Agência Assembleia
A entrevista desta terça-feira (30) exibida no programa ‘Café com Notícias’, da TV Assembleia Maranhão, e apresentada pela jornalista Elda Borges, trouxe à tona um tema ainda urgente no estado: a acessibilidade em espaços de lazer, especialmente durante o Carnaval e na orla marítima de São Luís.
O convidado foi Etervaldo Santos, presidente do Instituto Maranhense de Deficiências Visuais, que detalhou ações voltadas à inclusão de pessoas com deficiência, idosos e pessoas com obesidade, com destaque para o projeto “Defiças Vem pra Praia”.
Durante a conversa, Etervaldo anunciou que o projeto será lançado oficialmente no dia 1º de fevereiro, um domingo, na Praia do Olho d’Água. A iniciativa tem como principal objetivo garantir o direito ao lazer com dignidade e segurança, oferecendo estrutura adaptada para que pessoas com diferentes tipos de deficiência possam usufruir da praia.
“O projeto disponibilizará cadeiras anfíbias, que permitem o acesso ao mar sem danos causados pelo salitre, sempre com o acompanhamento de monitores treinados. Também estarão disponíveis bicicletas adaptadas para deficientes visuais, no modelo duplo, em que um guia conduz a atividade junto com o usuário”, explicou.
Além disso, o espaço contará com atividades esportivas e recreativas, como vôlei, futebol e jogos de mesa adaptados, entre eles dominó e xadrez. A previsão é que o projeto permaneça ativo por cerca de dez meses na Praia do Olho d’Água, consolidando-se como uma política contínua de inclusão e não apenas uma ação pontual.
Outro ponto de destaque da entrevista foi o Carnaval inclusivo promovido pelo Instituto, por meio do “Bloco dos Defiças”. Em seu terceiro ano de existência, o bloco desfila nos circuitos oficiais de São Luís em trios elétricos e já entrou para a história ao contar com a primeira cantora cadeirante, Isabele, puxando um trio durante a folia.
“O Carnaval é utilizado como uma ferramenta de conscientização, com o objetivo de combater o capacitismo e reforçar a mensagem de um “Carnaval sem Barreiras”. Para 2026, a expectativa é reunir entre 200 e 600 participantes no bloco”, enfatizou.
Ao longo da entrevista, Etervaldo Santos também chamou atenção para os desafios enfrentados diariamente pelas pessoas com deficiência no acesso aos espaços urbanos. Ele citou como exemplo a Avenida Litorânea, onde o acúmulo de areia nas calçadas dificulta ou até impede a circulação de cadeirantes.
No campo do transporte, destacou a importância de parcerias institucionais, como o Programa Travessia, do Governo do Estado, e convênios com aplicativos de transporte, que ajudam a garantir o deslocamento até a praia.
Para além das barreiras físicas, o presidente do Instituto ressaltou que as barreiras atitudinais ainda são um dos maiores entraves à inclusão. “O preconceito e a falta de empatia da sociedade muitas vezes causam mais impacto negativo do que a ausência de rampas ou adaptações arquitetônicas”, disse.
O projeto “Defiças Vem pra Praia” foi viabilizado por meio de emendas parlamentares, com destaque para o apoio do deputado Cléber Verde, além de recursos do Ministério do Esporte e do suporte do Comitê Brasileiro de Clubes Paralímpicos.
Assista ao programa na íntegra: