Violência doméstica e prevenção são destaque no programa ‘Toda Mulher’

Agência Assembleia

O programa Toda Mulher, exibido nesta quarta-feira (4) pela TV Assembleia, abriu espaço para um debate urgente e necessário sobre a violência doméstica no Brasil. A convidada da edição foi a juíza auxiliar da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do Maranhão, Karine Castro, que destacou a importância da prevenção, da informação e do fortalecimento da rede de apoio às vítimas.

Dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em 2025, apontam que, em um período de 12 meses, cerca de 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência. Também foram contabilizados milhares de casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, enquanto os números de feminicídio permanecem alarmantes. 

Durante a entrevista, a juíza Karine Castro chamou atenção para a complexidade dos casos, especialmente em municípios menores, onde as relações são mais próximas. “São muitas situações complexas e particulares. Em municípios menores, as pessoas se conhecem, todos se conhecem. Por isso, as palestras e ações educativas devem ser feitas com toda a comunidade, para que a denúncia e a medida protetiva tenham mais efeito”, afirmou.

Ela ressaltou que muitas vítimas não conseguem identificar que estão vivendo uma situação de violência. “Primeiro vem a culpa. A mulher se sente responsável pelo que está acontecendo. Depois, passa pela violência psicológica, que muitas vezes é silenciosa, até conseguir identificar que aquelas situações configuram violência doméstica”, explicou.

Desinformação é obstáculo

Segundo a magistrada, a desinformação ainda é um dos maiores obstáculos no enfrentamento ao problema. “Muitas vezes, as vítimas não enxergam que aquilo é violência. É muito importante educar sobre isso. As mulheres evitam pedir ajuda, e a violência doméstica tende a se agravar. O objetivo é prevenir, evitar que a situação chegue ao crime”, destacou.

Karine Castro também enfatizou que o enfrentamento à violência passa pela garantia de autonomia e segurança. “Precisamos refletir até onde a mulher vai se sentir segura e tranquila para fazer suas escolhas. A proteção precisa ser efetiva para que ela consiga romper o ciclo da violência”, concluiu.

A edição do Toda Mulher reforçou a importância da informação como ferramenta de transformação social e evidenciou o papel das instituições na construção de uma rede de proteção mais eficaz, capaz de acolher, orientar e proteger mulheres em situação de violência em todo o estado.

‘Toda Mulher’ destaca atuação da Defensoria Pública no enfrentamento à violência doméstica

Agência Assembleia

O fortalecimento da autonomia feminina e o enfrentamento à violência doméstica pautaram a entrevista da subdefensora-geral do Estado, Cristiane Marques, exibida nesta quarta-feira (25), no programa ‘Toda Mulher’, da TV Assembleia. À frente de iniciativas voltadas às mulheres na Defensoria Pública do Estado do Maranhão, ela detalhou os resultados do projeto ‘Te Alui Mulher’ e os desafios da instituição no atendimento à população vulnerável.

Cristiane ressaltou que o órgão vai além da atuação jurídica. Segundo ela, muitos assistidos chegam à instituição como último recurso, em situações que evidenciam desigualdades profundas.

A defensora explicou que, pela legislação, a Defensoria atende pessoas com renda de até três salários-mínimos, mas o critério não é absoluto. Ela também destacou o atendimento a grupos vulnerabilizados, como idosos, crianças em situação de risco e mulheres vítimas de violência doméstica.

E para amparar estas mulheres, o órgão implantou o projeto ‘Te Alui Mulher’, que atua de forma integrada, oferecendo não apenas medidas protetivas e orientação jurídica, mas também informação, capacitação e articulação com a rede de apoio. Ao todo, já foram realizadas 10 edições, ultrapassando quatro mil atendimentos. A próxima será em março, em São José de Ribamar.

“A violência doméstica é um problema estrutural. Não basta oferecermos acesso a uma medida protetiva. É preciso dar condições para que a mulher entenda quais são os direitos e reconheça que está sofrendo violência”, destacou Cristiane. Ela lembrou que, muitas vezes, a violência só é percebida quando chega à agressão física, embora existam sinais anteriores, como violência psicológica, patrimonial e digital.

Reconhecimento internacional

O impacto do projeto ultrapassou fronteiras. O ‘Te Alui Mulher’ foi premiado na ação ‘Servindo o Brasil’, que parte dos programas de impacto social da Brazil Conference at Harvard & MIT, que reconhece e valoriza servidores públicos de todas as esferas, que desenvolvem projetos inovadores, criativos e com alto impacto social. O evento será realizado no fim de março, na Universidade de Harvard e Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos.

“O Te Alui Mulher foi considerado um projeto inovador, uma referência no enfrentamento à violência doméstica. Em março, vamos apresentar o projeto em Harvard e estamos muito felizes”, comemorou a defensora.

Em junho, Cristiane Marques assumirá o cargo de defensora pública-geral do Estado, quando a Defensoria completará 25 anos. Ela será a terceira mulher de carreira a ocupar a função.

“É um peso, mas é uma responsabilidade que também é um sonho, fruto de muito trabalhado”, declarou. Mãe de duas crianças, ela reforçou a importância da representatividade feminina em espaços de decisão. “É puxado, mas é possível. E é muito recompensador também.”

Observatório do feminicídio

Durante a entrevista, a subdefensora destacou a parceria com a Assembleia Legislativa para implantação do Observatório do Feminicídio. A proposta, articulada com parlamentares, prevê análise qualitativa dos casos no Maranhão, considerando perfil das vítimas, dos agressores e histórico de violência.

“Se você consegue mapear a escalada dessa violência, saber onde há mais incidência e, assim, planejar uma política pública mais eficiente e atuar preventivamente”, explicou. Para Cristiane Marques, enfrentar o feminicídio exige dados, articulação institucional e compromisso contínuo. “Quando a gente trabalha com amor, empenho e compromisso de trazer resultados efetivos, os reconhecimentos vêm. Mas o mais importante é evitar que essas violências aconteçam”.

Programa ‘Toda Mulher’ destaca trajetória de Nelinha do Babaçu

Agência Assembleia

Empreendedorismo, sustentabilidade e justiça social se encontram na trajetória de Cornélia Rodrigues, a Nelinha do Babaçu. Ex-quebradeira de coco, filha de lavrador e referência internacional no empreendedorismo feminino negro, ela foi a entrevistada do programa ‘Toda Mulher’, exibido na quarta-feira (11), e compartilhou uma história marcada por luta, resistência e compromisso com a vida. O reconhecimento de sua caminhada ultrapassa fronteiras e ganhou também o Carnaval, ao se tornar tema da escola de samba Favela do Samba, de São Luís.

Natural do Maranhão, Nelinha começou a trabalhar ainda criança, aos 11 anos, como empregada doméstica e cozinheira, em busca de melhores condições para a família. Anos depois, transformou a vivência com o babaçu em um projeto de impacto social. Hoje, ela é sócia de uma empresa que desenvolve produtos derivados do coco babaçu, como farinha de mesocarpo, leite e creme, gerando renda para comunidades locais e promovendo a preservação ambiental.

Durante a entrevista, Nelinha destacou a importância histórica das quebradeiras de coco para a economia do Maranhão e denunciou o apagamento dessa contribuição ao longo do tempo. “É como se, de alguma forma, quisessem apagar uma história do Maranhão, e o protagonismo dessa história sempre foi das mulheres. Se não fossem elas, essa resistência não teria acontecido”, afirmou.

Ela lembrou que, por décadas, as mulheres foram responsáveis por manter uma cadeia produtiva fundamental para o estado. “Nos anos 1960, o Maranhão era um estado tão promissor quanto Rio de Janeiro ou São Paulo porque existia um produto entregue pelas mulheres. Elas eram responsáveis desde a coleta até a entrega das amêndoas para as fábricas”, ressaltou.

Nelinha também chamou atenção para a falta de reconhecimento do trabalho das quebradeiras como profissão. “Por que uma mulher que, com as mãos, é capaz de tirar frutos perfeitos, manter a floresta em pé e produzir com excelência, não é reconhecida como profissional?”, questionou. Segundo ela, essas mulheres dominam saberes ancestrais que envolvem manejo sustentável, preservação ambiental e produção consciente.

Ao falar sobre o babaçu, a empreendedora destacou o potencial integral do fruto. “O babaçu é o único do planeta em que tudo se transforma. Ele nasce, alimenta animais, ajuda na construção de casas, regenera o solo e gera produtos para diversas áreas, da alimentação à construção civil”, explicou. Para Nelinha, o fruto simboliza a relação equilibrada entre natureza e desenvolvimento humano.

Reconhecida como embaixadora da Brazil Conference 2025, realizada em Harvard, Nelinha defende que o combate à fome e à desigualdade passa pela valorização dos saberes locais. “Eu acredito muito mais em distribuir oportunidades do que apenas cestas básicas. A terra tem potencial de transformar vidas, e o babaçu é prova disso”, afirmou.

Ao se tornar tema de escola de samba, Nelinha do Babaçu vê sua história ganhar novos palcos e reforçar uma mensagem coletiva. A trajetória que começou nos babaçuais do Maranhão hoje inspira mulheres, movimenta economias locais e reafirma o papel das quebradeiras de coco como guardiãs da floresta, da cultura e do futuro.

O programa ‘Toda Mulher’ é apresentado por Márcia Carvalho, vai ao ar todas as quartas-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), com reprise na programação da emissora. A atração também pode ser vista pelo canal do Youtube.

Assista ao programa na íntegra: 

‘Toda Mulher’ celebra a força feminina no Carnaval maranhense

Agência Assembleia

O protagonismo feminino na preservação das tradições do Carnaval maranhense foi o tema do programa ‘Toda Mulher’, exibido nesta quarta-feira (4) pela TV Assembleia, com apresentação de Márcia Carvalho. A convidada foi a presidente do bloco tradicional Os Brasinhas, Silvana Fontenele, que compartilhou sua trajetória à frente da agremiação, que caminha para completar 50 anos de história em 2027. Este ano, a agremiação defende o tema ‘Xangô: quem não deve, não teme’.

Durante a entrevista, Silvana destacou que assumir a presidência do bloco, há quase três décadas, foi um grande desafio, marcado por resistência e superação em um espaço historicamente masculino. “Assim como a história da mulher, foi um desafio muito grande assumir o bloco. No começo não foi fácil, mas com força, vontade e garra a gente consegue”, afirmou.

À frente dos Brasinhas desde 1996, Silvana explicou que sua gestão vai além da organização do desfile e envolve um cuidado integral com todos os componentes. “A preocupação da mulher não é só com o bloco, mas com os músicos, a bateria, as crianças, a alimentação, a vestimenta. A gente pensa no todo e, também, nos detalhes”, ressaltou.

O amor pelo Carnaval e pela cultura popular é apontado por ela como a principal motivação para seguir comandando a brincadeira. “Às vezes eu deixo minha casa e minha família para estar com o bloco. Quando chega na passarela, o cansaço some. É um momento único, não tem explicação, é amor e paixão”, disse.

Na conversa, Silvana Fontenele também relembrou a origem do bloco Os Brasinhas, criado no bairro Desterro, e as transformações ao longo do tempo, especialmente no que diz respeito à participação feminina. “Quando eu cheguei, em 1989, não tinha mulheres nem crianças no bloco, era só homem. Hoje isso mudou, mas ainda encontramos barreiras por eu ser mulher”, contou.

Apesar dos avanços, ela reconhece que a presença feminina na liderança dos blocos tradicionais ainda é pequena. “São cerca de 26 blocos e apenas cinco ou seis são presididos por mulheres. Esse número ainda é pequeno, mas a tendência é aumentar”, avaliou.

Silvana também adiantou que o bloco já se prepara para celebrar os 50 anos, em 2027, com um tema especial. “Já existe um tema pensado e é uma história que eu vivi. Quando ouvi, me emocionei, porque representa tudo o que foi construído até aqui”, revelou.

Para a presidente dos Brasinhas, manter a tradição passa pelo respeito ao ritmo e à identidade do bloco. “A principal tradição é o nosso ritmo. A gente pode até ouvir influências, mas sempre tenta voltar à essência, porque é isso que nos mantém vivos”, explicou.

O programa ‘Toda Mulher’ vai ao ar todas as quartas-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), com reprise na programação da emissora. A atração também pode ser vista pelo canal do Youtube. 

‘Toda Mulher’ destaca pesquisa que monitora mães e bebês desde o parto e produz dados que orientam políticas públicas

Agência Assembleia

A forma como uma sociedade cuida de suas crianças desde o nascimento diz muito sobre o futuro que ela projeta. Foi a partir dessa perspectiva que o programa ‘Toda Mulher’, exibido nesta quarta-feira (28) pela TV Assembleia, recebeu a professora doutora Carolina de Carvalho, coordenadora da pesquisa Coortes de Nascimentos São Luís 2026, um dos mais importantes estudos em saúde materno-infantil já realizados no Maranhão.

Coordenada pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), por meio do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, a pesquisa acompanha mães e recém-nascidos desde o parto, com previsão de seguimento ao longo da vida. Trata-se da terceira coorte realizada na capital maranhense, dando continuidade a uma trajetória científica iniciada em 1997/1998 e retomada em 2010.

Segundo Carolina Carvalho, os estudos de coorte permitem compreender como fatores sociais, econômicos e de saúde interferem no desenvolvimento humano ao longo do tempo. “A gente costuma dizer que estudos como o nosso mostram como coisas que acontecem quando o bebê nasce, mas também antes mesmo do bebê nascer, podem influenciar a saúde dele por toda a vida”, destacou.

Estudo

A Coorte de Nascimentos São Luís 2026 acompanha, de forma inédita, cerca de metade dos nascimentos ocorridos na cidade ao longo do ano, por meio de sorteio aleatório realizado nas maternidades participantes. Ao todo, seis unidades integram o estudo, entre elas o Hospital Universitário Materno-Infantil e a Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão.

A abordagem inicial ocorre ainda no leito hospitalar, quando as mães são convidadas a participar da pesquisa. “A gente vai no melhor momento até o leito onde ela está, explica a relevância da pesquisa e como esse acompanhamento pode ajudar não só o bebê dela, mas outras mães, futuras gerações e até políticas públicas”, explicou a coordenadora.

As entrevistas duram cerca de 30 minutos e incluem informações sobre pré-natal, parto, condições socioeconômicas, escolaridade e saúde da gestante. “A situação socioeconômica da família é uma variável muito importante para nós, porque ajuda a entender em que contexto essa criança vai se desenvolver”, ressaltou.

Evidências orientam prevenção

Ao longo de quase três décadas, as coortes de São Luís já revelaram achados relevantes. A professora citou, por exemplo, estudos que associaram infecção urinária durante a gestação ao maior risco de parto prematuro. “Substâncias inflamatórias liberadas durante a infecção podem aumentar as contrações uterinas e levar a um desfecho que não é o desejado”, explicou.

Outro dado preocupante envolve a violência sofrida por mulheres grávidas. “Nós observamos que mães que sofreram violência na gestação tiveram bebês com maior risco de infecções aos dois anos de idade. O estresse crônico interfere no desenvolvimento do sistema imunológico da criança”, afirmou.

A alimentação infantil também é um dos focos da pesquisa. “Infelizmente, a gente tem encontrado prevalências altas de consumo de açúcar e de alimentos ultraprocessados, inclusive em crianças muito pequenas”, alertou. De acordo com a pesquisadora, o consumo excessivo de açúcar aos dois anos de idade já foi associado ao desenvolvimento de asma, enquanto entre adolescentes o excesso representa um risco importante para obesidade e doenças crônicas.

Edição 2026

A edição de 2026 da pesquisa incorpora temas que refletem mudanças recentes na sociedade, como o uso de telas desde a primeira infância, o consumo de cigarros eletrônicos e questões relacionadas à saúde mental. “A coorte vai se adaptando às demandas da sociedade. Hoje, por exemplo, não dá mais para ignorar o impacto do tempo de tela na vida das crianças”, observou Carolina.

Os estudos também têm apontado aumento de problemas de saúde mental em faixas etárias cada vez mais jovens. “Infelizmente, temos encontrado altas prevalências de depressão e outros transtornos, inclusive em crianças e adolescentes. Nosso objetivo é entender como experiências ao longo da vida ajudam a explicar esses desfechos”, disse.

Para a coordenadora, investir em prevenção é um dos maiores ganhos proporcionados pelos estudos de coorte. “É muito mais barato investir em um bom pré-natal, orientar essa mulher antes e durante a gestação, do que tratar uma doença crônica quando ela já está instalada”, ressaltou.

Carolina Carvalho reforçou ainda que os dados produzidos ao longo de 30 anos constituem um patrimônio científico do Maranhão. “As coortes de nascimentos de São Luís são uma riqueza de informações que podem contribuir, sem dúvida alguma, para políticas públicas mais justas. Estamos abertos ao diálogo com gestores, legisladores e a sociedade”, afirmou.

Os resultados da pesquisa subsidiam dissertações, teses e publicações científicas nacionais e internacionais, ampliando o impacto do estudo para além do Maranhão. “O que a gente descobre hoje vai influenciar a forma como cuidamos da saúde dessas pessoas no futuro, inclusive quando elas forem adultas ou idosas”, concluiu a pesquisadora.

O programa ‘Toda Mulher’ é apresentado por Márcia Carvalho, vai ao ar todas as quartas-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), com reprise na programação da emissora. A atração também pode ser vista pelo canal do Youtube. 

‘Toda Mulher’ debate desafios enfrentados por mulheres com deficiência na luta contra a violência

Agência Assembleia

O programa ‘Toda Mulher’, exibido nesta quarta-feira (10) pela TV Assembleia, recebeu a advogada, ativista e diretora de Mobilidade Inclusiva da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos, Isabelle Passinho, para discutir a violência contra mulheres com deficiência, marcada por silenciamentos históricos e barreiras que ampliam a vulnerabilidade dessa parte da população.

A advogada destacou que as mulheres com deficiência enfrentam riscos significativamente maiores de violência. “A combinação entre dependência, falta de acessibilidade e invisibilidade institucional cria um terreno fértil para violações graves e repetidas. Estatísticas indicam que mulheres com deficiência têm quase quatro vezes mais chances de sofrer violência”.

Na conversa, ela chamou atenção para as particularidades de cada tipo de deficiência e como elas influenciam a forma como a violência se manifesta. “A mulher com deficiência física, como eu, depende muitas vezes de um cuidador para tarefas básicas do dia a dia. E quando o agressor é justamente essa pessoa de quem ela depende, denunciar se torna ainda mais difícil. O ciclo se perpetua por medo, dependência e falta de alternativas de apoio”, explicou.

A ativista também relatou situações de violência institucional, especialmente contra mulheres surdas e cegas. “Há casos de delegacias sem intérpretes de Libras e episódios de descrédito em relatos de assédio feitos por mulheres cegas. Uma mulher cega diz que foi assediada e ouve de uma autoridade policial que ela não pode afirmar isso, já que não pode ver. Ela é vitimada duas vezes, pela violência e pela falta de preparo do sistema”.

Outro ponto abordado foi a vulnerabilidade extrema das mulheres com deficiência intelectual, especialmente em casos de violência sexual. “Muitas vezes, a dificuldade em expressar consentimento ou compreender a situação é usada como argumento pela defesa de agressores, resultando em absolvições. A falta de preparo do sistema de justiça ainda é um obstáculo crítico”, enfatizou.

A convidada ressaltou, ainda, a necessidade de aperfeiçoar o registro de dados sobre mulheres que adquirem deficiência em decorrência da violência sofrida. Usando o exemplo de Maria da Penha, Isabelle Passinho afirmou que identificar e registrar essa condição é fundamental para orientar políticas públicas adequadas. 

“Sem dados específicos, não há como compreender a dimensão do problema e, consequentemente, não há como enfrentá-lo de forma efetiva. O enfrentamento à violência contra mulheres com deficiência exige mais do que infraestrutura física. A acessibilidade precisa ser ampla e comunicacional”, declarou.

Por fim, ela defendeu equipes preparadas em todos os canais de atendimento e no sistema de justiça, garantindo acolhimento adequado e respeito às particularidades de cada mulher. “Quando eliminamos as barreiras e escutamos essas vozes, começamos a romper o ciclo de silenciamento e a construir caminhos reais de proteção e dignidade”, finalizou.

Assista ao programa:

Menopausa em foco: informação, liberdade e redescoberta marcam diálogo no ‘Toda Mulher’

Agência Assembleia

A menopausa, por muito tempo cercada de preconceitos e silêncios, ganhou espaço de diálogo e acolhimento no programa Toda Mulher, exibido nesta quarta-feira (26) pela TV Assembleia. A convidada foi a ginecologista clínica, integrativa, regenerativa e funcional Janeliza Cavalcante, que apresentou orientações e reforçou a importância de enxergar essa fase como uma oportunidade de autoconhecimento e renascimento.

Logo no início da entrevista, a médica ressaltou que a menopausa não deve ser encarada como o fim, mas como transformação. “A menopausa não é doença. Ela é um ciclo natural da vida feminina, marcado por mudanças no corpo e pela necessidade de atenção especial à saúde física e emocional”, destacou.

Segundo a ginecologista, muitas mulheres descobrem novas possibilidades afetivas e sexuais nesse período, mas há também a falta de informação, o que gera sofrimento e isolamento. “A falta de informação traz muito prejuízo. Muitas vezes a mulher sofre calada, com vergonha de falar até com o próprio parceiro sobre coisas simples, como o ressecamento vaginal”, relatou. Segundo ela, esse silêncio pode comprometer a saúde.

Sintomas

A médica explicou que os sintomas da menopausa vão muito além dos tradicionais “calorões”. “Hoje, o que você sentir de diferente, coloca na conta da menopausa. Irritabilidade, insônia, fadiga, alterações de memória, zumbido no ouvido, ressecamento da pele, queda de cabelo, mudanças de humor, etc. Cada mulher é única, e cada uma vai viver sua menopausa de um jeito diferente”, ressaltou.

A fadiga, segundo a médica, é um dos sinais mais comuns e muitas vezes confundido com baixa libido. “A mulher chega cansada, sem energia para nada, e acha que perdeu a libido. Mas o problema é falta de energia, não de desejo. A libido é energia para a vida, para o sexo, para tudo”, explicou.

Sobre a reposição hormonal, a especialista destacou as mudanças recentes e a importância do acompanhamento médico. “Não vamos ter medo de repor hormônio. A reposição previne osteoporose, problemas cardiovasculares, síndrome metabólica e até Alzheimer. O risco do câncer de mama existe sim, mas ele é muito menor que os benefícios, quando a reposição é feita com orientação”, esclareceu.

A médica também ressaltou que cada organismo reage de forma diferente e que não existe fórmula padrão. “Na internet, você vê uma fórmula pronta, mas não é assim. Tudo é individual. Hoje, a reposição é personalizada. O especialista é quem vai dizer qual hormônio, qual dose e se você realmente precisa”, afirmou.

Prevenção

Ela defendeu ainda que os cuidados devem começar cedo, especialmente a partir dos 40 anos. “A partir dos 40, é hora de se observar. Gosto de pedir densitometria e outros exames, porque é aí que a gente começa a organizar a base. Muitas mulheres chegam com osteopenia nessa idade porque nunca fizeram trabalho muscular ou cuidaram do corpo adequadamente”, explicou.

Encerrando a entrevista, a médica reforçou o papel do conhecimento e da escolha consciente. “A vida da gente é feita de escolhas. A pior coisa é não ter escolha. Quando você tem informação, você pode decidir. E menopausa não é fim, é recomeço”, concluiu.

O programa ‘Toda Mulher’ vai ao ar todas as quartas-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), com reprise na programação da emissora. A atração também pode ser vista pelo canal do Youtube. 

Programa ‘Toda Mulher’ destaca fortalecimento do associativismo entre empreendedoras maranhenses

Agência Assembleia

O programa “Toda Mulher”, exibido pela TV Assembleia nesta quarta-feira (15), trouxe relevante discussão sobre o associativismo, o empreendedorismo e o protagonismo feminino no Maranhão. A apresentadora Márcia Carvalho recebeu a empresária e presidente para Assuntos da Mulher na Associação Comercial do Maranhão (ACM Mulher), Ana Izabel Fernandes Azevedo, que destacou a força e a união das mulheres empreendedoras como instrumentos de transformação social e econômica no estado.

Durante a entrevista, Ana Izabel ressaltou que o empreendedorismo é um caminho de emancipação e empoderamento feminino, sendo muitas vezes impulsionado pela necessidade. “O empreendedorismo fortalece os desejos pessoais. Muitas vezes, começamos a empreender por uma necessidade. Assim, passamos a pensar em um negócio, conhecer pessoas, cultivar relacionamentos, e tudo isso fortalece o empreendedorismo. No Maranhão, cerca de 41% das mulheres estão à frente de negócios. Empreendedorismo salva vidas!”, afirmou.

A empresária também abordou os desafios enfrentados pelas mulheres que conciliam a tríplice jornada entre trabalho, casa e família, o que impacta diretamente na rotina de quem lidera um negócio. “A mulher é motivacional. As mulheres transformam os desafios em motivação. A empresária, seja iniciante ou experiente, enfrenta barreiras diárias, mas não deve se deixar abalar. É preciso manter-se firme no propósito”, reforçou.

Ao falar sobre o papel do ACM Mulher, Ana Izabel destacou as ações voltadas ao fortalecimento do associativismo, com destaque para o 23º Fórum da Mulher Empresária, que promoveu networking, troca de experiências e palestras sobre temas como inteligência artificial e estratégias de vendas.

“Toda gestão e todo o time do ACM Mulher têm como missão fortalecer o associativismo por meio de conexões. O fórum foi essencial para gerar novas oportunidades e ampliar o conhecimento das participantes”, completou.

O programa “Toda Mulher” vai ao ar todas as quartas-feiras, às 15h, pela TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309), trazendo pautas voltadas à valorização, aos direitos e ao protagonismo das mulheres maranhenses.