“Ditado ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’ precisa ser definitivamente abandonado”, afirma Coronel Chagas no Café com Notícias

Agência Assembleia / Foto: Kristiano Simas

O programa Café com Notícias desta sexta-feira (9) abordou o enfrentamento ao feminicídio no Maranhão. Em entrevista à apresentadora Elda Borges, o coordenador da Patrulha Maria da Penha da Polícia Militar do Maranhão, Coronel Chagas, detalhou os dados mais recentes, as estratégias de prevenção e o papel decisivo da rede de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica, destacando avanços concretos alcançados no estado.

De acordo com o Coronel Chagas, nenhuma das 50 mulheres vítimas de feminicídio em 2025 estava sob acompanhamento da Patrulha. “Nenhuma das 50 mulheres que foram vítimas de feminicídio em 2025 possuía medida protetiva acompanhada pela Patrulha Maria da Penha”, afirmou, reforçando que o monitoramento garante 100% de sobrevivência às mulheres assistidas.

O coordenador destacou que o feminicídio, na maioria das vezes, ocorre dentro do próprio lar e é praticado por companheiros ou ex-companheiros, o que torna o combate ainda mais complexo. Para ele, romper o ciclo da violência exige compreender por que tantas mulheres permanecem em silêncio. “A mulher sofre muito antes de procurar ajuda. Existe o medo, a dependência econômica e, muitas vezes, a esperança de que o agressor mude”, explicou.

Durante a entrevista, o comandante chamou atenção para a responsabilidade coletiva no enfrentamento à violência doméstica, criticando a cultura de omissão que ainda persiste na sociedade. Ele foi enfático ao afirmar que o velho ditado de que “em briga de marido e mulher não se mete a colher” precisa ser definitivamente abandonado. 

“Se você ouve um grito ou um barulho estranho no vizinho, ligue 190. Você pode estar salvando uma vida. Ninguém quer apanhar, ninguém quer ser humilhada. Ela está é presa em um ciclo que precisa de ajuda externa para ser quebrado”, disse.

App Salve Maria

Outro ponto destacado foi o uso da tecnologia como aliada na proteção das mulheres. O coronel explicou o funcionamento do aplicativo Salve Maria, que permite o acionamento imediato da Polícia Militar com envio da localização por GPS. A ferramenta, segundo ele, tem sido decisiva para respostas rápidas. 

Além disso, ressaltou que a Patrulha Maria da Penha já conta com 23 unidades no estado e que, nos municípios onde não há estrutura física, a Polícia Militar local está capacitada para fiscalizar medidas protetivas.

Chagas destacou, ainda, o papel fundamental dos profissionais de saúde na identificação silenciosa das vítimas. Em muitos casos, a mulher chega ao hospital acompanhada do agressor, e sinais sutis, como o medo no olhar ou o pedido de socorro com a mão, são um pedido de socorro, e os profissionais devem acionar a rede de proteção.

No campo institucional, o coronel ressaltou o apoio da Assembleia Legislativa do Maranhão como fator essencial para o fortalecimento das políticas públicas. Ele destacou a atuação da bancada feminina, composta por 12 deputadas, e o apoio da presidente da Casa, deputada Iracema Vale, na criação de leis e na destinação de recursos voltados ao combate à violência de gênero.

Deputado Antônio Pereira solicita implantação da Patrulha Maria da Penha na Região Tocantina

Assecom / Dep. Antônio Pereira

Na sessão plenária desta quinta-feira (18), o deputado estadual Antônio Pereira (PSB) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa do Maranhão para apresentar indicação ao governador Carlos Brandão, solicitando a criação e implantação da Patrulha Maria da Penha na 3ª Companhia do 32º Batalhão de Polícia Militar, em Cidelândia, na Região Tocantina.

De acordo com o parlamentar, a iniciativa será realizada em parceria com a Prefeitura de Vila Nova dos Martírios e com a Secretaria de Estado de Segurança Pública. O objetivo é garantir maior proteção às mulheres vítimas de violência doméstica, fiscalizando o cumprimento de medidas protetivas judiciais, oferecendo apoio e reforçando a segurança.

Antônio Pereira destacou que a demanda foi levada até ele pela vereadora  Lia e pela ex-prefeita de Vila Nova dos Martírios, Karla Batista, que já haviam apresentado e aprovado projeto semelhante na Câmara Municipal de Vila Nova.

“A Patrulha Maria da Penha é de grande importância, principalmente diante dos problemas enfrentados em relação à violência doméstica persistente. Nosso pedido reforça o compromisso de proteger as mulheres da Região Tocantina”, afirmou o deputado.

A Patrulha Maria da Penha já atua em diversos municípios do Maranhão e, segundo o parlamentar, a sua expansão para Cidelândia e Vila Nova dos Martírios representa um avanço significativo no enfrentamento à violência contra a mulher na região.