11 de fevereiro de 2026

Psicólogo alerta, no ‘Café com Notícias’, para impactos emocionais em crianças causados pelos crimes virtuais

Paulo Guilherme Rodrigues destacou a vulnerabilidade do público infantojuvenil no ambiente virtual, a importância da vigilância e acompanhamento dos pais aos filhos bem como os sinais apresentados em casos de abusos

Psicólogo alerta, no ‘Café com Notícias’, para impactos emocionais em crianças causados pelos crimes virtuais

Elda Borges entrevistou o psicólogo Paulo Guilherme Siqueira Rodrigues no Café desta quarta-feira

Agência Assembleia / Foto: J.R Lisboa

O avanço dos crimes cometidos no ambiente digital contra crianças e adolescentes acende um alerta para famílias, educadores e autoridades. Dados recentes apontam que 60% das ocorrências registradas na internet estão relacionadas ao abuso e à exploração sexual de menores. Em 2024 e 2025, os casos tiveram aumento de quase 19%.

O tema foi discutido no programa Café com Notícias, da TV Assembleia Maranhão, nesta quarta-feira (11), em entrevista do psicólogo Paulo Guilherme Siqueira Rodrigues, que analisou as consequências psicológicas desses crimes e destacou a vulnerabilidade do público infantojuvenil no ambiente virtual.

Segundo o especialista, a violência digital provoca danos profundos e duradouros no desenvolvimento emocional das vítimas.  “Esses crimes interrompem a infância. Eles moldam adultos sem estrutura psíquica para lidar com relações profundas e seguras”, afirmou.

Maturidade cognitiva

Paulo Guilherme explicou que, por volta dos 10 anos, a criança já começa a ter alguma noção do mundo virtual, mas ainda não possui maturidade cognitiva suficiente para distinguir com clareza o que é real do que é manipulação on-line.

“Perceber o que é real exige funções mentais superiores que ainda não estão plenamente desenvolvidas nessa fase. O limite entre o real e o virtual é muito tênue”, pontuou.

O psicólogo também chamou atenção para o monitoramento constante a que todos estão submetidos na internet. Ele revelou, inclusive, já ter sido vítima de um crime virtual grave. “Ninguém está imune. Mesmo com aparelhos desligados, há rastreamento direcionado aos nossos interesses”, alertou.

Entre as plataformas consideradas mais sensíveis ao aliciamento de menores, ele citou redes sociais e jogos digitais populares entre adolescentes, como TikTok e Roblox. Durante a entrevista, relatou o caso de uma menina de 13 anos que foi seduzida por um homem de 20 anos por meio do TikTok e chegou a fugir de casa durante a madrugada.

“Essas plataformas são pensadas por equipes de psicólogos e antropólogos para serem extremamente atraentes e viciantes. Isso aumenta a exposição das crianças”, alertou.

Consequências emocionais

As consequências emocionais, segundo o especialista, podem ser graves e permanentes. Entre os principais riscos estão ideação suicida, sentimento de culpa, vergonha, isolamento social e práticas de autoflagelação, como o chamado “cutting”, frequentemente observado em meninas vítimas de abuso.

“O risco mais pesado é o suicídio, porque muitas vezes a vítima se sente responsável pelo que aconteceu”, destacou.

Ele orienta que familiares fiquem atentos a sinais de alerta, como queda no rendimento escolar, apatia, insônia, falta de apetite e isolamento repentino.

O distanciamento entre pais e filhos também foi apontado como fator que amplia a vulnerabilidade. Para Paulo Guilherme, conflitos familiares e falta de diálogo empurram jovens para a busca de acolhimento no ambiente digital, onde podem se tornar alvos fáceis de predadores.

“O celular é uma máquina muito potente. Dar um aparelho a uma criança sem supervisão é um erro. Elas aprendem a mexer rápido, mas não têm maturidade emocional para lidar com os riscos”, afirmou.

Inteligência artificial

O psicólogo manifestou preocupação com o avanço da inteligência artificial e a dificuldade crescente de diferenciar interações humanas de robôs, o que pode ampliar golpes e manipulações.

Ao final da entrevista, ele reforçou a importância do acolhimento às vítimas, sem julgamentos. “A criança precisa se sentir segura para falar. O julgamento só silencia e prolonga o sofrimento”, afirmou.

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