Agência Assembleia / Foto: Miguel Viegas
O ‘Café com Notícias’ desta quinta-feira (12), exibido pela TV Assembleia, chamou atenção para a conscientização sobre o Alzheimer. O neurologista Luciano Lobão falou sobre a campanha ‘Fevereiro Roxo’, iniciativa brasileira que busca reforçar a importância do diagnóstico precoce, do tratamento adequado e da melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
“É uma doença que atinge cerca de 2% da população brasileira. A campanha é um instrumento de informação que reduz o estigma em torno da doença, além de incentivar a busca por avaliação médica diante dos primeiros sinais de alteração cognitiva. O diagnóstico precoce faz diferença e há formas de retardar a progressão da doença”, explicou.
O especialista esclareceu que o Alzheimer é uma doença neurodegenerativa, caracterizada pela perda progressiva da memória e de outras funções cognitivas. “É uma condição que evolui de forma lenta e contínua, comprometendo gradualmente a autonomia do paciente. Se desenvolve ao longo dos anos, afetando inicialmente a memória recente e, com o tempo, outras capacidades mentais”, explicou.
Manifestação precoce
Questionado sobre a relação entre Alzheimer e envelhecimento, Luciano Lobão destacou que a idade é o principal fator de risco. “A maioria dos casos são em pessoas idosas. No entanto, é preciso estar atento aos sintomas, porque o Alzheimer também pode se manifestar de forma precoce, antes dos 60 anos, sobretudo em indivíduos com forte histórico familiar ou predisposição genética”.
O neurologista também chamou atenção para fatores de risco modificáveis, como hipertensão, diabetes, colesterol elevado, sedentarismo e tabagismo. “Essas condições, conhecidas como fatores de risco vasculares, podem acelerar o aparecimento dos sintomas e agravar a progressão da doença. Cuidar da saúde cardiovascular é também uma forma de proteger o cérebro”, pontuou.
Outro aspecto ressaltado foi o longo período silencioso da doença. “O Alzheimer pode começar de cinco a 10 anos antes dos primeiros sintomas se tornarem perceptíveis. Por isso, a faixa etária entre 45 e 55 anos representa uma janela estratégica para avaliação clínica, investigação de histórico familiar e adoção de medidas preventivas”, alertou.
Ao final, Luciano Lobão reforçou que, embora ainda não haja cura, o diagnóstico precoce possibilita intervenções que retardam a evolução da doença e oferecem melhor qualidade de vida ao paciente e à família. “A informação é uma das principais aliadas no enfrentamento do Alzheimer e na construção de uma sociedade mais consciente e acolhedora”, concluiu.