Agência Assembleia
O programa Toda Mulher, exibido nesta quarta-feira (4) pela TV Assembleia, abriu espaço para um debate urgente e necessário sobre a violência doméstica no Brasil. A convidada da edição foi a juíza auxiliar da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do Maranhão, Karine Castro, que destacou a importância da prevenção, da informação e do fortalecimento da rede de apoio às vítimas.
Dados mais recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgados em 2025, apontam que, em um período de 12 meses, cerca de 21,4 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência. Também foram contabilizados milhares de casos de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica, enquanto os números de feminicídio permanecem alarmantes.
Durante a entrevista, a juíza Karine Castro chamou atenção para a complexidade dos casos, especialmente em municípios menores, onde as relações são mais próximas. “São muitas situações complexas e particulares. Em municípios menores, as pessoas se conhecem, todos se conhecem. Por isso, as palestras e ações educativas devem ser feitas com toda a comunidade, para que a denúncia e a medida protetiva tenham mais efeito”, afirmou.
Ela ressaltou que muitas vítimas não conseguem identificar que estão vivendo uma situação de violência. “Primeiro vem a culpa. A mulher se sente responsável pelo que está acontecendo. Depois, passa pela violência psicológica, que muitas vezes é silenciosa, até conseguir identificar que aquelas situações configuram violência doméstica”, explicou.
Desinformação é obstáculo
Segundo a magistrada, a desinformação ainda é um dos maiores obstáculos no enfrentamento ao problema. “Muitas vezes, as vítimas não enxergam que aquilo é violência. É muito importante educar sobre isso. As mulheres evitam pedir ajuda, e a violência doméstica tende a se agravar. O objetivo é prevenir, evitar que a situação chegue ao crime”, destacou.
Karine Castro também enfatizou que o enfrentamento à violência passa pela garantia de autonomia e segurança. “Precisamos refletir até onde a mulher vai se sentir segura e tranquila para fazer suas escolhas. A proteção precisa ser efetiva para que ela consiga romper o ciclo da violência”, concluiu.
A edição do Toda Mulher reforçou a importância da informação como ferramenta de transformação social e evidenciou o papel das instituições na construção de uma rede de proteção mais eficaz, capaz de acolher, orientar e proteger mulheres em situação de violência em todo o estado.
