‘Diário da Manhã’ aborda a questão da intolerância religiosa com a yalorixá Jô Brandão

Agência Assembleia

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Nesta quinta-feira (1º), o programa ‘Diário da Manhã’, da Rádio Assembleia (96.9 FM), entrevistou a coordenadora do Coletivo dan ji, a yalorixá Jô Brandão, integrante do Fórum de Mulheres de Axé do Maranhão. Na conversa com o apresentador e jornalista Ronald Segundo, ela abordou, dentre outras pautas, as comemorações do Dia de Iemanjá (2 de fevereiro) e a questão da intolerância religiosa no Maranhão.

Jô Brandão, inicialmente, destacou que o Maranhão tem apresentado recorrentes casos de racismo religioso e de intolerância religiosa. “É importante diferenciar, conceitualmente, porque a legislação ampliou, nos últimos anos, a compreensão de intolerância religiosa para racismo religioso, assim como a ampliação de pena da injúria racial que equipara ao crime de racismo. Isto é fruto das lutas sociais da comunidade negra”, esclareceu.

“Um desses casos foi o da depredação da estátua de Iemanjá, que fica na Praia do Olho D’Água, ano passado. Esse ato em si não tem um cunho racial. Mas tem a representação de um grupo étnico, que é a população negra e, principalmente, os povos tradicionais de terreiro, que a cultuam. Iemanjá é um orixá para nós. É uma herança africana e um orixá feminino que, na nossa cosmovisão de mundo, rege o mar. Para nós, é uma referência porque ela interliga o povo brasileiro ao continente africano através do mar. Portanto, consideramos o ato de depredação da estátua de Iemanjá como um ato criminoso”, acentuou.

Ela revelou que o Governo do Estado já reconstruiu a estátua e que já foi colocada de volta ao local dentro dos padrões técnicos adequados. “Está em fase de implementação um projeto de readequação da praça para um ambiente de terreiro, para que se tenha a mesma referência à imagem de Iemanjá que se tem às outras religiões. Esse espaço será requalificado socialmente e transformado num ambiente que contribua para desconstruir referências discriminatórias sobre isso”, acrescentou.

Reivindicação

Jô Brandão disse, ainda, que o movimento social de comunidades de matrizes africanas está reivindicando ao Governo do Estado a instalação de uma delegacia especializada, com estrutura adequada, para investigar principalmente crimes de racismo religioso e de intolerância religiosa.

“Esse tipo de crime tem sido recorrente no Maranhão, mas não aparecem nas estatísticas oficiais porque não se tem ainda uma sistematização de dados. Isto faz com que o Maranhão fique invisível diante dessa questão”, assinalou.

No Brasil, comemora-se o Dia de Iemanjá em 2 de fevereiro. “Essa data para nós tem vários significados. O primeiro é que, para as religiões de matriz africana, Iemanjá é a grande mãe, é a senhora das origens e que rege o equilíbrio das pessoas. Segundo, é um momento de reflexão sobre as contradições da sociedade brasileira que, ao mesmo tempo em que festeja certas datas, como por exemplo o dia 31 de dezembro, age com intolerância com as religiões de matriz africana. Nossa relação com o mar é ancestral, espiritual e ritualística e a revitalizamos sempre durante essa comemoração e reverência à nossa grande mãe, que é Iemanjá”, explicou.

‘Diário da Manhã’ – Secretária Abigail Cunha destaca ações da campanha ‘Não é não!’ no Carnaval

Agência Assembleia

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Em entrevista ao programa ‘Diário da Manhã’, da Rádio Assembleia (96,9 FM), nesta quinta-feira (1º), a secretária de Estado da Mulher, deputada licenciada Abigail Cunha, destacou a importância de realizar, nas prévias e no período carnavalesco, a campanha “Compartilhe Alegria e Respeito: Não é não!”. A gestora também defendeu a atuação conjunta dos órgãos para o sucesso da campanha.

Na conversa com o apresentador e jornalista Ronald Segundo, a secretária disse que as ações estão sendo ampliadas neste período, com diversos serviços sendo oferecidos às mulheres vítimas de violência.

De acordo com Abigail Cunha, a Secretaria de Estado da Cultura, por orientação do governador Carlos Brandão (PSB), abriu espaço no circuito e nos trios elétricos para que equipes treinadas e vestindo camisas de identificação, possam chamar a atenção para as ações da campanha.

Segundo a secretária, o sucesso da iniciativa se dará por conta da atuação conjunta e que envolve  também a Casa da Mulher Brasileira, espaço que reúne os serviços da Delegacia Especializada da Mulher, Defensoria Pública do Estado, 24ª Promotoria de Justiça da Mulher, ligada ao Ministério Público do Estado, Alojamento de Passagem, Departamento de Feminicídio, Coordenadoria Estadual das Delegacias Especiais da Mulher, Centro de Referência em Atendimento à Mulher Vítima de Violência, e Biblioteca Maria da Penha.

“Vamos atuar no circuito com gente capacitada e, se for o caso, até daremos, com o auxílio de juízes e juízas, medidas protetivas. Desde alguns dias estamos atuando no sentido de massificar a campanha ‘Não é não!’, tendo como objetivos reduzir o assédio e a importunação neste momento de festas carnavalescas, juntamente com todos os nossos parceiros”, garantiu.