Segurança do processo eleitoral e auditoria das urnas são discutidas no ‘Contraplano’

Agência Assembleia/ Foto: Wesley Ramos

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A segurança, lisura do processo eleitoral e a auditoria das urnas eletrônicas nas eleições brasileiras foram tratadas no programa ‘Contraplano’ desta terça-feira (10), na TV Assembleia. Participaram a coordenadora da Comissão de Auditoria das Urnas do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MA), Luciana Linard, e o membro da Comissão de Direito Digital da OAB/Maranhão, Luís Cláudio Amaral, membro da Academia Maranhense de Ciências.

Com apresentação dos jornalistas João Carvalho e Glaucione Pedrozo, diretora adjunta de Comunicação da Assembleia, o programa é mais um da série especial sobre eleições.

Luciana Linard reforçou que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) regulamenta o processo de auditoria das urnas eletrônicas por meio da Resolução nº 23673. Também assinalou que, em vários momentos, as urnas e os sistemas são auditados.

“Muito antes da eleição, quando a população é convocada e o TSE desafia os nerds, operadores de sistema, a burlar o sistema das urnas, isso já é um procedimento de auditagem. Um outro momento é na audiência de carga e lacre, que acontece nas zonas eleitorais onde são inseridos os sistemas na urna e são lacradas, preparadas para a eleição, a população é convocada, são publicados editais para que elas compareçam para que prestem atenção nessa modalidade”, enumerou ela, entre as ações desenvolvidas.

A coordenadora da Comissão de Auditoria das Urnas do TRE/MA reafirmou, ainda que o sistema é confiável. “As críticas são mais de cunho político, fazem parte do jogo político. As críticas, muitas vezes, vêm do candidato que perde. Então, eles confiam no sistema, que é confiável, já está mais do que comprovado. Acho que por isso não tem tanta assiduidade na verificação”, assinalou.

Luciana Linard destacou que a audiência neste ano vai ser realizada no Multicenter Sebrae, e que o processo envolve servidores de diversos órgãos federais e estaduais, incluindo o Ministério Público Federal (MPF). O ato será no dia 6 de outubro, entre 8h e 17h.

Função da OAB

Luís Cláudio Amaral informou que a OAB tem como função acompanhar os advogados que vão atuar diretamente nas eleições. O especialista detalhou os procedimentos, caso seja identificado algum problema com uma urna.

“O que o advogado tem que fazer, no momento, é comunicar as autoridades, o delegado da região da zona eleitoral, chamar ali o Ministério Público, a Justiça, se acontecer algo com relação àquela urna”, disse.

O representante da Comissão de Direito Digital da OAB/Maranhão também ressaltou a importância de o cidadão participar de todo o processo eleitoral. “É o mais importante da nossa democracia, é a plenitude do Estado democrático de direito. Votar em si, o ato de votar, é importante, mas tanto quanto é você poder participar desses atos de fiscalização, de conformidade, até para poder desmistificar o que nós temos de maior problema hoje, que é a questão da fake news”, afirmou.

O programa também tratou sobre temas como a transparência de todo o processo eleitoral e o sistema da urna, que não tem conexão com a internet. O ‘Contraplano’ vai ao ar às terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital.9.2; Max TV, canal 17; e Sky, canal 309).

Segurança nas eleições municipais deste ano é discutida no programa ‘Contraplano’

Agência Assembleia/ Foto: Biaman Prado

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O programa ‘Contraplano’ desta terça-feira (3), na TV Assembleia, discutiu a segurança nas eleições 2024. Os convidados foram o assessor de Segurança Institucional e Inteligência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/MA), coronel Alexandre Magno; e o comandante do 24° Batalhão de Infantaria e de Selva, coronel Bruno Peixoto.

Com apresentação dos jornalistas João Carvalho e Glaucione Pedrozo, diretora adjunta de Comunicação da Assembleia, o programa desta terça-feira integra a série sobre o pleito municipal deste ano.

O coronel Alexandre Magno detalhou sobre a composição e funcionamento do Comitê de Segurança das Eleições 2024, que reúne instituições e órgãos como a Procuradoria Regional Eleitoral, o Ministério Público, as polícias civil, militar, federal e rodoviária, Corpo de Bombeiros, Agência Brasileira de Inteligência, Capitania dos Portos, Exército e Centro Tático Aéreo. O objetivo é, além de garantir atuação eficiente de segurança, gerenciar potenciais riscos ao processo eleitoral.

“Sabemos que atuar com segurança é atuar de forma conjunta, e a participação de todos esses órgãos, unidos, reunidos, inclusive, no dia da eleição, facilita a comunicação e a interação”, ressaltou ele.

Entre os riscos ao processo eleitoral, coronel Alexandre Magno citou a violência que nasce do acirramento de ânimos e da polarização do eleitorado em torno de candidatos. Ele reforçou que o Comitê usa, inclusive, dados de eleições passadas para balizar o trabalho no período.

“A gente percebeu, durante a análise desses dados – com auxílio também da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que tem um instituto que pesquisa a violência política no Brasil -, que houve uma crescente muito grande nos números de violência política no país. Aqui no estado não é diferente”, observou.

E coronel Alexandre Magno complementou: “Nossa intenção é fazer com que o processo ocorra de forma tranquila e segura. A gente quer garantir que o cidadão exerça a sua cidadania, seu poder de voto, com tranquilidade, no dia 6 de outubro”.

Tropa preparada

O coronel Bruno Peixoto falou sobre a atuação do Exército durante o pleito de outubro no Maranhão e reforçou que a tropa será comandada pelo general Furtado, da 22ª Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Macapá (AP).

“O comandante virá para o Maranhão para ter um estreitamento maior com o TRE/MA, e ele comandará todas as tropas que estarão envolvidas no estado, incluindo o 5º Batalhão de Infantaria de Selva, em Imperatriz, que pertence à 23ª Brigada de Marabá”, detalhou.

O militar informou que a tropa é capacitada para atuar nas eleições. “A gente faz um seminário jurídico no batalhão. Chama o TRE, o Tribunal de Justiça e outras autoridades com conhecimento, que nos passam várias informações, várias instruções, para que a gente ganhe conhecimento e esteja melhor preparado para o cumprimento da missão”, assinalou.

O programa também abordou, entre outros aspectos do pleito, sobre o uso de forças especiais em alguns municípios e segurança na logística de distribuição das urnas de votação. O ‘Contraplano’ vai ao ar às terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital.9.2; Max TV, canal 17; e Sky, canal 309).

‘Contraplano’ destaca promoção do voto consciente e importância dos serviços eleitorais

Agência Assembleia/ Foto: Wesley Ramos

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O programa ‘Contraplano’ que foi ao ar nesta terça-feira (27), pela TV Assembleia, dá continuidade a série de entrevistas sobre as eleições de 2024. Desta vez, os entrevistados foram Victor Hugo Cândido, chefe de cartório da 1ª Zona Eleitoral e a pesquisadora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Polyana Amorim, coordenadora do projeto Rumbora Marocar. Eles falaram sobre promoção do voto consciente e a importância dos serviços eleitorais.

Apresentado pelos jornalistas João Carvalho e Glaucione Pedrozo, que é diretora adjunta de Comunicação da Assembleia, o programa abordou temas como a escolha dos próximos representantes dos municípios a partir de suas condutas, propostas e trajetórias na vida pública. Também foram discutidas as maneiras como os eleitores têm buscado informações sobre os candidatos, mecanismos que a Justiça Eleitoral coloca à disposição da população e contribuições da sociedade civil organizada para o pleito.

Segundo Victor Hugo Cândido, a missão da Justiça Eleitoral é fortalecer a democracia por meio do processo eleitoral. “Nós somos orientados a levar a participação popular ao nível máximo. Para isto, disponibilizamos plataformas nas quais a população pode ter acesso às informações dos candidatos, contas de campanha dos candidatos e dos partidos políticos, também ofertamos serviços antes mesmo do período eleitoral, como alistamento, biometria, revisões, transferências, campanhas de conscientização sobre uso do aplicativo E-Título, entre outras ações”, destacou o chefe de cartório.

Ele ressaltou, ainda, que o trabalho do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) vai desde o processo de votação propriamente dito até a inserção do eleitorado como membro ativo da elaboração e realização das eleições. “A eleição, para nós da Justiça Eleitoral, começa muito antes do que para a população em geral, promovendo todos os preparativos por ser um processo muito intenso e minucioso”, observou Victor Hugo.

Já Polyana Amorim explicou que o projeto Rumbora Marocar atua no eixo de educação político popular. O objetivo é levar aos eleitores informações qualificadas acerca dos candidatos a partir de fontes confiáveis e oficiais.

“Buscamos fazer um trabalho de jornalismo investigativo, para entender perfis e propostas dos candidatos e apresentar à população. Isto é divulgado em plataformas como podcast, site e redes sociais. Fazemos um trabalho de conscientização sobre estes sujeitos que se colocam nestes cargos eletivos, para estimular o voto consciente”, apontou Polyana Amorim.

O programa ‘Contraplano’ vai ao ar às terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital.9.2; Max TV, canal 17; e Sky, canal 309).

Programa ‘Contraplano’ debate o impacto das fake news nas eleições democráticas

Agência Assembleia/ Foto: Biaman Prado 

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O programa ‘Contraplano’, exibido nesta terça-feira (20), pela TV Assembleia, marcou o início de uma série especial de entrevistas sobre as eleições municipais de 2024. Nesse período, a jornalista Glaucione Pedrozo, diretora adjunta de Comunicação da Assembleia Legislativa, se junta ao apresentador João Carvalho na bancada.

O tema tratado nesta edição foi o impacto das fake news nas eleições democráticas. Os convidados foram o juiz eleitoral Ferdinando Serejo e o professor e pesquisador Márcio Carneiro, especialista em Inteligência Artificial e coordenador do Laboratório de Comunicação da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

O conceito e o surgimento do termo fake news pontuaram o início das discussões. O professor Márcio Carneiro destacou que, apesar da força que tem na atualidade, essa prática não é novidade. 

“Hoje, a gente tem uma espécie de indústria da fake news, ou seja, virou um negócio você pensar em manipular a opinião pública utilizando esse tipo de recurso. Lembrando que manipulação, falar mal do adversário para prejudicar ele numa eleição, é uma coisa muito antiga, não foi a IA nem a tecnologia que inventou. Isso é um problema, acho, que vai lá do início da humanidade”, disse, reforçando em outro ponto que o certo seria utilizar o termo “desinformação”.

O agravante, segundo ele, é que atualmente a gente tem o ambiente digital, onde o tráfego das informações é muito rápido. “O efeito de uma notícia falsa ganha muito facilmente escala e pode gerar, sim, dano à imagem de uma pessoa, de um candidato”, disse. 

E o especialista setenciou: “Fake news não é problema de máquina, é problema de gente”.

O juiz Ferdinando Serejo destacou que as fake news são um dos grandes problemas a serem combatidos pela justiça eleitoral, ao lado da corrupção, por exemplo. Ambos, segundo ele, podem ser combatidos com informação, com conhecimento. “Uma orientação é essa: sempre procurar as agências de checagem de fatos”.

E para dar agilidade à apuração de casos desse tipo de crime, de acordo com o juiz, os prazos para análise na Justiça Eleitoral giram em torno de 24 horas. “Têm prazos para os magistrados que são em horas mesmo. São 4, 5 horas. Você tem que resolver tudo, é muito rápido”, ressaltou.

O juiz destacou ainda que o modelo de negócio das grandes plataformas é o que lucra com visualizações, com engajamento, e lucra muito com conteúdos ruins. E reforçou que a Justiça Eleitoral tem buscado instrumentos para combater esse tipo de prática.

“No período eleitoral, há uma legislação específica sobre isso. Se alguém, agora, colocar um vídeo em rede social falando, incentivando, violência física contra um outro candidato, o algoritmo é obrigado a detectar e tirar do ar imediatamente, sem ninguém falar nada”, assinalou.

O programa ‘Contraplano’ vai ao ar às terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital.9.2; Max TV, canal 17; e Sky, canal 309).

Programa ‘Contraplano’ destaca três décadas de criação do Plano Real

Agência Assembleia/ Foto: Wesley Ramos

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Os 30 anos do Plano Real foram o tema do programa ‘Contraplano’, que foi ao ar nesta terça-feira (9), na TV Assembleia. Para abordar o assunto, foram convidados para compor a bancada do programa o auditor fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz), Jomar Fernandes; o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Maranhão (Fecomércio/MA), Maurício Feijó; e o professor e economista Felipe de Holanda.

Durante o programa, comandado pelo jornalista João Carvalho, foram abordados temas como o cenário no qual surgiu o Plano Real, a hiperinflação da época, a crise econômica que assolava o país e, ainda, a formação da equipe financeira do governo Itamar Franco, liderada pelo então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso.

Em suas falas, os entrevistados relembraram que o Plano Real foi dividido em três etapas: ajuste fiscal, uso de uma moeda transitória (URV) e implantação da nova moeda, o real. Também ressaltaram os efeitos da medida econômica na sociedade brasileira e como o mercado internacional reagiu ao novo plano, depois de décadas com moedas em desvalorização.

O presidente da Fecomércio, Maurício Feijó, relembrou o cenário anterior ao Plano Real. “Era uma dificuldade muito grande para nós, empresários. Sou empresário há 55 anos no Maranhão e vi o cenário, antes, durante e depois do Plano Real ser implantado e posso dizer que as dificuldades foram imensas, contudo, nós, empresários, conseguimos acompanhar todas estas mudanças até chegarmos a uma definição, que foi a moeda paritária com o dólar. Tudo isso fez com que o Brasil voltasse a seguir uma trilha de desenvolvimento e estabilidade econômica”, destacou Feijó.

Efetivação

O auditor fiscal Jomar Fernandes relembrou a trajetória do Plano Real desde a criação da URV, em 1994, até a efetivação da nova moeda. Antes disto, destacou o auditor fiscal, foram feitas diversas tentativas de conter a inflação, a exemplo dos planos Cruzado (1986), Bresser (1987), Verão (1989) e Collor (1990). “Nenhum destes planos conseguiram, efetivamente, acabar com a inflação. Então, o Plano Real foi muito importante para o país, causou um grande impacto na economia brasileira”, ponderou o auditor, que apresentou dados para reforçar sua fala.

“O processo de inflação que se tinha no Brasil desde da década de 1960 causava um impacto muito grande na economia brasileira, especialmente sobre a camada mais pobre da população, que não tinha como se defender da inflação e também acessar crédito. O Plano Real reuniu condições importantes, como a mudança do cenário externo e houve um aprendizado no que diz respeito ao congelamento de preços e tudo foi feito de forma anunciada e com a criação da URV, que sincronizou os preços”, destacou Felipe de Holanda.

Durante o programa, os convidados discorreram ainda sobre ajuste fiscal, taxa de juros, paridade com dólar, estabilização monetária, entre outros assuntos. O ‘Contraplano’ vai ao ar todas às terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital.9.2; Max TV, canal 17; e Sky, canal 309).     

‘Contraplano’ discute alfabetização de jovens e adultos para a inclusão social

Agência Assembleia/ Foto: Wesley Ramos 

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Com o tema ‘Alfabetização de Jovens e Adultos (EJA) para a Inclusão Social’, foi ao ar, nesta terça-feira (2), pela TV Assembleia, o programa ‘Contraplano’. Para falar sobre o tema, o jornalista e apresentador da atração, João Carvalho, recebeu a coordenadora geral do Programa Maranhão Alfabetizado, Berenice Gomes; a pesquisadora, mestra em educação pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Soraia Raquel; e a psicóloga educacional Aline Blanco.

Na oportunidade, a coordenadora geral do Programa Maranhão Alfabetizado, Berenice Gomes, ressaltou os desafios do tema para o poder público e para toda a sociedade. Segundo ela, o Maranhão tem 15% da sua população em situação de analfabetismo.

“Por fatores históricos na sociedade brasileira, muitas pessoas acabaram ingressando na educação em períodos, que não consideramos atrasados, mas de lacuna histórica. No caso do Estado, estamos com o programa EJA e o governador Carlos Brandão lançou, em abril, o programa Maranhão Alfabetizado, que é uma estratégia para incorporar na educação de jovens a adultos, aquelas pessoas que estão fora da escola”, pontuou a coordenadora.

Sobre a dívida que o poder público tem em relação à população, a mestra em educação pela Universidade Federal do Maranhão, Soraia Raquel, corroborou que é um problema histórico.

“Em 1900, nós tínhamos um alto índice de analfabetismo no Brasil. Eram cerca de 65% da população sem acesso ao ensino primário. Mas educação não é privilégio, é direito e, enquanto tal, abarca o pleno desenvolvimento da pessoa, da cidadania e formação para o trabalho. Em 2022, o índice de analfabetismo no Brasil era de 7%, mas, em números absolutos, são 11 milhões, isto no século XXI, ainda temos muitos desafios. É uma dívida social que o país tem com estes jovens e adultos”, disse Soraia Raquel.

A psicóloga educacional Aline Blanco falou sobre os impactos da aprendizagem na idade adulta. “A alfabetização tardia traz lacunas emocionais, como baixa autoestima, sentimento de inferioridade, incapacidade e isto se reflete no futuro destes jovens e adultos. Hoje se entende a alfabetização não apenas da escola, mas antes, com as habilidades emocionais e cognitivas que interferem no desenvolvimento dos indivíduos, que começa em casa, com os pais estimulando a vida dos filhos”, observou a psicóloga.  

Durante o programa, foram abordados ainda temas como a relação entre alfabetização e oportunidades de emprego; a importância de incluir a alfabetização digital nos programas de EJA; como o apoio da família e da comunidade pode influenciar positivamente o processo de alfabetização; a contribuição para a redução das desigualdades sociais, entre outros assuntos.

O programa ‘Contraplano’ vai ao ar todas às terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital.9.2; Max TV, canal 17; e Sky, canal 309). 

‘Contraplano’ debate políticas de fortalecimento da agricultura familiar

Agência Assembleia

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O programa ‘Contraplano’, da TV Assembleia, nesta terça-feira (25), discutiu o fortalecimento da produção da agricultura familiar, setor que detém a maior parcela dos empregos gerados no campo e é a base da economia de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes. Os convidados foram o secretário adjunto de Organização da Produção da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF), Ricarte Almeida; a secretária de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores Rurais, Agricultores e Agricultoras Familiares do Maranhão (Fetaema), Ligia Daina; e o consultor da Federação de Agricultura e Pecuária do Maranhão (Faema), César Viana.

Ricarte Almeida destacou os debates travados durante o 22º Fórum de Gestores para a Agricultura Familiar do Nordeste ‘Eugênio Peixoto’, realizado recentemente no Maranhão.

“É uma política da maior relevância se a gente, de fato, quer produzir alimentos saudáveis, em quantidade e qualidade necessárias à demanda de consumo e se a gente quer fazer da agricultura familiar um fator estratégico de desenvolvimento econômico e social”, assinalou.

O secretário adjunto observou ainda sobre entraves que levam o Maranhão a permanecer com baixos índices no setor. “Isso se deve pela opção que governos anteriores fizeram de favorecer a implantação das monoculturas no território maranhense. A agricultura familiar, que até a década de 1980 ocupava mais de 80% do território, foi exprimida num território cada vez menor pela expansão da soja e do eucalipto de maneira crescente e vertiginosa”, observou.

Grito da Terra MA  

A representante da Fetaema destacou a realização recente do Grito da Terra Maranhão, que teve como ponto de partida este ano um encontro na Assembleia Legislativa, com presença da presidente da Casa, deputada Iracema Vale (PSB).

“É um ato de massa, onde os agricultores vieram dos 217 municípios lutar pela pauta da Agricultura Familiar e, dentro desse Grito da Terra, que é um ato importante de proposição, de reivindicação de políticas públicas, a gente defende a o fortalecimento da Secretaria Estadual da Agricultura Familiar, que foi criada a partir de proposição da Fetaema, dos movimentos sociais do campo, porque a assistência técnica e a extensão rural são muito importantes para nós”, afirmou Ligia Daina.

E ela complementou: “A defesa pelo crédito voltado ao fortalecimento da agricultura familiar é algo também estruturante, importante, para garantir que os homens, as mulheres, a juventude, permaneçam no campo, produzindo e vivendo com dignidade”.

Senar

César Viana, por sua vez, destacou ações do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que é o braço operacional da Faema. Entre elas, o consultor ressaltou o programa Assistência Técnica e Gerencial, que abrange segmento da população um pouco diferenciado, o pequeno produtor fruto de uma sucessão hereditária e aqueles que compraram novas áreas no meio rural.

“A nossa grande preocupação é o processo de empobrecimento dessa parcela da população”, afirmou. “O fato concreto é que a participação da agricultura famíliar hoje em termos de renda, de produção, é pequena”, argumentou.

O programa ‘Contraplano’ tem apresentação do jornalista João Carvalho e vai ao ar todas as terças-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital.9.2; Max TV, canal 17; e Sky, canal 309). 

‘Contraplano’ debate questões relativas à PEC das Praias e seus impactos 

Agência Assembleia/ Foto: Biaman Prado

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O programa ‘Contraplano’ desta terça-feira (11), na TV Assembleia, discutiu questões relacionadas à Proposta de Emenda à Constituição n° 03/2022, a chamada PEC das Praias, e os impactos socioambientais que ela acarreta. Os convidados foram a secretária da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da OAB/MA, Hayane Araujo; o secretário-geral da Associação Brasileira de Oceanografia, João Luiz; e a oceanógrafa e pesquisadora da UFMA, Flávia Mochel.

“É uma PEC de 2022 e ganhou, agora, um protagonismo porque ela estava já na fase de audiências públicas para passar de uma maneira muito eu digo assim, sorrateira, para ser aprovada no senado”, afirmou a advogada Hayane Araujo.

A secretária da Comissão de Defesa do Meio Ambiente da OAB/MA destacou  que a matéria propõe a revogação de incisos importantes tanto da Constituição Federal quanto do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que são artigos que ficam ao final da Carta Magna. “A exemplo disso, ela revoga o Inciso 8, do Artigo 20, que trata dos bens da União, e o Artigo 8º, que fala justamente dos terrenos de marinha, que são não apenas as nossas praias como também as margens dos nossos rios e lagoas”, observou. 

E foi taxativa: “Tirar da União esse bem, que é um bem de uso comum do povo, e transferir para os municípios, estados e os proprietários de bens imóveis, causa para a sociedade um prejuízo sem precedentes. A verdade é que a gente ainda não consegue vislumbrar também a insegurança jurídica que isso vai ocasionar”.

Privatização e gestão 

O secretário-geral da Associação Brasileira de Oceanografia, João Luiz, tratou sobre os riscos ambientais derivados da privatização da gestão desses espaços.

“A gente está hoje num cenário mundial de mudanças climáticas. Essas áreas são as primeiras a serem afetadas pela elevação do nível do mar, pela mudança no regime de ondas e ventos na costa. E a preocupação maior é que, certamente, essas áreas, ao serem privatizadas, vamos chamar assim, como vai ficar, depois, a gestão desse espaço?”, questionou.

Ele reforçou outra questão: ao surgir problemas graves nessa área, os donos não vão resolver. Eles buscarão, como já ocorre na atualidade, o Estado para solucionar esses problemas. “Na verdade, a gente está privatizando um bem comum e, depois, os problemas que virão a acontecer no futuro vão ser socializados.  Até que ponto isso é justo? Essa é a questão maior”, assinalou. 

Uso comum

A pesquisadora da UFMA, Flávia Mochel, esclareceu sobre o termo ‘terreno de marinha’. “Não é terreno da Marinha, não pertence à Força Armada Marinha do Brasil. Pertence à União, o terreno público, de uso comum de todos”. Vale destacar que os terrenos de Marinha, como são conhecidos, são a demarcação de área que começa numa linha cerca de 33 metros, na média, das marés cheias.

Flávia Mochel destacou, ainda, que a proposta prejudica as comunidades que vivem em vulnerabilidade social nessas áreas, como pescadores e marisqueira. E reforçou que a PEC também fragiliza as Áreas de Preservação Permanente (APPs) que protegem os manguezais. 

A oceanógrafa também teceu comentários sobre o tema no mundo, destacando praias privatizadas no México e na Itália. Elencou que a Espanha já viveu a experiência, mas recuou. E afirmou que, mesmo sem PEC, os problemas ambientais sempre existiram.

“Eu fui perita dos problemas de dunas aqui e, por conta dos nossos prédios, que são propriedades privadas que invadiram dunas, loteamentos que invadiram dunas. Isso sem PEC, então não adianta a gente também tentar ser muito ingênua e dizer que tem APP que protege duna, porque elas sempre existiram, sempre foram unidades de conservação, e nós tivemos que fazer um esforço enorme para que esses grandes empreendimentos que estão na Avenida Litorânea não tomassem de conta das dunas, como tomaram em Fortaleza, como tomaram em Recife”, relatou.

O programa ‘Contraplano’ tem apresentação do jornalista João Carvalho e vai ao ar todas às terças-feiras, às 15h, na TV Assembleia.