Agência Assembleia
A menopausa, por muito tempo cercada de preconceitos e silêncios, ganhou espaço de diálogo e acolhimento no programa Toda Mulher, exibido nesta quarta-feira (26) pela TV Assembleia. A convidada foi a ginecologista clínica, integrativa, regenerativa e funcional Janeliza Cavalcante, que apresentou orientações e reforçou a importância de enxergar essa fase como uma oportunidade de autoconhecimento e renascimento.
Logo no início da entrevista, a médica ressaltou que a menopausa não deve ser encarada como o fim, mas como transformação. “A menopausa não é doença. Ela é um ciclo natural da vida feminina, marcado por mudanças no corpo e pela necessidade de atenção especial à saúde física e emocional”, destacou.
Segundo a ginecologista, muitas mulheres descobrem novas possibilidades afetivas e sexuais nesse período, mas há também a falta de informação, o que gera sofrimento e isolamento. “A falta de informação traz muito prejuízo. Muitas vezes a mulher sofre calada, com vergonha de falar até com o próprio parceiro sobre coisas simples, como o ressecamento vaginal”, relatou. Segundo ela, esse silêncio pode comprometer a saúde.
Sintomas
A médica explicou que os sintomas da menopausa vão muito além dos tradicionais “calorões”. “Hoje, o que você sentir de diferente, coloca na conta da menopausa. Irritabilidade, insônia, fadiga, alterações de memória, zumbido no ouvido, ressecamento da pele, queda de cabelo, mudanças de humor, etc. Cada mulher é única, e cada uma vai viver sua menopausa de um jeito diferente”, ressaltou.
A fadiga, segundo a médica, é um dos sinais mais comuns e muitas vezes confundido com baixa libido. “A mulher chega cansada, sem energia para nada, e acha que perdeu a libido. Mas o problema é falta de energia, não de desejo. A libido é energia para a vida, para o sexo, para tudo”, explicou.
Sobre a reposição hormonal, a especialista destacou as mudanças recentes e a importância do acompanhamento médico. “Não vamos ter medo de repor hormônio. A reposição previne osteoporose, problemas cardiovasculares, síndrome metabólica e até Alzheimer. O risco do câncer de mama existe sim, mas ele é muito menor que os benefícios, quando a reposição é feita com orientação”, esclareceu.
A médica também ressaltou que cada organismo reage de forma diferente e que não existe fórmula padrão. “Na internet, você vê uma fórmula pronta, mas não é assim. Tudo é individual. Hoje, a reposição é personalizada. O especialista é quem vai dizer qual hormônio, qual dose e se você realmente precisa”, afirmou.
Prevenção
Ela defendeu ainda que os cuidados devem começar cedo, especialmente a partir dos 40 anos. “A partir dos 40, é hora de se observar. Gosto de pedir densitometria e outros exames, porque é aí que a gente começa a organizar a base. Muitas mulheres chegam com osteopenia nessa idade porque nunca fizeram trabalho muscular ou cuidaram do corpo adequadamente”, explicou.
Encerrando a entrevista, a médica reforçou o papel do conhecimento e da escolha consciente. “A vida da gente é feita de escolhas. A pior coisa é não ter escolha. Quando você tem informação, você pode decidir. E menopausa não é fim, é recomeço”, concluiu.
O programa ‘Toda Mulher’ vai ao ar todas as quartas-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), com reprise na programação da emissora. A atração também pode ser vista pelo canal do Youtube.