Alojamento de Passagem da Casa da Mulher Brasileira é destaque no “Pautas Femininas’

Agência Assembleia

‘Pautas Femininas’ desta segunda-feira (2) recebeu a psicóloga Tainá Leite, que falou sobre o apoio psicossocial que a Casa da Mulher Brasileira oferece a vítimas de violência e situações iminentes de morte. No programa, apresentado por Régina Santana, foram abordados temas como o funcionamento do Alojamento de Passagem e o Camarim Donas de Si, que atua no fortalecimento da autoestima das assistidas.

A psicóloga, que atua no órgão, explicou que o Alojamento de Passagem é destinado a casos extremos, quando a mulher está na iminência de morte.

“Ela vai para o alojamento quando há risco de morte, enquanto aguarda os trâmites e aguarda o pedido de urgência de medida protetiva ser avaliado. Enquanto isso, é importante que ela esteja protegida em um local onde estará amparada por uma equipe multiprofissional”, explicou Tainá Leite.

A profissional destacou as diferenças entre prevenção e superação e que a Casa da Mulher Brasileira atua em ambas as situações, acompanhando e protegendo estas vítimas. No caso do Alojamento de Passagem, as abrigadas podem ficar no local até 72 horas, ou até a medida protetiva ser deferida.

“Em sendo deferida esta medida, a gente entende que aquela mulher está protegida e que a Patrulha Maria da Penha passa a ser a guardiã dela”, frisou a psicóloga, ressaltando que a permanência no alojamento é facultativa.

Camarim

Já o Camarim Donas de Si nasceu de um projeto homônimo, que ocorre semanalmente e reúne mulheres para falar sobre sororidade na pática.

“O camarim atende mulheres que estão no Alojamento de Passagem e que chegam, muitas vezes, com a roupa do corpo, feridas emocionalmente. Começamos a perceber que estas mulheres não tinham mais prazer em si cuidar. E o camarim vem para tentar regatar isso por meio de ferramentas como maquiagem, cabeleireiro, roupas. É uma ferramenta terapêutica para resgate da identidade da mulher e sua autoestima”, pontuou Tainá Leite.

A psicóloga informou que o material usado no camarim é todo proveniente de doações. “Sua doação vai nos ajudar muito. Os itens, que podem ser roupas adultas e infantis, pois às vezes acolhemos os filhos destas mulheres, podem ser deixados diretamente na Casa da Mulher Brasileira ou as pessoas podem entrar em contato pelas redes sociais do órgão que vamos buscar”, explicou Tainá Leite.

As entrevistas do programa Pautas Femininas ficam disponíveis e podem ser acessadas no canal da Rádio Assembleia no YouTube.

Programa aborda trabalho da Casa da Mulher Brasileira

Agência Assembleia

O programa “Em Discussão” desta sexta-feira (17), da Rádio Assembleia (96,9 FM), em conexão com a Rádio Senado, entrevistou a diretora da Casa da Mulher Brasileira no Maranhão, Susan Lucena Rodrigues. Em conversa com os radialistas Álvaro Luís e Henrique Pereira, ela falou sobre o trabalho realizado pela Casa e os avanços da luta das mulheres por seus direitos.

Inicialmente, Susana Lucena falou sobre sua atuação como presidente do Conselho Penitenciário do Maranhão.

“Fui a primeira mulher eleita para o Conselho Penitenciário do Maranhão e a quarta a presidi-lo. É um colegiado histórico, que existe desde a década de 1960, sendo muito representativo e atuante. Hoje, inclusive, temos mais mulheres do que homens nesse conselho, que precisa trabalhar a ressocialização”, disse.

Direito das mulheres

Susan Lucena revelou que, atualmente, as mulheres com filhos pequenos têm direito a um encarceramento familiar.

“Hoje, temos entendimento pacificado nos tribunais, inclusive com súmulas, no sentido de que as mulheres encarceradas, que não seja pela prática de crimes com violência e que tenham filhos pequenos, têm direito a um encarceramento familiar”, acentuou.

Ações

Susan Lucena informou que há mais de 27 Casas da Mulher Brasileira espalhadas por todo o País.

“Buscamos potencializar e unificar o trabalho das Casas da Mulher Brasileira no País. No Maranhão, particularmente, temos intensificado o trabalho nas Delegacias da Mulher sob o comando regional da delegada Kasumi Tanaka. Temos ampliado a rede de proteção dos direitos da mulher”, destacou.

A diretora da Casa da Mulher Brasileira enfatizou que, há pouco tempo, houve uma mudança muito importante quanto à participação das mulheres na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros.

“Antes, somente era permitido 10% de mulheres tanto na Polícia Militar quanto no Corpo de Bombeiros. Agora, não existe mais cota, o que considero um grande avanço. Isto é muito importante, pois a gente sabe o quanto as mulheres sofrem preconceito. A nossa capacidade é questionada a todo momento nos espaços de poder só pelo fato de sermos mulheres”, assinalou.

Desigualdade de gênero

O Brasil é o país que apresenta o maior índice de desigualdade de gênero nos espaços de poder e não podemos retroceder e diminuir os que já ocupamos. 

“Somos o país com o menor número de mulheres em cargos eletivos. Ninguém melhor para conhecer as nossas necessidades do que nós mesmas. Precisamos compreender a realidade da violência contras as mulheres e atuarmos conjuntamente. As mulheres são submetidas, mundialmente, a uma violência estrutural. Temos que enfrentar e mudar essa realidade”, defendeu.

Avanços

Por fim, Susan Lucena revelou que, no Maranhão, uma média de 60% dos municípios já conta com a Secretaria da Mulher, o que permite potencializar as políticas, e muitos já contam com as Procuradorias da Mulher.

“Também ampliamos as Procuradorias da Mulher nos municípios, mas elas precisam estar vinculadas aos órgãos diretivos, se não o trabalho que precisa ser desenvolvido fica comprometido. Essas procuradorias precisam dispor de uma estrutura mínima para poder desenvolver suas atribuições. Tivemos, recentemente, uma lei aprovada em âmbito nacional que obriga os estados e municípios a destinarem recursos para a execução de políticas públicas que garantam os direitos da mulher”, finalizou.