Roberta Duailibe alerta, no Café com Notícias’ para a prevenção e tratamento da obesidade

Agência Assembleia

O programa “Café com Notícias”, da TV Assembleia, conversou, nesta quarta-feira (21), com a médica endocrinologista, Roberta Duailibe, sobre obesidade e doenças metabólicas. Em entrevista à jornalista Elda Borges, a especialista falou  sobre as doenças metabólicas e deu orientações sobre cuidados preventivos e formas de tratamento.

Dados estatísticos mostram que a obesidade parece ser um mal do mundo inteiro e não apenas no Brasil. A Federação Nacional de Obesidade já detectou que cerca de 25% da população está acima do peso, inclusive as crianças a partir dos 5 anos de idade.

Inicialmente, Roberta Duailibe disse que se vive uma epidemia mundial de obesidade e alertou para a necessidade de se conscientizar a população sobre a importância de se prevenir e tratar essa doença metabólica.

“A obesidade não é apenas uma gordurinha a mais, uma questão de estética, mas uma inflamação contínua no corpo. Isto tem um impacto muito grande no corpo. E a gente precisa tomar cuidados porque, a longo prazo, isso leva a muitas complicações de saúde. Temos percebido um aumento da prevalência da obesidade infantil”, ressaltou.

A médica atribui como causas da obesidade infantil, dentre outros fatores, as mudanças de hábitos no mundo moderno, seja pelo uso dos alimentos ultraprocessados, que têm alto índice calórico, gordura saturada e muito açúcar, o que leva as crianças a quererem comer mais.

“Hoje, as crianças ficam mais tempo diante da tv ou tablet, ou seja, mais expostas a fatores estimulantes ao consumo desses alimentos e com pouca prática de atividades físicas. Dessa forma, a obesidade já se apresenta desde a infância e vai se perpetuar pela vida adulta”, alertou.

Bons hábitos

Roberta Duailibe disse que a gente precisa ter bons hábitos ao longo da vida inteira, desde a infância, adolescência à vida adulta e que a obesidade é uma doença multifatorial.

“Temos a questão da alimentação, falta de atividade física e a genética como alguns fatores que levam à obesidade. E o sono também influencia. Quanto antes se implementar bons hábitos, maiores chances teremos de impedir a obesidade. Mas pode acontecer que, mesmo com as práticas de bons hábitos, apareça a obesidade em crianças”, esclareceu.

O programa Café com Notícias é exibido de segunda a sexta-feira, às 8h30, na TV Assembleia (canal aberto digital 9.2; Maxx TV, canal 17; e Sky, canal 309). A entrevista completa está disponível no Youtube por meio do link:

Arquiteta destaca, no ‘Café com Notícias’, a influência do ambiente na qualidade do sono

Agência Assembleia

Durante entrevista ao programa Café com Notícias, da TV Assembleia Maranhão, nesta terça-feira (20), a arquiteta Fabíola Ramos chamou atenção para a forte relação entre o ambiente físico, os hábitos cotidianos e a qualidade do sono. Criadora do método “Quarto Vivo”, a especialista explicou como ajustes simples no espaço onde se dorme podem impactar diretamente a saúde e o bem-estar.

Cerca de 70% da população brasileira sofre com algum tipo de distúrbio do sono. A partir desse dado, Fabíola ressaltou que a arquitetura exerce influência direta sobre o corpo e a mente, uma vez que não existem ambientes neutros. 

Segundo ela, todos os espaços provocam estímulos, positivos ou negativos. O foco do método “Quarto Vivo” é justamente o dormitório, local onde as pessoas passam, em média, de sete a oito horas por dia, período fundamental para um sono verdadeiramente regenerador.

Um dos pontos centrais da entrevista foi o conflito entre trabalho e descanso, especialmente com a popularização do home office. Fabíola alertou que manter um escritório dentro do quarto pode confundir o cérebro, que deixa de reconhecer aquele espaço como local de repouso. 

“Higiene do sono”

A recomendação ideal é separar os ambientes. Quando isso não é possível, a arquiteta sugere estratégias para minimizar os impactos, como fechar o computador e guardá-lo fora do campo de visão antes de dormir. Outra orientação relacionada à chamada “higiene do sono” é anotar as tarefas do dia seguinte em um papel, ajudando a reduzir a ansiedade e as preocupações noturnas.

A especialista também abordou estímulos ambientais negativos que costumam passar despercebidos. Entre eles, a qualidade do ar, que pode ser pior dentro de casa do que fora, tornando essencial a renovação do ambiente com a abertura de janelas. 

Fabíola destacou a importância da limpeza regular do ar-condicionado e mencionou detalhes técnicos, como evitar canos de água atrás da cabeceira da cama, pois ruídos e vibrações podem acionar, de forma inconsciente, mecanismos de alerta no organismo.

Outro fator apontado foi a poluição luminosa. Luzes de aparelhos eletrônicos, como LEDs de televisores e aparelhos de ar-condicionado, além da luz azul emitida por telas, prejudicam a produção de melatonina, hormônio responsável pela indução do sono. De acordo com a arquiteta, o corpo necessita de ausência total de luz para alcançar um sono profundo e reparador.

Ao falar sobre mudanças de hábito, Fabíola defendeu uma transição gradual. Para ela, alterações bruscas tendem a não se sustentar ao longo do tempo. A sugestão é buscar referências positivas, como o conforto de quartos de hotel, investindo em lençóis de qualidade e em um colchão adequado. 

Ressignificação do quarto

A arquiteta também destacou a importância da ressignificação do espaço, afirmando que o quarto deve refletir a fase atual da vida da pessoa. Ambientes que mantêm memórias de situações passadas, como um divórcio, podem carregar tensões emocionais que afetam o descanso.

Entre as dicas finais, Fabíola Ramos recomendou manter a temperatura do quarto entre 18°C e 21°C, desativar notificações sonoras e visuais do celular e evitar refeições pelo menos duas horas antes de dormir.

A entrevista foi encerrada com a arquiteta reforçando que o ambiente influencia em até 80% a qualidade do sono e que pequenas mudanças na forma de habitar os espaços podem promover melhorias significativas na saúde física e emocional.

‘Café com Notícias’ debate uso do cigarro eletrônico

Agência Assembleia

O uso do vape, cigarro eletrônico proibido no Brasil desde 2009, foi o tema do programa ‘Café com Notícias’, que foi ao ar nesta segunda-feira (19), pela TV Assembleia. Para falar sobre o assunto, a apresentadora Elda Borges recebeu o médico psiquiatra Rui Palhano.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15 milhões de jovens entre 13 e 15 anos já experimentaram o vape e seu uso tem crescido entre as mulheres. O médico Rui Palhano destaca que o sistema de fiscalização do cigarro eletrônico no Brasil é insignificante.

“Em qualquer rua de comércio no Brasil é possível comprar vape. O sistema de fiscalização é precário, embora a Anvisa tenha proibido desde 2029, mas, mesmo assim, sua venda ocorre de maneira muito solta”, ponderou o psiquiatra.

Segundo ele, adultos acima de 18 anos são os que mais usam o vape, e as mulheres estão iniciando em idade muito precoce, por volta dos 13 anos. “O mote fundamental da indústria que fabrica estes cigarros, é o de que eles vieram substituir os convencionais, mas isso se provou um truque porque o que gera a dependência de cigarros comuns é a nicotina, regulada entre 1 e 2%, enquanto no vape essa concentração alcança até 40%”, alerta o especialista. Estas altas doses de nicotina, de acordo com o médico, faz com que a dependência ocorra de forma muito rápida.

Interesses

Durante a entrevista, Rui Palhano tocou ainda nos interesses da indústria do cigarro para que o país libere o uso do vape. “Há seis projetos de lei em tramitação no congresso para que sejam liberadas a produção, divulgação, comércio e importação do cigarro eletrônico no Brasil. Os interesses econômicos por trás disso são gigantescos”, asseverou Rui Palhano. Segundo ele, o faturamento estimado da indústria tabaqueira de vape no Brasil é de R$ 3 bilhões.

O médico relatou que hoje a fiscalização sobre o cigarro comum é bem maior e resulta de uma convenção internacional para legislar sobre uma política de controle de tabagismo, da qual o Brasil faz parte.

“Isto ocorreu há 30 anos e nós fomos o país que mais evoluiu neste sentido, com uma política de referência internacional. A ameaça, com a ascensão do vape, é se afrouxar as proibições do cigarro comum”, analisou o médico.

Ele adiantou que apresentou à deputada Helena Duailibe, uma sugestão de projeto de lei para ações contra o uso de vape no estado do Maranhão.

Rui Palhano explicou ainda que o primeiro grande impacto do vape no corpo, além da dependência, é o envelhecimento precoce da pele e sistema nervoso. Para além disto, há as substâncias consideradas cancerígenas tanto no cigarro eletrônico, quanto no convencional.

Assista à entrevista na íntegra:

Os 40 anos do Carnaval de rua da Máquina de Descascar’Alho são destaque no  ‘Café com Notícias’

Agência Assembleia / Foto: Kristiano Simas

Em entrevista ao programa Café com Notícias, desta sexta-feira (16), o cantor Guilherme Soares e o músico Cauê Veloso falaram sobre os 40 anos do Bloco Tradicional Máquina de Descascar’Alho, um dos símbolos do carnaval popular maranhense. A conversa destacou a origem do grupo, sua importância histórica, o processo de renovação e o resgate de tradições que marcaram a trajetória do bloco desde a década de 1980.

Criada em 1986, em um contexto de redemocratização do país, a Máquina surgiu com a proposta de levar às ruas um carnaval mais autêntico, irreverente e conectado com o cotidiano da população. Segundo Guilherme Soares, o espírito do bloco sempre esteve ligado à crítica bem-humorada e à chamada “molecagem” típica das letras que marcaram gerações.  “Ela buscava levar para as ruas um Carnaval mais popular, mais autêntico. Isso se refletia nas composições, letras cheias de irreverência, de duplo sentido”, destacou.

Ao celebrar quatro décadas de história, o grupo decidiu resgatar uma tradição que havia se perdido com o tempo: as saídas aos sábados do mês de janeiro.

 “A Máquina, quando surgiu, tinha tradicionalmente a saída marcante do 1º de janeiro, que marca o seu nascimento. Agora, estamos resgatando algo que há muito tempo não acontecia”, explicou Guilherme.

Paixão pelo bloco

A relação afetiva dos integrantes com o bloco também foi um dos pontos centrais da entrevista. O músico Cauê Veloso, que integra a Máquina há cerca de 15 anos, ressaltou que sua ligação com o grupo vai além da música.  Filho de Veloso, um dos fundadores do bloco, ele afirma ter crescido dentro da agremiação. “Sou um filho da Máquina literalmente. Quando meu pai estava fazendo a Máquina, ele estava me fazendo também”, contou.

Guilherme Soares compartilhou uma trajetória semelhante, marcada pelo contato desde a infância com o bloco, quando frequentava os carnavais de clubes locais e acompanhava de perto as apresentações. Hoje, além de cantor da Máquina, ele também atua como advogado, conciliando a profissão com a paixão pelo carnaval.  “Foi um sonho que também se realizou. Mas no ano passado veio o convite da Máquina para integrar o time”, relatou.

A entrevista também abordou a dinâmica interna do grupo e o processo de renovação ao longo dos anos. Cauê Veloso destacou a versatilidade dos músicos e a importância de manter viva a memória musical do bloco. Ele próprio passou por diferentes funções dentro da banda, do cavaquinho à guitarra, enquanto Guilherme assumiu o papel de resgatar letras antigas que fazem parte da identidade da Máquina.

Irreverência

Sobre as letras irreverentes, muitas vezes alvo de críticas, Guilherme defendeu o repertório como um retrato fiel das relações sociais e do cotidiano. “A Máquina perdura porque soube como poucos retratar a relação do homem e da mulher. Temos músicas extremamente poéticas que exaltam a mulher”, afirmou, citando composições tradicionais do grupo.

Momentos de emoção também marcaram a conversa, como o relato de Cauê Veloso sobre a presença simbólica do pai após sua morte. Segundo ele, em apresentações realizadas logo após o falecimento de Veloso, uma borboleta costumava aparecer no palco, sendo interpretada pelos integrantes como um sinal de conexão espiritual e continuidade da história do bloco.

Durante a entrevista, Guilherme Soares também reforçou a programação dos cortejos comemorativos, destacando a pontualidade e o respeito às tradições. As concentrações ocorrem às 16h, com saída às 17h em ponto, e os primeiros minutos são dedicados aos sambas tradicionais da Madre Deus, bairro que tem forte ligação com a história do carnaval ludovicense.

‘Café com Notícias’ – Educadora financeira mostra como ter equilíbrio no orçamento e viver sem ‘apertos’

Agência Assembleia / Foto: Wesley Ramos

Manter as contas equilibradas, sair do endividamento e planejar metas financeiras para o novo ano foram os principais temas abordados na edição desta quinta-feira (15), do programa Café com Notícias, da TV Assembleia Maranhão, durante  entrevista com a educadora financeira Núbia Sousa. A conversa trouxe orientações práticas sobre organização financeira e alertou para os riscos do consumo impulsivo, especialmente no início do ano.

Na abertura do programa, a apresentadora Elda Borges destacou que o começo do ano costuma ser marcado por planos e expectativas, mas lembrou que a realidade financeira de grande parte da população brasileira é desafiadora. Segundo dados citados na entrevista, cerca de 70% das famílias no país estão endividadas, o que torna o planejamento ainda mais necessário.

Durante a conversa, Núbia Sousa explicou que manter-se financeiramente equilibrado é um exercício diário, que começa nas pequenas decisões do cotidiano. Como estratégia, ela apresentou a chamada “regra dos mantras”, que consiste em se perguntar antes de qualquer compra: “eu quero, eu preciso, eu posso?”. De acordo com a educadora, se a resposta for negativa para duas dessas perguntas, a melhor decisão é desistir da compra.

A especialista também ressaltou que equilíbrio financeiro não significa viver em privação extrema, mas encontrar um ponto de equilíbrio entre aproveitar a vida e manter as contas em dia. Para quem já perdeu o controle do orçamento, o primeiro passo é fazer um diagnóstico da situação financeira real.

Lógica do dinheiro

Segundo Núbia, a falta de planejamento é um dos principais problemas enfrentados pelas famílias. Muitas pessoas não sabem exatamente quanto ganham ou quanto gastam, seja por falta de hábito ou por associarem o planejamento financeiro a algo complexo e burocrático. Ela lembrou que o dinheiro segue uma lógica simples: quando se gasta mais do que se ganha, a dívida tende a crescer de forma descontrolada.

A entrevista também abordou os períodos mais críticos do ano para o orçamento familiar. O fim de ano, marcado por festas e confraternizações, costuma incentivar gastos excessivos, muitas vezes com o uso do 13º salário e do cartão de crédito. 

Já no início do ano, despesas como material escolar, IPVA e gastos extras com crianças em férias pressionam ainda mais o orçamento, cenário que pode se agravar com despesas de Carnaval e viagens feitas por impulso.

Entre as estratégias apresentadas para melhorar a saúde financeira, Núbia Sousa destacou a importância de buscar fontes de renda extra, seja por meio do empreendedorismo ou de atividades complementares à renda principal. Ela também defendeu o planejamento antecipado de gastos maiores, como viagens, que podem sair mais baratas quando organizadas com antecedência.

Reserva de emergência

Outro ponto de atenção levantado foi o parcelamento prolongado de compras, que compromete a renda futura e cria um ciclo contínuo de dívidas. A educadora alertou ainda para a necessidade de construir uma reserva de emergência, mesmo que aos poucos, para lidar com imprevistos.

Sobre o uso do cartão de crédito, Núbia afirmou que o instrumento não deve ser visto como vilão, mas como um aliado quando utilizado com controle e estratégia. O problema, segundo ela, está no descontrole e no pagamento apenas do valor mínimo da fatura, prática que gera juros elevados e amplia o endividamento.

Ao final da entrevista, a mensagem reforçada foi a de que a responsabilidade financeira deve fazer parte da vida de todas as pessoas, independentemente da idade ou da fase em que se encontram. Para Núbia Sousa, organização e planejamento são fundamentais para garantir qualidade de vida sem comprometer o futuro financeiro.

“Não deixar de fazer o que você gosta, mas é buscar meios de como fazer o que você gosta, com planejamento”, concluiu a educadora financeira.

‘Café com Notícias”: Especialista destaca a cirurgia bariátrica como procedimento essencial no tratamento da obesidade

Agência Assembleia / Foto: Kristiano Simas

A obesidade segue como um dos principais desafios de saúde pública no Brasil. O tema foi debatido no programa Café Notícias, da TV Assembleia Maranhão, nesta quarta-feira (14), durante entrevista com o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Giuliano Peixoto Campelo, representante da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).

Na conversa, o especialista ressaltou que, apesar do avanço de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, a cirurgia bariátrica continua sendo um tratamento fundamental para pacientes com obesidade moderada a grave. Segundo ele, cerca de 1% das cirurgias bariátricas realizadas no país ocorrem no Maranhão.

De acordo com Dr. Giuliano, os medicamentos têm apresentado bons resultados em pacientes com obesidade grau 1 ou sobrepeso. No entanto, em casos mais avançados ou associados a doenças como diabetes e hipertensão de difícil controle, a cirurgia permanece como a principal alternativa terapêutica. 

“Para pacientes com obesidade extrema ou diabetes grave, a cirurgia não deve ser encarada como última opção, mas como a primeira, para evitar complicações fatais”, explicou.

Reganho de peso

Durante a entrevista, o médico reforçou que a obesidade é uma doença crônica, sem cura definitiva, mas passível de controle contínuo. Ele alertou que cerca de 85% dos pacientes que interrompem o uso de medicamentos voltam a ganhar peso. 

Já no caso da cirurgia bariátrica, o reganho ocorre em aproximadamente 20% a 30% dos pacientes após cinco anos, geralmente associado ao abandono do acompanhamento médico, ao consumo excessivo de álcool ou a questões psicológicas não tratadas.

O especialista também esclareceu os critérios atuais para a realização da cirurgia. O procedimento é indicado para pacientes com índice de massa corporal (IMC) acima de 35, desde que apresentem doenças associadas, como diabetes, hipertensão ou gordura no fígado, e para aqueles com IMC acima de 40, mesmo sem comorbidades. 

Quanto à idade, o Conselho Federal de Medicina passou a permitir a cirurgia a partir dos 16 anos. Entre 14 e 16 anos, o procedimento só pode ser realizado em protocolos de pesquisa específicos.

Outro ponto abordado foi o estigma social relacionado à obesidade. Dr. Giuliano destacou que apenas cerca de 3% dos pacientes conseguem controlar a doença exclusivamente com dieta e atividade física. 

Ele comparou a obesidade a outras enfermidades, defendendo que o tratamento deve ser ajustado quando não apresenta resultados. “Não se pode responsabilizar o paciente dizendo apenas para comer menos e caminhar. A obesidade precisa ser tratada como qualquer outra doença”, afirmou.

“Magro metabolicamente doente”

Na entrevista, o médico também chamou atenção para o conceito do “magro metabolicamente doente”, que se refere a pessoas com peso considerado normal, mas que apresentam doenças metabólicas, como diabetes e gordura no fígado. Segundo ele, esses pacientes podem evoluir com complicações mais graves por não buscarem tratamento devido à aparência física aparentemente saudável.

Ao final, Dr. Giuliano reforçou a necessidade de encarar a obesidade com o mesmo acolhimento e seriedade dedicados a doenças como o câncer. Ele destacou que a cirurgia bariátrica é uma ferramenta eficaz, mas exige compromisso permanente com mudanças no estilo de vida e acompanhamento multidisciplinar ao longo da vida.

Resultados e desafios do Selo Unicef são debatidos no ‘Café com Notícias’

Agência Assembleia / Foto: Wesley Ramos

O programa Café com Notícias, da TV Assembleia, exibido nesta terça-feira (13), recebeu a chefe do escritório do Unicef para o Maranhão e o Piauí, Ofélia Silva, para tratar dos impactos, desafios e resultados do Selo Unicef nos municípios maranhenses e piauienses.

Na entrevista, a apresentadora Elda Borges destacou que o ano de 2025 iniciou-se com 216 municípios do Maranhão aderidos ao Selo Unicef, mas que, ao longo do processo, houve redução neste número.

Ofélia explicou que o Selo é uma estratégia de quatro anos, correspondente ao mandato municipal, e que a certificação só é concedida aos gestores que cumprem rigorosamente metas nas áreas de saúde, educação e proteção de crianças e adolescentes.

“Quando o prefeito assume, ele adere ao Selo Unicef e passa a ser acompanhado por indicadores claros. Apenas quem cumpre essas metas, ao final do ciclo recebe a certificação”, esclareceu.

Vacinação

Um dos principais desafios apontados foi a vacinação infantil. Segundo Ofélia, a baixa cobertura vacinal ainda é reflexo do período pós-pandemia e representa risco à saúde pública. “Para garantir a barreira imunológica, é necessário vacinar 95% das crianças. Municípios que não alcançam esse percentual perdem pontuação no Selo e também podem ter redução de recursos federais”, alertou.

Na área da educação, a chefe do Unicef destacou o uso da plataforma Busca Ativa Escolar, que identifica crianças fora da escola ou em risco de evasão, seja por faltas frequentes, violência ou gravidez precoce. Ela ressaltou que o Maranhão tem apresentado avanços, especialmente na rematrícula, e citou a parceria institucional com o Governo do Estado. “Existe um memorando de entendimento com o governador Carlos Brandão para fortalecer o Ensino Médio, com atenção especial ao ensino tecnológico”, afirmou.

Educação

A entrevista também abordou problemas de infraestrutura escolar. Ofélia reconheceu que escolas precárias e a falta de políticas voltadas ao projeto de vida dos jovens contribuem para a evasão. Ela chamou atenção para o desconhecimento, por parte de alguns gestores, sobre programas federais de apoio.

“Muitos municípios não acessam recursos do programa Dinheiro Direto na Escola por falta de projetos ou informação técnica, mesmo com o dinheiro disponível”, destacou.

Ofélia informou, ainda, que o novo ciclo do Selo Unicef dará prioridade a crianças indígenas e quilombolas, com o objetivo de ampliar o acesso a direitos historicamente negados a essas populações.

Ao comentar o caso das crianças quilombolas desaparecidas em Bacabal, a representante do Unicef relatou que esteve no município a pedido do prefeito Roberto Costa para oferecer orientações técnicas e reforçou a mobilização das autoridades e da comunidade.

Impactos globais da ação dos EUA na Venezuela são tema de entrevista no ‘Café com Notícias’

Agência Assembleia / Foto: Wesley Ramos

O cenário internacional e as recentes turbulências nas relações entre os Estados Unidos (EUA) e países da América Latina pautaram o programa Café com Notícias desta segunda-feira (12). A apresentadora Elda Borges recebeu o Professor Igor Fóscolo, especialista em Relações Internacionais da UEMA (Universidade Estadual do Maranhão), para analisar a ação militar dos EUA que culminou na detenção do presidente venezuelano Nicolás Maduro e o que isso representa para a ordem global.

Elda Borges iniciou a entrevista abordando a crescente sensação de incerteza nas relações mundiais e a emergência de uma “nova ordem de regras”, em especial, citando a intervenção estadunidense na Venezuela, descrita por alguns como uma espécie de “invasão” ou até mesmo “sequestro” de um chefe de Estado.

Para Fóscolo, o que mais chama atenção na política externa atual dos EUA é sua imprevisibilidade. “É difícil saber o que se passa na cabeça do presidente dos Estados Unidos… cada decisão imprevisível de Trump é um risco para toda a comunidade internacional”, afirmou o professor, ressaltando o caráter errático das decisões tomadas pela Casa Branca nos últimos meses.

O episódio de 3 de janeiro, no qual uma operação militar dos EUA resultou na captura de Maduro, foi um dos temas centrais do debate. Fóscolo classificou a ação como gravíssima sob a ótica do Direito Internacional, por violar tanto a imunidade diplomática de um chefe de Estado quanto dispositivos fundamentais da Carta das Nações Unidas.

Segundo ele, “um Estado só pode agir militarmente em legítima defesa ou com autorização do Conselho de Segurança da ONU”, condições que, na avaliação do professor, não foram atendidas.

Multilateralismo

O especialista lamentou uma mudança de paradigma nas relações internacionais. Para ele, a ordem global regida pelo multilateralismo desde o fim da Segunda Guerra Mundial, baseada em tratados, instituições e mecanismos coletivos de resolução de conflitos vem sendo gradualmente substituída por dinâmicas de disputa de “zonas de influência”, especialmente desde a invasão da Rússia à Ucrânia em 2022.

Dentro desse contexto, a Venezuela emergiria como peça central da geopolítica recente, em parte por seu alinhamento com a China, então principal comprador de petróleo venezuelano em 2025, o que teria contrariado interesses estratégicos estadunidenses na região.

Outro ponto de destaque foi a relação dos EUA com a Colômbia após a eleição de Gustavo Petro, cuja orientação política de esquerda, segundo Fóscolo, rompeu com o tradicional alinhamento automático com Washington no combate ao narcotráfico.

O professor também acionou a simbologia histórica da Doutrina Monroe, sugerindo que a visão externa de Trump remete a uma releitura de “A América para os americanos”, com os EUA buscando manter um controle hegemônico sobre a América Latina.

Quanto às consequências práticas da intervenção, Fóscolo listou imposições feitas pelos EUA contra a Venezuela, incluindo um controle político direto de pelo menos um ano, a venda compulsória de 50 milhões de barris de petróleo ao mercado estadunidense e a exigência de que os recursos dessa comercialização fossem reinvestidos em produtos americanos.