ministro do Supremo disse que era até 31 de março, o Douglas conseguiu botar para 26 de maio, daqui a mais de dois meses. Então, 26 de maio, não vai ter consenso na audiência, ele vai subir para o Flávio Dino, a intervenção vai continuar. Se tiver alguma decisão, vai precisar de dois a três meses para fazer a eleição. Então, nessa brincadeira, ele vai conseguir garantir mais de um ano para a pessoa indicada por ele para a Federação Maranhense de Futebol. Não sei se para tentar beneficiar eventualmente numa eleição, não sei se para fazer o sucessor que eles desejam, que eu já soube que tem gente do PCdoB esperando, só amolando a faca. Eu sei que, infelizmente, esse pessoal no Judiciário, eles conseguiram praticamente em todas as entranhas eles estarem lá, colocados de alguma maneira para que os interesses sejam alimentados. Eu fico perguntando: Até quando o Maranhão não vai entender isso? Às vezes, muita gente me pergunta assim: Rapaz, como é que tu és de Direita e estás aqui com o Governador Brandão? Porque ele no meu Estado… porque eu estou prevendo o futuro. Lula já é passado. Lula vai perder, Pereira, a eleição em outubro e vai ser removido da história. Vai ficar Flávio Dino querendo ser Presidente da República. Então, a grande coisa é eliminar a força de Flávio Dino agora, porque ele não era para estar fazendo política. O errado não sou eu por combater, o errado é ele por se posicionar e usar o STF de maneira descarada para se proteger e para aparecer, para tentar criar uma imagem de combatente de privilégios, de reformador da ordem nacional. E não é. É só ver o que foi o Maranhão, operações da Polícia Federal na saúde, denúncias na Secretaria de Segurança Pública, um legado educacional que não avançou praticamente nada. O retrato da propaganda institucional, como os grandes líderes, Stalin, Mussolini, Hitler, sempre fazendo propaganda com alto elogio. Infelizmente, nós não podemos deixar esse modelo retornar, porque por problemas que o governo, eventualmente, tenha, nem se compara ao que nós tínhamos há cinco anos: perseguição em plenário, ameaças aqui de líder de governo. Eu não vejo aqui ninguém sendo ameaçado no plenário. Eu vejo um tratamento muito respeitoso com quem faz oposição. Diga-se passagem, legítima, legítimo direito de fazer oposição. Agora, a metodologia que é espúria, é seletiva, é persecutória, ela não é racional, infelizmente. Por quê? Porque o sistema do qual vieram era muito pior. A imprensa nacional finalmente acordou para o que está acontecendo no Brasil. Precisou de um jornalista aqui, do aquário da Assembleia, para mostrar para o mundo o modelo de perseguição, Luís Pablo, que nós vivemos hoje aqui no país. E, finalmente, a perseguição contra um pequeno se transformou na revolta dos grandes, porque já conseguiram antever o que vai acontecer no nosso Brasil, nos próximos anos, se não houver um freio no Supremo Tribunal Federal. Muito obrigado.