‘Café com Notícias’ debate crescimento da violência de gênero e impacto das redes sociais

Agência Assembleia/ Foto: JR Lisboa

O ‘Café com Notícias’ desta quinta-feira (11), na TV Assembleia, dedicou a edição ao debate sobre o aumento da violência de gênero e o papel das redes sociais na amplificação desse cenário. A convidada foi a professora Wanessa Soares, mestra e doutoranda em Letras, cuja pesquisa acadêmica aborda a dinâmica discursiva da violência contra a mulher.

Segundo a especialista, desde 2023 é possível observar uma intensificação expressiva da circulação de discursos ligados à violência de gênero nas redes sociais. “O que antes aparecia de forma mais discreta ganhou força. Em 2025, especialmente nas últimas semanas, o volume de conteúdos no Instagram cresceu de maneira marcante”, afirmou.

A pesquisadora destacou que o episódio envolvendo o atropelamento de uma jovem funcionou como catalisador para essa onda de publicações e debates. “Houve uma mobilização significativa de mulheres em todo o país, resultando em atos públicos que exigiam políticas públicas mais eficazes e para reafirmar direitos básicos que ainda precisam ser garantidos para nós”.

Reações contráriias

Wanessa Soares também chamou atenção para as reações contrárias às mobilizações. “São comentários marcados por misoginia e pela reprodução de padrões patriarcais. Muitas postagens tentam minimizar a gravidade das denúncias, classificando manifestações como exagero. É um movimento cultural que busca deslegitimar a luta das mulheres”, apontou.

Para ilustrar a dimensão do problema, a entrevistada lembrou que, no mesmo dia em que ocorreram atos em cerca de 90 cidades do país, dois feminicídios foram registrados. Outro caso foi notificado no dia seguinte, reforçando a urgência do tema. Para ela, esses episódios mostram que o debate precisa avançar para além das redes sociais e se transformar em medidas concretas de proteção.

A professora destacou que compreender as dinâmicas discursivas e sociais que alimentam a violência é fundamental para enfrentá-la. “As manifestações são importantes, mas é preciso que elas encontrem resposta em políticas públicas consistentes. Sem isso, continuaremos assistindo a uma escalada de casos que poderia e deveria ser contida”, concluiu.

‘Diário da Manhã’ – Kazumi Tanaka fala sobre ações da Semana de Combate ao Feminicídio

Agência Assembleia/ Foto: JR Lisboa

A coordenadora das Delegacias da Mulher no Maranhão, Kazumi Tanaka, falou sobre as principais ações da Semana de Combate ao Feminicídio no Estado, em entrevista ao programa ‘Diário da Manhã’, com transmissão simultânea pelas Rádio Assembleia (96,9 FM), e TV Assembleia, nesta terça-feira (11).

Na conversa com o radialista e apresentador Henrique Pereira, a delegada contou que, embora seja chamada de “semana”, a mobilização segue ao longo de todo o mês de novembro, com uma extensa agenda de ações. O Dia D da campanha está marcado para 13 de novembro, quando será realizada uma grande mobilização estadual com palestras simultâneas em diversas cidades do Maranhão, com foco também nas vítimas do feminicídio.

Kazumi Tanaka detalhou que as atividades foram iniciadas na terça-feira (4), pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), em parceria com a Casa da Mulher Brasileira e o Instituto Somos Todos Marianas.

“Decidimos estender pelo mês inteiro, pois temos uma série de demandas que precisam ser atendidas. O principal objetivo é intensificar ações preventivas e educativas voltadas ao enfrentamento de todas as formas de violência contra a mulher, com ênfase no feminicídio, a expressão mais extrema da violência de gênero. Buscamos sensibilizar a sociedade sobre os diferentes tipos de violência, divulgar os canais de denúncia disponíveis e fortalecer o acesso das vítimas às redes de apoio e proteção”, afirmou.

A delegada contou ainda que, no dia 15 de novembro, haverá, na Avenida Litorânea, em São Luís, mais uma edição da Corrida de Combate ao Feminicídio, que deve reunir centenas de participantes em apoio à causa; e que a união entre as instituições públicas, movimentos sociais e entidades civis, reafirma o compromisso do Maranhão em promover políticas de proteção, prevenção e acolhimento às mulheres, fortalecendo a cultura do respeito e da igualdade de gênero.

Em transmissão simultânea e ao vivo, o ‘Diário da Manhã’ pode ser acompanhado de segunda a sexta-feira, das 9h às 9h30, pela Rádio Assembleia (96.9 FM) e pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), além do canal do Youtube.

Deputada Daniella participa de lançamento do projeto de amparo a órfãos do feminicídio promovido pelo Ministério Público

Agência Assembleia

A deputada estadual Daniella (PSB) participou, nesta segunda-feira (3), do lançamento do projeto “Órfãos do Feminicídio: Sem Desamparo – Ministério Público garantindo direitos de quem ficou”, promovido pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA). O evento, realizado na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em São Luís, reuniu promotores, autoridades e representantes da sociedade civil.

A iniciativa marca o início de uma campanha de sensibilização voltada a promotores e promotoras de Justiça, universidades e à sociedade civil, com o objetivo de fortalecer ações de proteção, acompanhamento psicossocial e garantia de direitos de crianças e adolescentes que perderam suas mães em razão da violência contra a mulher.

Aliada do MPMA desde a elaboração do projeto e responsável pela proposta que deu origem ao Projeto de Lei que estabelece uma ajuda financeira a esses menores, Daniella destacou a importância da parceria entre o Ministério Público, o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa para que o tema ganhasse espaço institucional e resultasse em políticas públicas efetivas.

“Quando o Ministério Público me apresentou essa proposta, ainda no início do ano, não tive dúvidas de que ela precisava ganhar voz e chegar aonde realmente pode transformar vidas. Por isso, formatei o texto enquanto anteprojeto e o levei ao governador Carlos Brandão. Hoje, ver esse tema avançando é a prova de que a boa política acontece quando as instituições se unem por um propósito comum”, afirmou a parlamentar.

Iniciativa

A deputada também ressaltou o protagonismo do Ministério Público e agradeceu o empenho dos promotores de justiça Sandra Fagundes, Sandro Lobato e Gleudson Malheiros, além do procurador-geral de justiça, Danilo José de Castro Ferreira, que conduzem a iniciativa dentro da instituição.

“O Ministério Público do Maranhão tem dado um exemplo de atuação republicana, técnica e sensível. Essa é uma causa que exige compromisso e coragem, e o MPMA mostrou que é possível construir soluções concretas quando o foco está na vida das pessoas”, ressaltou Daniella.

A campanha encabeçada pelo MPMA se soma à proposta do próprio órgão, levada pela deputada ao Executivo estadual, que resultou no envio à Assembleia Legislativa do projeto de lei que institui o Auxílio Financeiro aos Órfãos do Feminicídio — uma contrapartida estadual ao benefício federal, com o objetivo de oferecer suporte financeiro às famílias em situação de vulnerabilidade.

O projeto é coordenado pelos Centros de Apoio Operacional do Tribunal do Júri (CAO-JÚRI), da Infância e Juventude (CAO-IJ) e de Enfrentamento à Violência de Gênero (CAO-Mulher), e integra um conjunto de ações do MPMA para viabilizar a aplicação dos benefícios previstos na Lei Federal nº 14.717/2023 e no Decreto nº 12.636/2025.

Dignidade

Para Daniella, a medida representa um marco na política de proteção social do Maranhão.

“Não estamos falando apenas de um auxílio financeiro. Estamos falando de dignidade, afeto e oportunidade. Estamos criando um caminho novo para quem ficou”, destacou.

A parlamentar lembrou ainda que não há dados oficiais sobre o número de órfãos de vítimas do feminicídio no Estado do Maranhão. Mas, de 2019 até abril de 2025, 403 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. Considerando taxa de natalidade das maranhenses segundo o IBGE e dados de diferentes estudos acadêmicos, o número de órfãos pode ir de 800 a mais de 1200. “Essas crianças não podem ser invisíveis.

Elas precisam ser vistas, cuidadas e acompanhadas. Precisam de políticas públicas que não apenas reparem, mas que reconstruam”, acrescentou.
A deputada encerrou sua participação reforçando a importância da continuidade do trabalho conjunto entre os poderes e instituições:
“Seguirei ao lado do Ministério Público, do Governo e dessa rede de promotores e promotoras que têm feito a diferença. Este é apenas o primeiro passo de uma caminhada que exige vigilância, articulação e sensibilidade.”

Delegada trata sobre feminicídio e rede de proteção no programa ‘Toda Mulher’

Agência Assembleia/ Foto: Wesley Ramos

Assista à entrevista na íntegra

O programa ‘Toda Mulher’ desta quarta-feira (26), na TV Assembleia, recebeu a delegada Wanda Moura, chefe do Departamento de Feminicídio da Polícia Civil do Maranhão. Ela tratou sobre os fatores que têm levado ao aumento dos casos de feminicídio e, também, sobre ações de prevenção e rede de proteção à mulher.

“A partir da Lei de Feminicídio (Lei 13.104/2015), a gente conseguiu dar visibilidade à forma como nós, mulheres, somos mortas e, a partir disso, desenvolver políticas públicas para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher e também o feminicídio”, afirmou.

Mesmo com ações de conscientização e fortalecimento da rede de proteção, o Maranhão é um dos nove estados onde uma mulher morre a cada 17 horas em razão de gênero. Em 2024, foram registrados 69 feminicídios e, somente nos três primeiros meses deste ano, 10 mulheres foram assassinadas.

“Que a gente tenha realmente uma educação pautada na igualdade de gênero, que meninas e meninos sejam educados, e sabendo que nós temos direitos iguais, as diferenças existentes entre homens e mulheres são biológicas e não podem justificar a desigualdade de direitos. É necessário que a gente realmente fortaleça essa Educação pautada na igualdade de gênero”, argumentou.

A delegada também comentou legislação em vigor no Maranhão de proteção à mulher. Uma delas foi a Lei 12.118/2024, de autoria da deputada Daniella (PSB), que proíbe o uso de imagem da vítima pelo acusado do crime.

“É muito importante, a gente consegue enxergar todos esses avanços, vindos principalmente dessas legislações feitas para proteger a mulher em situação de violência”, destacou.

Apresentado pela jornalista Márcia Carvalho, o programa ‘Toda Mulher’ é exibido às quartas-feiras, às 15h, na TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309).

Neto Evangelista alerta sobre casos de feminicídio em Cururupu e apela às famílias que denunciem

Agência Assembleia/ Foto: Biaman Prado

O deputado Neto Evangelista (União) alertou, na sessão desta quinta-feira (16), na Assembleia Legislativa, sobre os casos de feminicídio ocorridos, em curto espaço de tempo, no município de Cururupu.

Segundo o deputado, primeiro foi a Yasmin, depois Jéssica e, por último, a Luandra que perderam a vida ceifada pelo companheiro. Ele fez um apelo a todas as famílias que passam por essa situação.

“Se vislumbrar algum tipo de violência contra a mulher, não hesite em procurar o Sistema de Segurança e pedir uma medida protetiva. Aqui, no Maranhão, nenhuma mulher com medida protetiva de urgência teve sua vida ceifada”, afirmou.

Patrulha Maria da Penha

Neto Evangelista destacou que, no Maranhão, o Sistema de Segurança, graças à atuação da Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, tem funcionado na garantia da ordem e da segurança dessas mulheres que têm medida protetiva de urgência.

O parlamentar alertou para o que denominou de roteiro que antecede o feminicídio. “Na maioria dos casos, tudo começa com um desrespeito verbal, por uma violência psicológica, uma agressão física e termina com o feminicídio.

Alerta

Por fim, Neto Evangelista deixou um recado a todos aqueles que acham que podem tocar o dedo em uma mulher, principalmente ao assassino de Yasmin.

“O feminicida de Yasmin vai ser condenado e vai servir de exemplo para vocês que acham que podem tocar o dedo em uma mulher. Não podemos mais permitir que isso aconteça nas famílias maranhenses. O feminicídio em Cururupu não vai se criar, como no Maranhão também não”, finalizou.

Neto Evangelista denunciou casos de feminicídio ocorridos em curto espaço de tempo, no município de Cururupu

‘Café com Notícias’ – Delegada Wanda Moura fala da missão de dirigir Casa da Mulher Brasileira

Agência Assembleia

Clique aqui e assista à íntegra da entrevista

Chefe do Departamento de Feminicídio da Polícia Civil, a delegada Wanda Moura assumiu recentemente também a direção da Casa da Mulher Brasileira em São Luís. Em entrevista ao programa ‘Café com Notícias’ desta quarta-feira (17), na TV Assembleia, ela falou sobre a nova função, a marca que pretende deixar no órgão e ações de segurança.

“Na verdade, enquanto chefe do Departamento de Feminicídio, eu já estava à frente, juntamente com a delegada Kazumi Tanaka, de várias ações de prevenção da violência contra a mulher. Porque o feminicídio só é combatido se a gente trabalhar de forma educativa, levando informação. Não basta apenas as ações de repressão. A Polícia Civil já fazia esse trabalho de prevenção e, agora, assumindo essa nova missão, a gente vai intensificar ainda mais essas ações”, observou.

A meta do trabalho, a delegada deixa clara: “O nosso objetivo é alcançar mais mulheres e proteger mais mulheres”.

Wanda Moura afirmou que, segundo estudos, a mulher leva de 7 a 10 anos dentro de um relacionamento abusivo até que ela venha a denunciar. “Um caso típico desse foi o feminicídio que ocorreu semana passada aqui em São Luís, o da Idelany. Ela estava há 10 anos em um relacionamento abusivo. Uma menina muito jovem, de apenas 29 anos, e não convivia com o namorado, não tinha essa convivência marital, mas já sofria violência psicológica, várias traições e acabou sendo morta dentro da casa dela”, relatou sobre a morte de Idelany do Nascimento Pestana, na área Itaqui-Bacanga.

A delegada reforçou que o problema da violência contra a mulher é reflexo de uma sociedade patriarcal, que ainda não garante direitos plenos ao feminino.

“A gente vive numa sociedade machista, na qual todas essas violências contra nós, mulheres, são invisibilizadas, são naturalizadas, e nós somos ensinadas, desde sempre, a aceitar o mínimo, a não reclamar de nada, a silenciar, a abrir mão de nossos desejos para servir ao homem”, assinalou Wanda Moura.

Serviços

A diretora da Casa da Mulher Brasileira destacou, também, os serviços oferecidos no espaço. “Estão ali concentrados os principais órgãos que trabalham no enfrentamento da violência contra a mulher. Temos a Delegacia da Mulher, com funcionamento 24 horas. O psicossocial também já está funcionando 24 horas. A gente pretende intensificar esse fluxo de forma que ela tenha um atendimento cada vez mais humanizado e mais acolhedor”, ressaltou.

Ela elencou órgãos presentes na Casa, como a Defensoria Pública, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal, que protege o alojamento de passagem. “A mulher que está vivendo um relacionamento abusivo, nos procure o mais rápido possível. Existe saída, existe vida sem violência, existe essa possibilidade”, destacou.

O ‘Café com Notícias’ tem apresentação da jornalista Elda Borges e é exibido de segunda a sexta-feira, às 9h, na TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal17; e Sky, canal 309).