07 de janeiro de 2026
‘Diário da Manhã’ aborda impactos do conflito e ataque dos Estados Unidos à Venezuela
Entrevistados pelo programa o especialista em Relações Internacionais Igor Ferreira Fóscolo e a aluna Lorenna Costa fizeram uma análise do fato, que marcou o início do ano no mundo, e falaram das possíveis motivações e consequências
Agência Assembleia / Foto: Kristiano Simas
Os impactos do conflito e ataque dos Estados Unidos à Venezuela foram tema do programa ‘Diário da Manhã’, da Rádio e TV Assembleia, desta quarta-feira (7). Os entrevistados foram o professor Igor Ferreira Fóscolo, mestre do Curso de Relações Internacionais da Universidade Estadual do Maranhão (Uema); e a aluna Lorenna Costa.
Em conversa com o apresentador Ronald Segundo, os convidados analisaram o episódio do sequestro do presidente da Venezuela Nicolás Maduro e os bombardeios à capital Caracas, ocorridos na madrugada do último dia 3 de janeiro, ordenados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Graduado em Relações Internacionais pela PUC de Minas Gerais, o professor Igor Ferreira Fóscolo disse que o ataque dos EUA à Venezuela “abre um precedente perigoso nas relações internacionais na medida em que se trata de uma ação imperialista de um Estado invadindo o outro em tempo de paz. Esse episódio, ao nosso ver, não tem precedente no Direito Internacional que justifique essa situação”.
A estudante Lorenna Costa, que cursa o último período de Relações Internacionais, observou que Donald Trump já vinha sinalizando a possibilidade de intervenção na Venezuela: “O que chocou foi a declaração aberta de guerra contra um país latino-americano, o que gera temor muito grande para toda a comunidade internacional”, assinalou.
O professor Igor Ferreira Fóscolo frisou que há um clima de expectativa e de incertezas porque não se sabe o que pode acontecer daqui por diante em razão dos desdobramentos do ataque dos EUA à Venezuela.
Ele acrescentou que, após a operação em Caracas, o presidente dos EUA intensificou discurso contra o México, Colômbia e Cuba, além de reforçar interesse estratégico na Groenlândia, ilha dinamarquesa rica em minerais raros.
“Esse episódio traz a necessidade de se refletir sobre os caminhos que podemos ter em relação ao multilateralismo, um orquestramento que hoje sustenta a paz no mundo”, disse Igor Fóscolo.
Sem fundamentação
Durante a entrevista, o professor foi enfático ao afirmar que a ofensiva militar dos EUA contra a Venezuela, na madrugada de sábado (3), não possui fundamentação no Direito Internacional. Ele traçou paralelos entre a atual intervenção americana e ações anteriores na América Latina, como a operação contra Manuel Noriega, no Panamá.
“Existem algumas semelhanças com relação a sanções econômicas e tentativa de sufocar o regime antes de uma ação mais ativa, como aconteceu nesse caso”, explicou o especialista.
Ele destacou que, inicialmente, Donald Trump utilizou o combate ao narcotráfico como justificativa para a intervenção. “O argumento inicial foi a questão das drogas. Trump afirmou que os Estados Unidos tinham um problema muito grande com a Venezuela porque ela é uma grande fornecedora de drogas”, relatou Fóscolo.
O professor observou que os reais motivos por trás da ação militar americana podem estar relacionados a interesses econômicos e geopolíticos. “Trump já havia falado no seu primeiro mandato como presidente por que os Estados Unidos não tomavam a Venezuela, que tem a maior reserva de petróleo do mundo reconhecida”, comentou o professor.
Ele lembrou que Trump afirmou que os EUA irão “administrar” a Venezuela de forma interina, anunciaram a entrada de petroleiras norte-americanas no território venezuelano e declararam que pretendem ampliar “o domínio americano no Hemisfério Ocidental”. Trump também invocou a Doutrina Monroe, formulada em 1823, segundo a qual a América Latina estaria sob a influência direta de Washington.
“O domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”, declarou o presidente norte-americano, ao anunciar que empresas dos EUA passarão a controlar a indústria petrolífera venezuelana. “Vamos fazer o petróleo fluir”, prometeu Trump.
Para o professor Igor Ferreira Fóscolo, esse discurso não apenas confirma o caráter econômico da ofensiva como evidencia o colapso das normas internacionais construídas no pós-Segunda Guerra Mundial.
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