Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio é debatido no ‘Contraplano’

Agência Assembleia

O Brasil registra, em média, quatro feminicídios por dia. O dado alarmante abriu o debate do programa ‘Contraplano’, que foi ao ar nesta terça-feira (24), pela TV Assembleia. Na pauta, o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio e os desafios para transformar o compromisso formal em ações concretas.

Participaram da edição a advogada e militante dos direitos das mulheres Sânya Aquino; a chefe do Departamento de Feminicídio do Maranhão, delegada Wanda Moura; e o major da Polícia Militar do Maranhão e professor de Direito Penal, Lucas Cardozo.

O pacto pretende unir os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário no enfrentamento ao feminicídio. O documento prevê celeridade nas medidas protetivas, fortalecimento da rede de proteção, integração de dados, responsabilização efetiva e transformação da cultura institucional. No entanto, como ressaltado no programa, a integração entre poderes envolve desafios como competências distintas, limites legais e autonomia institucional.

Para Sânya Aquino, o momento representa um marco na postura do Estado brasileiro diante da violência de gênero. “Pela primeira vez, o Estado brasileiro se coloca à frente, de fato, desse problema, que não é um problema das mulheres, mas uma problemática social”, afirmou.

Segundo Aquino, o pacto sinaliza uma tentativa de enfrentamento mais estruturado e não apenas ações paliativas. “O Estado brasileiro assume esse papel de buscar enfrentar verdadeiramente e não apenas com paliativos que nem sempre resolvem a situação”, completou.

A advogada também alertou para a necessidade de orçamento para que o pacto saia do papel. “Política pública não se faz sem orçamento. Política pública sem orçamento não existe”, destacou.

Ela citou exemplos de recursos previstos que não foram integralmente utilizados e cobrou comprometimento efetivo dos entes federativos. “É necessário que municípios, estados, União e os poderes que formam a República, de fato, queiram e entendam que não tem mais como conviver com uma pandemia social como é o feminicídio”, disse.

Sânya Aquino ainda chamou atenção para os impactos sociais da violência. “O impacto é naquela criança que vê a sua mãe sendo morta. Ela vai carregar não apenas um trauma psicológico, mas uma questão pessoal que pode influenciar todo o seu futuro”, pontuou, defendendo que o pacto não se restrinja ao discurso político, especialmente em ano eleitoral.

Acolhimento

A delegada Wanda Moura abordou a estrutura de atendimento às mulheres vítimas de violência no Maranhão. Atualmente, o estado conta com 22 Delegacias Especiais da Mulher, número que, segundo ela, ainda é insuficiente. “Esse número não é certamente suficiente para suprir essa carência”, afirmou.

Como alternativa, a Polícia Civil vem criando núcleos especializados no interior do estado. “Garantimos um atendimento acolhedor, privativo e respeitoso. A mulher não vai para a permanência como as outras pessoas, ela vai direto para uma sala especializada e é atendida por outra mulher”, explicou.

Wanda Moura destacou que houve avanços na humanização do atendimento após a Lei Maria da Penha. “Antes havia realmente uma rejeição. A mulher só ia à delegacia no último caso, porque se sentia maltratada ou não atendida às suas demandas”, lembrou.

Hoje, segundo ela, há uma exigência de capacitação dos profissionais. “Todo profissional que trabalha no enfrentamento à violência contra a mulher precisa ter conhecimento da realidade, das desigualdades de gênero, do machismo, da misoginia, para entender a situação que aquela mulher está trazendo e dar a proteção que ela necessita”, afirmou.

A delegada também ressaltou que a desinformação ainda é um obstáculo. “Com certeza ainda existe muita falta de conhecimento. Mesmo com acesso à internet, ainda há desinformação”, observou. Um dos eixos do pacto, segundo ela, é justamente a intensificação de campanhas educativas de prevenção.

Avanço

Já o major Lucas Cardozo enfatizou que o enfrentamento ao feminicídio não pode ser atribuído a apenas um dos poderes nem resolvido apenas com mudanças legislativas. “O Estado está querendo realmente enfrentar a questão de frente. Reconhece que não é problema de apenas um dos poderes e que nenhum deles vai resolver sozinho”, afirmou.

Ele destacou que o Brasil já possui legislação rigorosa sobre o tema. “Não vai ser somente com legislação que a gente vai resolver isso. Leis existem. Inclusive nós temos o feminicídio hoje com a maior pena prevista no ordenamento jurídico para um crime”, pontuou. Para o oficial, o desafio está na efetividade. “Nós precisamos aperfeiçoar todo o sistema para que possa ter efetividade”, concluiu.

O debate no Contraplano evidenciou que, embora o Pacto Nacional de Prevenção ao Feminicídio represente um avanço institucional, sua eficácia dependerá da integração real entre os poderes, da garantia de recursos e da continuidade das ações de prevenção, acolhimento e responsabilização. Diante de uma média de quatro mulheres assassinadas por dia no país, os convidados reforçaram que o enfrentamento ao feminicídio exige compromisso permanente e ação coordenada do Estado e da sociedade.

‘Café com Notícias’: Maranhão teve queda de 25% em casos de feminicídios em 2025

Agência Assembleia / Foto: Kristiano Simas

O Maranhão registrou uma redução de aproximadamente 25% nos casos de feminicídio em 2024 e 2025, passando de 69 para 51 ocorrências. O dado foi destaque da entrevista com a delegada Wanda Moura Leite, chefe do Departamento de Feminicídios do Maranhão, exibida nesta quarta-feira (28), no programa Café com Notícias, da TV Assembleia.

Segundo a delegada, o resultado contrasta com o cenário nacional, que apresentou alta histórica nos índices desse tipo de crime. “Enquanto o Brasil registrou a maior taxa de feminicídios, o Maranhão conseguiu preservar 18 vidas. Isso é resultado de um trabalho articulado de toda a rede de proteção”, afirmou.

Durante a entrevista, Wanda Moura reforçou que a maioria das vítimas de feminicídio não chegaram a pedir ajuda. “O silêncio só ajuda o opressor”, declarou. Ela explicou que a violência doméstica costuma seguir um ciclo progressivo. “Nunca é só uma vez”, alertou, destacando que, em média, a mulher permanece cerca de sete anos em uma relação abusiva antes de conseguir romper ou se tornar vítima de feminicídio.

A delegada também fez um apelo para que familiares, vizinhos e a comunidade denunciem situações de risco. As ocorrências podem ser comunicadas pelos números 190 (emergência) e 181 (denúncia anônima). “A polícia atende com prioridade total quando há risco à vida da mulher”, ressaltou.

Questionada sobre a permanência de crenças culturais que desestimulam a intervenção em casos de violência doméstica, a delegada foi direta o apontar o machismo estrutural como fator decisivo. Segundo ela, ainda persiste a ideia equivocada de que a mulher permanece na relação porque quer. “Ela é vista como propriedade”, afirmou.

A delegada observou, ainda, que datas comemorativas, como Natal, Ano Novo e Dia das Mães, são períodos críticos, quando os casos de agressão aumentam, principalmente por ocorrerem dentro de casa.

Sororidade

Outro ponto enfatizado foi a importância da sororidade, entendida como a união entre mulheres para romper o isolamento das vítimas. “A competição entre mulheres foi ensinada culturalmente. Precisamos fortalecer a rede de apoio entre nós”, disse.

A delegada também informou que a Medida Protetiva de Urgência pode ser solicitada de forma on-line, pelos sites do Tribunal de Justiça, da Defensoria Pública ou do Ministério Público, sem necessidade de comparecimento imediato à delegacia.

Atendimento inclusivo e interiorização da rede

A Casa da Mulher Brasileira, segundo Wanda Moura, atende mulheres trans e lésbicas sem qualquer diferenciação. Em 2025, o Maranhão não registrou casos de feminicídio de mulheres trans.

No interior do estado, onde não há unidade física da Casa da Mulher, a Polícia Civil tem realizado capacitações para ampliar a rede de acolhimento. Igrejas também estão sendo envolvidas no processo. “Padres e pastores estão sendo sensibilizados para atuarem como pontos de apoio”, explicou.

‘Café com Notícias’ debate crescimento da violência de gênero e impacto das redes sociais

Agência Assembleia/ Foto: JR Lisboa

O ‘Café com Notícias’ desta quinta-feira (11), na TV Assembleia, dedicou a edição ao debate sobre o aumento da violência de gênero e o papel das redes sociais na amplificação desse cenário. A convidada foi a professora Wanessa Soares, mestra e doutoranda em Letras, cuja pesquisa acadêmica aborda a dinâmica discursiva da violência contra a mulher.

Segundo a especialista, desde 2023 é possível observar uma intensificação expressiva da circulação de discursos ligados à violência de gênero nas redes sociais. “O que antes aparecia de forma mais discreta ganhou força. Em 2025, especialmente nas últimas semanas, o volume de conteúdos no Instagram cresceu de maneira marcante”, afirmou.

A pesquisadora destacou que o episódio envolvendo o atropelamento de uma jovem funcionou como catalisador para essa onda de publicações e debates. “Houve uma mobilização significativa de mulheres em todo o país, resultando em atos públicos que exigiam políticas públicas mais eficazes e para reafirmar direitos básicos que ainda precisam ser garantidos para nós”.

Reações contráriias

Wanessa Soares também chamou atenção para as reações contrárias às mobilizações. “São comentários marcados por misoginia e pela reprodução de padrões patriarcais. Muitas postagens tentam minimizar a gravidade das denúncias, classificando manifestações como exagero. É um movimento cultural que busca deslegitimar a luta das mulheres”, apontou.

Para ilustrar a dimensão do problema, a entrevistada lembrou que, no mesmo dia em que ocorreram atos em cerca de 90 cidades do país, dois feminicídios foram registrados. Outro caso foi notificado no dia seguinte, reforçando a urgência do tema. Para ela, esses episódios mostram que o debate precisa avançar para além das redes sociais e se transformar em medidas concretas de proteção.

A professora destacou que compreender as dinâmicas discursivas e sociais que alimentam a violência é fundamental para enfrentá-la. “As manifestações são importantes, mas é preciso que elas encontrem resposta em políticas públicas consistentes. Sem isso, continuaremos assistindo a uma escalada de casos que poderia e deveria ser contida”, concluiu.

‘Diário da Manhã’ – Kazumi Tanaka fala sobre ações da Semana de Combate ao Feminicídio

Agência Assembleia/ Foto: JR Lisboa

A coordenadora das Delegacias da Mulher no Maranhão, Kazumi Tanaka, falou sobre as principais ações da Semana de Combate ao Feminicídio no Estado, em entrevista ao programa ‘Diário da Manhã’, com transmissão simultânea pelas Rádio Assembleia (96,9 FM), e TV Assembleia, nesta terça-feira (11).

Na conversa com o radialista e apresentador Henrique Pereira, a delegada contou que, embora seja chamada de “semana”, a mobilização segue ao longo de todo o mês de novembro, com uma extensa agenda de ações. O Dia D da campanha está marcado para 13 de novembro, quando será realizada uma grande mobilização estadual com palestras simultâneas em diversas cidades do Maranhão, com foco também nas vítimas do feminicídio.

Kazumi Tanaka detalhou que as atividades foram iniciadas na terça-feira (4), pela Polícia Civil do Maranhão (PC-MA), em parceria com a Casa da Mulher Brasileira e o Instituto Somos Todos Marianas.

“Decidimos estender pelo mês inteiro, pois temos uma série de demandas que precisam ser atendidas. O principal objetivo é intensificar ações preventivas e educativas voltadas ao enfrentamento de todas as formas de violência contra a mulher, com ênfase no feminicídio, a expressão mais extrema da violência de gênero. Buscamos sensibilizar a sociedade sobre os diferentes tipos de violência, divulgar os canais de denúncia disponíveis e fortalecer o acesso das vítimas às redes de apoio e proteção”, afirmou.

A delegada contou ainda que, no dia 15 de novembro, haverá, na Avenida Litorânea, em São Luís, mais uma edição da Corrida de Combate ao Feminicídio, que deve reunir centenas de participantes em apoio à causa; e que a união entre as instituições públicas, movimentos sociais e entidades civis, reafirma o compromisso do Maranhão em promover políticas de proteção, prevenção e acolhimento às mulheres, fortalecendo a cultura do respeito e da igualdade de gênero.

Em transmissão simultânea e ao vivo, o ‘Diário da Manhã’ pode ser acompanhado de segunda a sexta-feira, das 9h às 9h30, pela Rádio Assembleia (96.9 FM) e pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), além do canal do Youtube.

Deputada Daniella participa de lançamento do projeto de amparo a órfãos do feminicídio promovido pelo Ministério Público

Agência Assembleia

A deputada estadual Daniella (PSB) participou, nesta segunda-feira (3), do lançamento do projeto “Órfãos do Feminicídio: Sem Desamparo – Ministério Público garantindo direitos de quem ficou”, promovido pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA). O evento, realizado na sede da Procuradoria-Geral de Justiça, em São Luís, reuniu promotores, autoridades e representantes da sociedade civil.

A iniciativa marca o início de uma campanha de sensibilização voltada a promotores e promotoras de Justiça, universidades e à sociedade civil, com o objetivo de fortalecer ações de proteção, acompanhamento psicossocial e garantia de direitos de crianças e adolescentes que perderam suas mães em razão da violência contra a mulher.

Aliada do MPMA desde a elaboração do projeto e responsável pela proposta que deu origem ao Projeto de Lei que estabelece uma ajuda financeira a esses menores, Daniella destacou a importância da parceria entre o Ministério Público, o Governo do Estado e a Assembleia Legislativa para que o tema ganhasse espaço institucional e resultasse em políticas públicas efetivas.

“Quando o Ministério Público me apresentou essa proposta, ainda no início do ano, não tive dúvidas de que ela precisava ganhar voz e chegar aonde realmente pode transformar vidas. Por isso, formatei o texto enquanto anteprojeto e o levei ao governador Carlos Brandão. Hoje, ver esse tema avançando é a prova de que a boa política acontece quando as instituições se unem por um propósito comum”, afirmou a parlamentar.

Iniciativa

A deputada também ressaltou o protagonismo do Ministério Público e agradeceu o empenho dos promotores de justiça Sandra Fagundes, Sandro Lobato e Gleudson Malheiros, além do procurador-geral de justiça, Danilo José de Castro Ferreira, que conduzem a iniciativa dentro da instituição.

“O Ministério Público do Maranhão tem dado um exemplo de atuação republicana, técnica e sensível. Essa é uma causa que exige compromisso e coragem, e o MPMA mostrou que é possível construir soluções concretas quando o foco está na vida das pessoas”, ressaltou Daniella.

A campanha encabeçada pelo MPMA se soma à proposta do próprio órgão, levada pela deputada ao Executivo estadual, que resultou no envio à Assembleia Legislativa do projeto de lei que institui o Auxílio Financeiro aos Órfãos do Feminicídio — uma contrapartida estadual ao benefício federal, com o objetivo de oferecer suporte financeiro às famílias em situação de vulnerabilidade.

O projeto é coordenado pelos Centros de Apoio Operacional do Tribunal do Júri (CAO-JÚRI), da Infância e Juventude (CAO-IJ) e de Enfrentamento à Violência de Gênero (CAO-Mulher), e integra um conjunto de ações do MPMA para viabilizar a aplicação dos benefícios previstos na Lei Federal nº 14.717/2023 e no Decreto nº 12.636/2025.

Dignidade

Para Daniella, a medida representa um marco na política de proteção social do Maranhão.

“Não estamos falando apenas de um auxílio financeiro. Estamos falando de dignidade, afeto e oportunidade. Estamos criando um caminho novo para quem ficou”, destacou.

A parlamentar lembrou ainda que não há dados oficiais sobre o número de órfãos de vítimas do feminicídio no Estado do Maranhão. Mas, de 2019 até abril de 2025, 403 mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. Considerando taxa de natalidade das maranhenses segundo o IBGE e dados de diferentes estudos acadêmicos, o número de órfãos pode ir de 800 a mais de 1200. “Essas crianças não podem ser invisíveis.

Elas precisam ser vistas, cuidadas e acompanhadas. Precisam de políticas públicas que não apenas reparem, mas que reconstruam”, acrescentou.
A deputada encerrou sua participação reforçando a importância da continuidade do trabalho conjunto entre os poderes e instituições:
“Seguirei ao lado do Ministério Público, do Governo e dessa rede de promotores e promotoras que têm feito a diferença. Este é apenas o primeiro passo de uma caminhada que exige vigilância, articulação e sensibilidade.”

Delegada trata sobre feminicídio e rede de proteção no programa ‘Toda Mulher’

Agência Assembleia/ Foto: Wesley Ramos

Assista à entrevista na íntegra

O programa ‘Toda Mulher’ desta quarta-feira (26), na TV Assembleia, recebeu a delegada Wanda Moura, chefe do Departamento de Feminicídio da Polícia Civil do Maranhão. Ela tratou sobre os fatores que têm levado ao aumento dos casos de feminicídio e, também, sobre ações de prevenção e rede de proteção à mulher.

“A partir da Lei de Feminicídio (Lei 13.104/2015), a gente conseguiu dar visibilidade à forma como nós, mulheres, somos mortas e, a partir disso, desenvolver políticas públicas para combater a violência doméstica e familiar contra a mulher e também o feminicídio”, afirmou.

Mesmo com ações de conscientização e fortalecimento da rede de proteção, o Maranhão é um dos nove estados onde uma mulher morre a cada 17 horas em razão de gênero. Em 2024, foram registrados 69 feminicídios e, somente nos três primeiros meses deste ano, 10 mulheres foram assassinadas.

“Que a gente tenha realmente uma educação pautada na igualdade de gênero, que meninas e meninos sejam educados, e sabendo que nós temos direitos iguais, as diferenças existentes entre homens e mulheres são biológicas e não podem justificar a desigualdade de direitos. É necessário que a gente realmente fortaleça essa Educação pautada na igualdade de gênero”, argumentou.

A delegada também comentou legislação em vigor no Maranhão de proteção à mulher. Uma delas foi a Lei 12.118/2024, de autoria da deputada Daniella (PSB), que proíbe o uso de imagem da vítima pelo acusado do crime.

“É muito importante, a gente consegue enxergar todos esses avanços, vindos principalmente dessas legislações feitas para proteger a mulher em situação de violência”, destacou.

Apresentado pela jornalista Márcia Carvalho, o programa ‘Toda Mulher’ é exibido às quartas-feiras, às 15h, na TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309).

Neto Evangelista alerta sobre casos de feminicídio em Cururupu e apela às famílias que denunciem

Agência Assembleia/ Foto: Biaman Prado

O deputado Neto Evangelista (União) alertou, na sessão desta quinta-feira (16), na Assembleia Legislativa, sobre os casos de feminicídio ocorridos, em curto espaço de tempo, no município de Cururupu.

Segundo o deputado, primeiro foi a Yasmin, depois Jéssica e, por último, a Luandra que perderam a vida ceifada pelo companheiro. Ele fez um apelo a todas as famílias que passam por essa situação.

“Se vislumbrar algum tipo de violência contra a mulher, não hesite em procurar o Sistema de Segurança e pedir uma medida protetiva. Aqui, no Maranhão, nenhuma mulher com medida protetiva de urgência teve sua vida ceifada”, afirmou.

Patrulha Maria da Penha

Neto Evangelista destacou que, no Maranhão, o Sistema de Segurança, graças à atuação da Patrulha Maria da Penha, da Polícia Militar, tem funcionado na garantia da ordem e da segurança dessas mulheres que têm medida protetiva de urgência.

O parlamentar alertou para o que denominou de roteiro que antecede o feminicídio. “Na maioria dos casos, tudo começa com um desrespeito verbal, por uma violência psicológica, uma agressão física e termina com o feminicídio.

Alerta

Por fim, Neto Evangelista deixou um recado a todos aqueles que acham que podem tocar o dedo em uma mulher, principalmente ao assassino de Yasmin.

“O feminicida de Yasmin vai ser condenado e vai servir de exemplo para vocês que acham que podem tocar o dedo em uma mulher. Não podemos mais permitir que isso aconteça nas famílias maranhenses. O feminicídio em Cururupu não vai se criar, como no Maranhão também não”, finalizou.

Neto Evangelista denunciou casos de feminicídio ocorridos em curto espaço de tempo, no município de Cururupu

‘Café com Notícias’ – Delegada Wanda Moura fala da missão de dirigir Casa da Mulher Brasileira

Agência Assembleia

Clique aqui e assista à íntegra da entrevista

Chefe do Departamento de Feminicídio da Polícia Civil, a delegada Wanda Moura assumiu recentemente também a direção da Casa da Mulher Brasileira em São Luís. Em entrevista ao programa ‘Café com Notícias’ desta quarta-feira (17), na TV Assembleia, ela falou sobre a nova função, a marca que pretende deixar no órgão e ações de segurança.

“Na verdade, enquanto chefe do Departamento de Feminicídio, eu já estava à frente, juntamente com a delegada Kazumi Tanaka, de várias ações de prevenção da violência contra a mulher. Porque o feminicídio só é combatido se a gente trabalhar de forma educativa, levando informação. Não basta apenas as ações de repressão. A Polícia Civil já fazia esse trabalho de prevenção e, agora, assumindo essa nova missão, a gente vai intensificar ainda mais essas ações”, observou.

A meta do trabalho, a delegada deixa clara: “O nosso objetivo é alcançar mais mulheres e proteger mais mulheres”.

Wanda Moura afirmou que, segundo estudos, a mulher leva de 7 a 10 anos dentro de um relacionamento abusivo até que ela venha a denunciar. “Um caso típico desse foi o feminicídio que ocorreu semana passada aqui em São Luís, o da Idelany. Ela estava há 10 anos em um relacionamento abusivo. Uma menina muito jovem, de apenas 29 anos, e não convivia com o namorado, não tinha essa convivência marital, mas já sofria violência psicológica, várias traições e acabou sendo morta dentro da casa dela”, relatou sobre a morte de Idelany do Nascimento Pestana, na área Itaqui-Bacanga.

A delegada reforçou que o problema da violência contra a mulher é reflexo de uma sociedade patriarcal, que ainda não garante direitos plenos ao feminino.

“A gente vive numa sociedade machista, na qual todas essas violências contra nós, mulheres, são invisibilizadas, são naturalizadas, e nós somos ensinadas, desde sempre, a aceitar o mínimo, a não reclamar de nada, a silenciar, a abrir mão de nossos desejos para servir ao homem”, assinalou Wanda Moura.

Serviços

A diretora da Casa da Mulher Brasileira destacou, também, os serviços oferecidos no espaço. “Estão ali concentrados os principais órgãos que trabalham no enfrentamento da violência contra a mulher. Temos a Delegacia da Mulher, com funcionamento 24 horas. O psicossocial também já está funcionando 24 horas. A gente pretende intensificar esse fluxo de forma que ela tenha um atendimento cada vez mais humanizado e mais acolhedor”, ressaltou.

Ela elencou órgãos presentes na Casa, como a Defensoria Pública, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Patrulha Maria da Penha e Guarda Municipal, que protege o alojamento de passagem. “A mulher que está vivendo um relacionamento abusivo, nos procure o mais rápido possível. Existe saída, existe vida sem violência, existe essa possibilidade”, destacou.

O ‘Café com Notícias’ tem apresentação da jornalista Elda Borges e é exibido de segunda a sexta-feira, às 9h, na TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal17; e Sky, canal 309).